sexta-feira, 17 de abril de 2009

Morfologia de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga 2


Raiz do tipo velame de orquídea epífita. C – Coifa V- Velame.



Flor de orquídea distendida com a coluna retirada. 1 – Sépalos laterais. 2 – Sépalo dorsal. 3 – Pétalos. 4 – Labelo.









A - Coluna em vista ventral, com antera alojada no clinândrio. B - Coluna em vista ventral, com antera retirada do clinândrio. . Ant. – Antera. R – Rostelo. CE – Cavidade Estigmatífera. C - Caudículo. P - Polínea.





1 - Coluna com cavidade estigmatífera e antera alojada no clinândrio. 2 - Coluna com antera retirada mostrando o rostelo e o clinândrio. 3.- Antera. 4 - Polinários do tipo polínea ceróide.







A - Coluna em vista ventral, com antera alojada no clinândrio. B - Coluna em vista ventral, com antera retirada do clinândrio. Ant. – Antera. R – Rostelo. V – Viscidium. CE – Cavidade Estigmatífera. C - Caudículo. E - Estípete. P - Polínea.


Morfolgia de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga 1

Crescimento - observamos dois tipos de crescimento - Simpodial e Monopodial.

Crescimento simpodial - tipo de crescimento dos rizomas que, após o crescimento de um pseudobulbo e sua floração, desenvolve uma gema na base do pseudobulbo e iniciam novo crescimento, sempre seguindo horizontalmente, em frente ou irregularmente.

Crescimento monopodial - tipo de ramificação lateral em que o eixo principal do rizoma ou caule mantém-se retilíneo e uniforme, gerando ramos menores que ele.

Inflorescência - podem ser apicais ou terminais, axilares ou laterais, dos tipos: cacho, panícula, racimo e espiga. Em algumas espécies, as inflorescências desenvolvem-se protegidas por uma folha modificada denominada espata.

Sépalos e pétalos – providas de três sépalos no verticilo externo e três pétalos no interno, distintos uns dos outros.

Labelo - Um dos pétalos, o oposto ao estame fértil é denominado labelo. Geralmente apresenta cores vistosas, o que serve para atrair o polinizador à flor.
Coluna ou Gimnostêmio - com a concreção dos estames (órgãos masculinos) e dos pistilos (órgãos femininos) forma-se a coluna.

Estigma - apresentam-se em numero de três, concrescidos, constituindo a cavidade estigmatífera. Parte de um dos estigmas transforma-se em uma parede denominada rostelo, evitando assim, que as políneas depositadas na antera, venham ter contato com o estigma. Em muitos gêneros, parte do rostelo (viscidium) produz uma substância viscosa que é retirada juntamente com o polinário e serve para fixar todo a aparato no polinizador.

Antera - geralmente uma, e encontra-se no ápice da coluna. A subfamília Cypripedioideae, possui na coluna, duas anteras laterais. As demais subfamílias ocorrentes no Brasil apresentam apenas uma única antera.

Polinário - o pólen das orquídeas ao contrario das outras famílias encontra-se agrupado em tétrades que formam polinários. O polinário geralmente é constituído de: políneas granulosas, ou ceróides, ou cartilaginóides; caudículo; estípite e viscidium. Além da variação do tipo de agregado de pólen, as demais partes, dependendo dos gêneros, podem estar presentes ou não.

Ovário – ínfero, composto de três carpelos concrescidos formando ovário trilocular (subfamílias Apostasioideae e Cypripedioideae), ou unilocular (demais subfamílias). Geralmente antes da antese o ovário sofre uma torção de 180º o que faz o labelo tomar uma posição ínfera em relação aos outros dois pétalos e servir, em muitos casos, como campo de pouso para os polinizadores.
Óvulos - os óvulos não se desenvolvem antes que as plantas tenham sido polinizadas.

Fruto - cápsula dos tipos trilocular (nas subfamílias Apostasioideae e Cypripedioideae) e unilocular (demais subfamílias).
Sementes – na maioria das orquídeas são diminutas, paleáceas, sem endosperma e com embrião rudimentar.


Continua na próxima postagem.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Comparação de flor de orquídea com uma Magnoliales por Pedro Ivo Soares Braga




Biologia Floral de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga

Agentes polinizadores de orquídeas e a denominação das plantas por eles polinizadas


Flor de Liliopsida (=Monocotiledôneas) com tépalas vistosas e estames exertos

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Transferência de odor por parte da abelha Euglossinae, para o órgão tibial





Flor de Epidendrum ibanquense var. schomburgkii adaptada à polinização por borboleta



























Calosidade de Epidendrum imatophyllum.









Flor de Cattleya eldorado, sendo visitada por uma abelha












Encyclia mapuerae sendo polinizada. Na foto observamos o deslocamento do labelo para baixo, devido ao peso do polinizador e a fixação dos lobos laterais na aurícula da coluna, permitindo assim a passagem do animal até o interior da flor.














Borboleta (Ctenochidae) mimetizadora de vespa, roubando néctar em Epidendrum paniculatum

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Como já tivemos a oportunidade de mencionar, as flores das orquídeas são adaptadas para a polinização cruzada (alogamia), permitindo assim, uma maior evolução de suas espécies. Os responsáveis por sua polinização são os animais (zoofilia) sendo raro os casos de autofecundação (autogamia).

Estratégias de atração, mecanismos de polinização e síndromes de polinização


Para atraírem os polinizadores as flores, utilizam varias estratégias (odores, horário de produção de odores, cores, formato das flores, guias de néctar e odor, nectários, pelos alimentícios, etc.). O conjunto de estratégias e mecanismos de polinização vai condicionar o tipo de polinizador, e a esse conjunto, denominamos síndrome floral.

Estratégias de atração-

Atraente primário -
para os animais que percebem o perfume este é o atraente primário. São geralmente constituídos por terpenóides e ácidos aromáticos, que por serem voláteis, logo se espalham na atmosfera. As abelhas Euglossinae, uma das polinizadoras de orquídeas, voam cerca de 20 km num mesmo dia, na procura destas fragrâncias. Estas são produzidas em células, que em conjunto formam o tecido denominado de osmóforo. O horário da produção dos perfumes também é muito importante, pois aliado as outras características da flor, determinam o tipo de polinizador. Assim temos polinizadores crepusculares, diurnos e noturnos.

Atraente secundário - considerado primário para os animais que não percebem perfumes, como os beija-flores. Pode ser a cor da corola, o padrão de reflexão dos raios ultravioleta, o tamanho, formato e posição da flor. Os pigmentos que refletem os raios ultravioletas são denominados de pigmentos anticor. A sua importância rezide no fato de que para aqueles animais que percebem esse comprimento de onda da luz, funcionam como guias de recompensa de alimento.

Atraente terciário - são as recompensas de alimento ---> néctar, pólen, pelos alimentícios, calosidades, entre outros.

Odor e horário de produção - em muitas orquídeas é considerado de extrema importância, pois é responsável pela atração primária do polinizador A flor. Dependendo do horário e intensidade do odor, teremos o polinizador diurno ou noturno.
Os odores fazem com que orquídeas das subtribos Catasetinae, Gongorinae e algumas das Zygopetalinae e Oncidiinae tenham uma relação muito interessante com as abelhas Euglossinae. As orquídeas dessas subtribos não produzem néctar e são visitadas quase que exclusivamente pelos machos destas abelhas. Esses são, primariamente, atraídos até a flor por substâncias aromáticas, ou seja, terpenóides, ácidos aromáticos, etc., num total de aproximadamente 60 compostos conhecidos. Conforme a substância odorífera ou a sua mistura, ocorrera a atração de muitas espécies ou apenas de uma única espécie de abelha. Essa especificidade de atração tem grande importância nos mecanismos de isolamento e especiação das orquídeas destas subtribos. Depois que os machos são atraídos à flor, pousam no labelo e começam a esfregar a região onde esta localizado o osmóforo, tecido onde são produzidas as substâncias odoríferas. Para isso, usam as patas dianteiras, que estão providas de pelos e são responsáveis pela transferência das substâncias odoríferas coletadas no osmóforo para as patas posteriores, onde são depositadas, por capilaridade, no órgão tibial.

Essas substâncias odoríferas tornam-se mais importantes se considerarmos que permitem a flor "manobrar o inseto" quando em visita à mesma, uma vez que o efeito de "intoxicação" no ato da coleta destas substâncias deixa as abelhas como que "embriagadas", o que auxilia a fixação do polinário no animal com maior eficiência.
Além disso, o efeito de intoxicação impede que o animal irritado, após a fixação do polinário, venha tentar retirá-lo.
Cor - a atração visual pela cor geralmente é secundária, mas muito importante. Assim, flores vermelhas associadas com outras estratégias características, geralmente são polinizadas por pássaros ou borboletas. Um exemplo muito bom, que ocorre nestas flores, e a mimetização do polinário. Os pássaros não enxergam a cor azul e assim, as políneas do polinário tomam a tonalidade azul ou laranja, que no ultimo caso, geralmente, confundem-se com a cor do bico do pássaro. A vantagem destas cores e que o pássaro não tenta livrar-se do polinário, esfregando o bico, contra galhos e troncos, pois não possui o estímulo visual da cor.


Outras orquídeas possuem pigmentos que absorvem a luz ultravioleta e a reflete. Este comprimento de onda não e perceptível para o homem, mas para o inseto polinizador o é. Assim o inseto pode encontrar o nectário, pois os pigmentos aos seus olhos ficam brilhando e funcionam como guias de néctar.


Formato das Flores - conforme o tipo de polinizador e o seu hábito, as peças florais serão adaptadas a ele. No gênero Epidendrum para cada tipo de polinizador, teremos uma posição característica do labelo. Em algumas o labelo apresenta-se em posição horizontal, pois o seu polinizador é borboleta e no ato da coleta do néctar, precisa pousar no labelo, para obtê-lo. Em outras o labelo apresenta-se em posição vertical, o que caracteriza o tipo de polinizador. Esses são pássaros do tipo "beija-flor" (diurnos) ou, mariposas (noturnos), que não necessitam pousar no labelo para a coleta do néctar da flor. Algumas orquídeas possuem o labelo com o formato do inimigo natural de um determinado inseto, que no final acaba sendo atraído à flor. No ataque à flor, carreia, sem querer, o polinário ate outra flor da mesma espécie, que porventura venha a atacar. Outra estratégia de atração e a de imitar o aspecto das fêmeas de inseto. Em algumas orquídeas européias como Ophrys speculum, o labelo imita uma fêmea de vespa (Scolia ciliata). Uma semana antes das fêmeas saírem dos ninhos, Os machos já estão em atividade. Nessa mesma época as orquídeas desabrocham suas flores e soltam um odor igual ao odor sexual da fêmea desta vespa. O macho atraído, ao fazer o movimento característico da cópula desses insetos, sobre o labelo, tem os polinários fixados a sua cabeça. Nesse momento ao perceber que o labelo não é uma fêmea, abandona-o. A seguir será atraído à outra flor, depositará o polinário na cavidade estigmatífera dessa e, assim, terminará o ciclo de polinização.


Guia de néctar e odor - pela distribuição estratégica de maculas, ou estrias, pêlos e pigmentos nas peças florais, que absorvem e refletem a luz ultravioleta, a planta indica ao inseto, onde está localizado o nectário. No caso de odores, nota-se uma diferença gradual das áreas de produção destas substâncias o que serve para guiar a inseto ao sítio de maior desenvolvimento do osmóforo.

Nectários – os nectários podem ser de vários tipos. Em algumas orquídeas os sépalos laterais soldam-se e o formam. Em outras os pétalos, ou mesmo o labelo é quem se prolonga, formando-os. Em Galeandra a base do labelo uma estrutura em forma de calcar.
No gênero Epidendrum o nectário é do tipo tubular ou cunículo e encontra-se inserido no receptáculo.


Outras recompensas de alimento - são os pêlos comestíveis, calosidades e pseudopólens. Assim sendo, no momento que o animal visite a flor, na procura desses alimentos, dará inicio ao ciclo de polinização, pois terá fixado, ao dorso, cabeça, ou outra parte do corpo, dependendo da espécie, o polinário e, ao visitar outra flor, quase que infalivelmente vai ocorrer à polinização.


O conjunto das estratégias de atração e mecanismos de polinização constitui juntas as síndromes de polinização, como se segue.



Tipos de síndromes de polinização nas orquídeas


POLINIZADORES
X
SÍNDROMES FLORAIS




Abelhas e vespas
Odor diurno, forte; cor violeta, azul, verde e amarelo; labelo geralmente em posição horizontal; guias de néctar, calosidade e pêlos presentes; nectário tubular presente ou não, néctar abundante ou ausente.


Borboletas
Odor diurno, suave; cor vermelha, amarela, verde e laranja; labelo em posição horizontal; guias de néctar e calosidades presentes, néctar abundante produzido em nectário tubular, calcar, etc.


Mariposas
Odor noturno, forte; cor branca, creme e verde; labelo em posição vertical; guias de néctar coloridos ausentes, calosidades presentes; néctar abundante produzido em nectário tubular, calcar etc.
Moscas
(Sapromiofilia)
Odor diurno ou noturno, putrescente; cor verde, purpúrea e marrom; labelo em posição vertical muito flexível; guias de néctar ausente; pêlos alimentícios presentes.

Moscas
(Miofilia)
Odor diurno ou noturno, agradável; cores variadas; labelo com posição vertical, flexível ou não; guia de néctar presente ou não; néctar abundante produzido na superfície do tabelo ou em calcar; pêlos alimentícios presentes ou não.


Pássaros
Odor ausente; cores vivas, como vermelho, laranja etc.; Ia belo em posição (beija-flor) vertical; guia de néctar ausente; néctar abundante, produzido em nectário tubular ou calcar.

Alguns mecanismos de polinização - no gênero Catasetum o polinário encontra-se alojado na antera com o estípite dobrado. O rostelo com auxilio das antenas mantém a antera alojada no clinândrio; quando a flor amadurece e um inseto que esteja coletando odores esbarra em suas antenas, a antera é liberada, o estípite desdobra-se e, nesse movimento, o polinário é arremessado no dorso do inseto.
Em Stanhopea um dos mecanismos de polinização é o de "queda". Assim a abelha Euglossinae após esfregar as patas dianteiras nos osmóforos, se solta do mesmo e pela ação de gravidade é deslocada para baixo, esbarra no viscidium e, tem o polinário fixado no abdômen ou ao tórax (escutelo).
Nas Cattleya a flor é do tipo tubiforme, pois os lobos laterais do labelo geralmente abraçam a coluna. Ao visitar suas flores o animal pousa no labelo, que se desloca ligeiramente para baixo, e forçando a passagem chega até o local, onde coleta os odores. Ao sair da flor, o inseto novamente força o caminho, quando então roça o dorso do tórax no rostelo, impregnando-se de uma substância viscosa aí produzida; a seguir o caudículo com a polínea se fixa em seu dorso, e quando outra flor for visitada ocorrerá à polinização.

Em muitas espécies do gênero Encyclia, quando o polinizador em visita à flor pousa no lobo apical do labelo exerce peso no mesmo, esse se abaixa e os lobos laterais entram para o lado interno das aurículas da coluna, permitindo assim que o animal penetre na flor. Para sair dessa flor o animal terá de recuar pelo mesmo local de entrada e com isso esbarrará o dorso ou a cabeça no polinário, que se fixará nele.

Ladrões de néctar e odor - nem todo animal que visita uma flor de orquídea é o seu real polinizador. Assim temos de estar atentos para realmente determinar quem o é. Podemos observar abelhas pássaros, etc., visitando flores sem carrearem polinários e, dependendo do que a flor ofereça como recompensa de "alimento" os denominamos de ladrões de néctar ou odor.

História, fitogeografia e a origem da biodiversidade na região amazônica por Pedro Ivo Soares Braga




A Floresta de Terra Firme, com os seus inúmeros subtipos, fisionomicamente única, em imagens espaciais e com padrões de distribuição geográfica comuns a várias espécies, não é florística e estruturalmente homogênea, o que definem Subprovíncias Fitogeográficas distintas. Assim, existem grandes diferenças entre a composição florística da Amazônia Oriental e Ocidental e o norte e o sul da região, que têm como divisores os rios Solimões e Amazonas.
Algumas espécies têm ampla distribuição neotropical, da Amazônia à América Central, ou ainda em toda a América do Sul tropical. Poucas espécies têm distribuição disjunta na Amazônia e Mata Atlântica. A maioria das espécies ocorre apenas na região amazônica. Algumas áreas, como a região de Manaus, apresentam grande número de gêneros e espécies endêmicas, como Micrandropsis W. Rodr. (Euforbiáceas), Williamodendron Kubitzki (Lauráceas) e Kerianthera Kirkbride (Rubiáceas). Para se ter uma idéia da riqueza de espécies na região de Manaus, recentemente quando da elaboração da Flora da Reserva Ducke (Reserva Florestal do INPA, localizada próxima de Manaus, que compreende uma área total de 100 km2) foram citadas para aquela reserva florestal, cerca de 1200 espécies de plantas vasculares em 5 Km2 estudados (somente 5% da Reserva).
Em relação às orquídeas que aí ocorrem, cerca de 91 gêneros são neotropicais, sete pantropicais e apenas um é subtropical. São poucos os gêneros que — como Orleanesia, Duckeela e Xerorchis — têm seu centro de distribuição na bacia amazônica, cuja flora deve ter sido amplamente derivada de outras regiões. A área atualmente ocupada pelas várias espécies está intimamente ligada aos limites de sua adaptabilidade climática e aos meios de expansão disponíveis. Por isso, para entender a distribuição atual das orquídeas é necessário conhecer um pouco da história geográfica da região.
A hiléia amazônica constitui uma das biotas mais complexas e de maior biodiversidade do mundo. Para que se possa entender a origem das disjunções, na distribuição atual de suas espécies faz-se necessárias algumas observações sobre a história geográfica da região, uma vez que a área atualmente ocupada por elas está intimamente ligada aos limites de sua adaptabilidade climática e aos meios de expansão disponíveis.
A formação da bacia amazônica começou há mais de dois bilhões de anos, quando África e América do Sul ainda formavam um único Continente. A depressão que corresponde à bacia amazônica começou a se originar numa zona fraca do escudo Pré-cambriano, do qual são testemunhos hoje os Escudo Brasileiro no Brasil Central ao sul e o Escudo das Guianas ao norte da Amazônia. No Paleozóico achava-se coberta pelo mar, configurando um golfo aberto para o pacífico e estando a América ligada à África, conseqüentemente, muito sedimento foi aí depositado perfazendo um total de 3000 m de profundidade e aflorando em alguns pontos. Durante o Carbonífero houve regressão marinha, e no Mesozóico a baixada amazônica era uma terra imersa. Os rios que drenavam essa terra fluíam para o Pacífico. Entre o Jurássico e Triássico ocorreu à separação da América do Sul e da África. No Terciário finalmente começou o soerguer-se os Andes, bloqueando o escoamento do sistema fluvial amazônico para o Pacífico. As massas líquidas ficaram represadas e toda a depressão amazônica transformou-se em “paisagem aquosa”, ocorrendo a colmatação de toda baixada amazônica. Por fim as águas acabaram fluindo para leste, desaguando no Oceano Atlântico. O Solo sedimentar, gerado na água, ficou a seco, cobrindo-se com a precursora da floresta amazônica atual.
Deixando de lado a separação entre os continentes americano e africano, três disjunções perceptíveis afetaram a distribuição nas América do Sul e Central. Na figura que se segue, mostra-se essas disjunções e as prováveis vias de migração da família Orchidaceae no Brasil. Esse padrão de distribuição é seguido por muitas das Magnoliófitas, que ocorrem na região amazônica.
DisjuDisjunções intercontinentais na América do Sul e prováveis vias de migração das orquídeas no Brasil.


Na era terciária quando, provavelmente, as Magnoliófitas e as orquídeas penetraram na região, as bacias do Amazonas e do Paraguai, por serem formadas por terras baixas, estavam praticamente cobertas por grandes extensões de água doce ou salgada. Isso provocou forte disjunção, que separou uma região ao noroeste - toda a América Central e a região andina, desde o oeste da Venezuela até a Bolívia, incluindo os contrafortes cisandinos - e outra ao sudeste, pelo espaço dos atuais Estados brasileiros de Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Relevo da bacia amazônica. A - Acima de 500 m. B - De 200-500 m. C - De 0-200 m. D - Subprovíncias Fitogeográficas que ocorrem na região amazônica.
Uma disjunção secundária separou, dentro da região noroeste, a maior parte da zona andina, situada ao sul, e a atual América Central, ao norte. A linha de separação atravessava o mar das Caraíbas, deixando as Pequenas Antilhas como parte da América do Sul e as Grandes Antilhas, até as ilhas Virgens, integradas à América Central. É difícil saber o local e o tempo geológico exatos em que surgiu ou desapareceu a zona de separação, uma vez que foram várias as interrupções da continuidade continental na América Central e na zona do Caribe, em épocas e regiões diferentes.
Uma terceira disjunção separou a América Central (até o sul do México) e as Grandes Antilhas. De novo, torna-se difícil fixar o período geológico em que se deram as separações, porque outras ocorreram em épocas diversas. Uma das causas desses processos geológicos foi a flutuação do nível dos oceanos durante o pleistoceno. Nesse período, desapareceram as duas primeiras disjunções mencionadas acima. Surgiu, assim, a possibilidade de regiões antes disjuntas intercambiarem elementos, o que só foi possível neste último milhão de anos.
Por outro lado, há fortes evidências de que a história da vegetação amazônica também foi extremamente influenciada por alterações climáticas do passado, quando períodos muitos secos acompanharam as glaciações pleistocênicas.
Nessa época, ou seja, do plioceno superior para o pleistoceno, após a fase principal de soerguimento dos Andes, as bruscas mudanças dos mosaicos climáticos e ecológicos provocaram alterações na distribuição de floras, a intervalos relativamente curtos do ponto de vista do tempo geológico. Essas evidências foram denominadas de Teoria dos Refúgios, que supõe que durante o Quaternário, em períodos glaciais mais secos e frios, a floresta amazônica foi drasticamente fragmentada, formando refúgios em áreas de maior pluviosidade, envoltas por um mosaico de vegetações não florestais, com predominância das Savanas. Assim, numa mesma região sucederam-se os complexos de distribuição vegetal diretamente associados às condições ambientais, que eram úmidas e quentes nas fases interglaciais e secas e frias nas fases glaciais.
Terminadas as glaciações, com o aumento da umidade do ar, foi possível às ilhas de vegetação, até então disjuntas, expandirem-se, ocupando os diversos ecossistemas da região e diferenciando-se neles. Ou seja, novamente fizeram-se presentes condições propícias à hibridação e à divergência, tendo como conseqüência, o aumento da diversidade biológica, pelas novas espécies originadas no processo de isolamento permitindo assim, a formação do complexo florestal amazônico.
Se isso ocorreu diversas vezes, os refúgios estariam localizados em áreas com grande número de espécies endêmicas. Por outro lado as áreas não florestais, colonizadas durante a expansão da floresta por espécies oriundas dos refúgios seriam formadas por espécies de regiões distintas.
A descrição acima já foi parcialmente comprovada por trabalhos multidisciplinares de palinologia (parte da botânica que estuda o pólen) que proporcionaram informações sobre a variação entre períodos úmidos e secos no Plioceno superior e em toda a era Quaternária. Mesmo assim, deve-se destacar que, recentemente, foram levantadas críticas aos critérios utilizados para a escolha das áreas de refúgio, urna vez que estes se basearam, na maioria das vezes, na atual distribuição das espécies. Argumentou-se que seria mais apropriado chamá-los “centros de endemismo ou centros de diversidade específica”. Fatores paleoecológicos examinados revelaram uma diferenciação limitada ao nível de subespécies geográficas, colocando em xeque o fundamento da maioria das teorias e controvérsias sobre os Refúgios Florestais do Quaternário na região neotropical, uma vez que não teria havido especiação em massa. Embora as críticas tenham procedência, torna-se premente a ampliação desses estudos, no que se refere tanto aos vegetais como aos animais, pois os primeiros e os segundos podem ter tido padrões diversos de diferenciação. Não parece indicado, portanto, relegar a Teoria dos Refúgios a um plano secundário. Assim, embora a identificação de refúgios possa trazer dados valiosos sobre a evolução de sua flora (auxiliando o planejamento de futuras reservas florestais), deve-se levar em conta o fato de que toda a história geológica e climatológica da região teve decisiva influência na sua biogeografia e qualquer análise desse tipo deve atentar para essa particularidade.
Retornemos às orquídeas. Suas sementes, muito pequenas, podem ser transportadas pelos ventos ou pela água de uma parte para outra, em qualquer época, a despeito da existência de barreiras fitogeográficas. É preciso levar em conta, no entanto, que tais sementes não têm endospermas e, de modo geral, seu período fértil é relativamente curto, o que limita a dispersão da família. Mesmo assim, podemos inferir dados valiosos acerca da diversificação evolutiva que se seguiu ao processo de dispersão.
As áreas de "refúgio florestal" (centros de endemismo ou de diversidade específica) abrigam, nas diversas subprovíncias, grande número de campinas que funcionam como ilhas de vegetação não florestal. Assim como as florestas de várzea e de igapó, elas são muito mais ricas em espécies, número de indivíduos e biomassa de orquídeas, que os demais tipos de vegetação. Observamos recentemente que, das cerca de 700 espécies de orquídeas encontradiças na região, a maioria ocorre em campinas, o que reforça a importância dessas áreas para a família. Como até o presente não existem outros dados disponíveis para explicar a distribuição de orquídeas na região utilizamos esses para explicá-la.
Há elevada correlação entre as orquídeas de campina e as regiões geomorfológicas, pois as subprovíncias fitogeográficas V e IV B possuem uma extensa área do terciário e do quaternário, onde está compreendida grande parte das campinas da Amazônia e ocorre o maior número de espécies dessas plantas.
No caso das orquídeas de campina, as subprovíncias V e IV B são os maiores centros de endemismo da Amazônia brasileira. A primeira, que apresenta o maior número de orquídeas, tem clima superúmido, sem estação seca, com mais de 2.500 mm de precipitação anual. A subprovíncia IV B, segunda em número de orquídeas, caracteriza-se pelo clima superúmido com subseca (período seco inferior a um mês), e úmido com um a dois meses secos; a precipitação anual supera sempre os 2.000 mm. A subprovíncia I, a terceira em número de orquídeas, tem clima úmido com apenas um a dois meses secos, e úmido com três meses secos; a precipitação varia entre 1.750 e 3.250 mm. As subprovíncias II e III têm clima úmido com três meses secos, com precipitação anual entre 1.750 e 2.500 mm, e semi-úmido com quatro a cinco meses secos, com 1.750 mm anuais de precipitação As demais subprovíncias, de clima variado, são pobres em orquídeas.
Diferenciações Climáticas na Amazônica brasileira. A - Isoietas anuais. B - Subprovíncias Fitogeográficas que ocorrem na região amazônica. 1-4 - Clima Quente Equatorial. 5 - Clima Quente Tropical. 1 - Super úmido, sem estação seca. 2 - Super úmido com subseca (inferior a 1 mês). 3 - Úmido com 1 a 2 meses secos. 4 - Úmido com 3 meses secos. 5 - Semi-úmido, com 4 a 5 meses secos.

A interpretação acima tem suas limitações, pois só leva em conta o tipo de vegetação de Campina. Nas altas montanhas de Roraima e nas matas de galeria e ciliares que cortam o lavrado existem um grande número de orquídeas. Poucas são as orquídeas endêmicas às campinas, o que se explica, em parte, pela dispersão de sementes promovida pelo vento. Enquanto as ilhas oceânicas e os arquipélagos caracterizam-se pelo isolamento, em áreas continentais as barreiras que impedem a dispersão dos organismos são menos claramente definíveis. A ocorrência de faixas de contato entre os tipos de vegetação é freqüente, o que permite a mesclagem de seus componentes.
Outros fatores e modos de adaptação condicionam a distribuição espacial das orquídeas em geral, provocando a existência de um gradiente microclimático vertical no interior dos ecossistemas vegetacionais. Ali, a intensidade luminosa, a temperatura e a circulação do ar geralmente aumentam no sentido solo-dossel. Tampouco esse fator é constante, variando de um lugar para outro em função da estratificação irregular das árvores e das diferenças na densidade das copas. A interceptação da chuva também varia diretamente com a densidade das copas, dependendo ainda, como é óbvio, do total de precipitação.
O elevado grau de afinidade florística entre as orquídeas do escudo das Guianas e as das campinas da Amazônia brasileira reforça a idéia de que derivaram do escudo e sugere a ocorrência de uma conexão no passado. As orquídeas de campina e as demais, que penetraram na Amazônia brasileira, oriundas do escudo das Guianas ou da América Central, seguiram duas rotas principais de migração: uma que cruza a bacia amazônica e percorre o litoral, ao longo do Atlântico, através de ecossistemas semelhantes à campina, como a vegetação de restinga e a mata de tabuleiro, ambas em solo de areia branca; a outra foi através do Brasil Central, onde também é grande a ocorrência de vegetação não florestal — o cerrado brasileiro.
Vias de migração de orquídeas. Cerca de 70% oriundas do Escudo das Guianas.



Vias de migração de orquídeas. Cerca de 30% oriundas da América Central, via bacia amazônica.

Vias de migração de orquídeas. Cerca de 20% oriundas da América Central Brasil central.

É importante notar que as espécies que ocorrem no igapó, na vegetação serrana baixa, na várzea e no campo de terra firme são as mesmas, que ocorrem na campina aberta e sombreada, e as que ocorrem na floresta de terra firme são igualmente características da campina alta.As vegetações de igapó e serrana baixa também têm muita importância no quadro passado e atual de distribuição de orquídeas, pois ambas, em termos de história geológica, constituem ecossistemas relativamente estáveis. O igapó tem maior importância como via de migração e a vegetação serrana baixa, como centro de evolução e dispersão das orquídeas da Amazônia brasileira.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tipologias Vegetacionais na Amazônia Brasileira por Pedro Ivo Soares Braga 2

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ÁREA FLORESTAL


FLORESTA DE TERRA FIRME
(3.303.000 km2)


Cobre aproximadamente 90% da Amazônia brasileira. Área não inteiramente contínua, podendo ser interrompida por vegetação não arbórea. Fisionomicamente apresenta uma paisagem muito uniforme. Estudada em detalhes, mostra constante variação em relação à composição botânica. Num mesmo local ocorrem considerável variações devidas às condições do meio ambiente, da diversificação do solo rico ou pobre, profundidade, drenagem, areação e disponibilidade de água superficial ou profunda. Esta diferenciação fica então patente entre áreas distanciadas entre si. Outras características são as grandes misturas de espécies por unidade de área, sem uma nítida predominância de uma ou algumas delas ao número de indivíduos ou quanto à biomassa. O fenômeno de raridade ou de abundância de espécie também se faz presente. As espécies consideradas raras podem possuir uma distribuição muito ampla. Entretanto, existem espécies raras, endêmicas de uma determinada área.
Características Suplementares.
- Presença de raízes expostas, tabulares provavelmente condicionadas pela grande quantidade de alumínio no solo, que inibe um crescimento profundo das raízes.

- Formas irregulares de caules sulcados, retorcidos, enrugados, fendidos, escandentes, epífitos e estranguladores.

- Associação de plantas com formigas em conformações anatômicas especiais das plantas, que servem de casa para formigas (Mirmecódios).

- Maneiras de reprodução e restauração; plantas que florescem uma única vez e morrem; plantas que germinam e crescem abundantemente à sombra da floresta; árvores que só crescem nas clareiras abertas.

- Vegetação portentosa, geralmente repousada sobre solos muito pobres em nutrientes, o que torna muito importante à conservação dos elementos nutritivos, evitando a sua lavagem.
SUBDIVISÃO DA FLORESTA DE TERRA FIRME


Matas densas /Floresta Ombrófila Densa
(3.063.000 km2
)

Com grande biomassa; limpar por baixo, desprovidas de emaranhados de cipó no solo e nos troncos das árvores; escuras, ocorrência de espécies adaptada abaixo valores iluminação; cobre grande parte de região amazônica, ocorrem epífitas e os cipós sobem diretamente para as copas onde se esparramam. As orquídeas ocorrem nelas em sua maioria nos altos galhos das árvores em forófitos como Chrysophyllum pomiferum, a Abiurana e o Chrysophyllum sanguinolentum, o Amapari aonde existem maior penetração de luz. Entre as orquídeas que aí ocorrem citamos: Sobralia fimbriata, S. fragrans, Acaccallis fimbriata, Octomeria brevifolia, O. amazonica, Pleurothallis breviscapa, P. nanifolia, P. polygonoides, P. spiculifera, Driadella osmariniana, Maxillaria amazonica, M. desvauxiana, M. parkeri, M. perparva, M. robusta, M. rufescens, M. tarumaensis, M. tenuis, M. xylobiflora, Trigonidium acuminatum, T. obtusum, Ornithidium parviflorum, Polystachya estrellensis, P. stenophylla, Reichenbachanthus reflexus, Scaphygottis amazonica, S. huebneri, S. sickii, Batemania colleyi, Rudolfiella aurantiaca, Oncidium lanceanum, Paphinia cristata, P. grandiflora. Nas áreas de baixio, próximo a igarapés encontramos, Braehmia vittata, Coryanthes albertinae, entre muitas outras, pois dependendo da região da Amazônia teremos espécies típicas.



Matas de cipó/Floresta Ombrófila Aberta
(100.000 km2)

Biomassa mediana; submatas obstruídas por cipós que sobem troncos, enrolam-se e pendem dos galhos; maior penetração de luz que na floresta densa, eventuais formações de bambu no sub-bosque; pobres em epífitas. Árvores medianas, podendo ocorrer emergentes. Não rara, a associação Bacaçu-Castanha do Pará. Ocorrem em extensíssima região entre Cametá (rio Tocantins) e Altamira (rio Xingu). Predomina fortemente na bacia do Itacaiúnas, ocorre em forma de ilhas ao longo da transamazônica desde Cametá até Altamira, perdendo importância, entretanto, até Itaituba, no rio. Tapajós. Nas castanheiras são encontradas diversas orquídeas como Sobralia spp., Schomburgkia gloriosa, Catasetum saccatum, C. gnomus, C. tigrinum, Mormodes spp, Oncidium baueri, O, lanceanum, entre outras inúmeras microorquídeas.




Matas abertas de bambu/Floresta Ombrófila Aberta
(85.000 km2
)

Biomassa mediana, árvores espaçadas, de baixa á razoável penetração de luz. Submata com bambus dispersos em colmos isolados, lançando brotos até 15m de altura. A partir daí começa uma ramificação profusa. As plantas com ramos bem desenvolvidos enlaçam-se nas árvores circunvizinhas, tomando um hábito quase escandente, podendo alcançar até 30m de altura (Guadua superba Huber).
Em locais de maior incidência de luz, como nas margens de igarapés, clareiras e estradas de seringais, pode ocorrer um adensamento desta formação e o surgimento de touceiras.
O gênero Bambusa com os dois subgêneros Guadua e Merostachys é o dominante na área. A área de ocorrência desta formação está localizada nos Territórios do Acre, Rondônia e sudeste do Estado do Amazonas, sendo que o subgênero Guadua ocorre nas comunidades das terras baixas de arenito terciário, e a Merostachys e Guadua, no arenito dobrado do Cretáceo (Serra do Divisor) e esparsamente na Floresta submontana. Nos seringais normalmente encontra-se grandes touceiras da Schomburkia gloriosa, que parece estar associada com a árvore Hevea brasiliensis a Seringueira. Nas castanheiras encomtram-se Octomeria robusta, Maxillaria camaridii, M. ochroleuca, Trigonidium obtusum, T. tenue, Catasetum, gnomus, C. saccatum, entre muitas outras.




Matas de encosta/Floresta de Encosta
(10.000 km2)

Biomassa modesta, porte reduzido, com boa penetração de luz, e de composição botânica diferente, causada pelo aumento da altitude e diversificação de ambientes ecológicos criados pelo relevo, com grotões, escarpas, rochedos, etc. Nas elevações de constituição arenítica, a vegetação é incomparavelmente mais rica do que nos solos graníticos. Há sempre muito maior número de endemismos. Ocorrem nas elevações dos bordos do vale amazônico. Em Pacaraima, no Estado de Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, é onde se encontram as ornamentais Cattleya jenmanii e C. lawrenceana, entre muitas outras microorquídeas.



Campinas Altas e Sombreadas/Campinaranas
(30.000 km2)

Biomassa alta, penetração de luz razoável. Também denominada de Caatinga alta e Campinarana. Não podem ser confundidas com as caatingas do Nordeste, onde as plantas são caducifólias. Tudo indica que constituem um estágio de evolução das Campinas baixas, sem necessariamente estas últimas alcancem como estágio final a Campina alta. Contêm muitas espécies endêmicas, capazes de viver em solo de areia pura e lavada (areia quartzosa e podzol hidromórfico). São ricas em epífitas e, tanto no solo como nas árvores, encontramos em abundância as Himenofiláceas e as Briófitas, entre outras. No alto rio Negro ocupam grandes áreas, o solo é impraticável para agricultura, e pelo seu grande grau de endemismo, deveriam ser protegidas por lei para evitar a lixiviação destas áreas e a extinção das plantas restritas a esse biótopo. Na Amazônia Central, aparecem em forma de ilhas, ocupando áreas pequenas. Nelas ocorrem grandes concentrações de orquídeas como as ornamentais Cattleya eldorado, com inúmeras variedades e formas, C. violacea, e outras como Sobralia liliastrum, S. macrophylla, Pleurothallis kerii, Epidendrum compressum, E. esculptum, E. estrobilliferum, Neolehmania pabstii, Maxillaria camaridii, M. pendens, M. rudolfii, M. tenuis, M. xylobiflora, Braehmia fragrans, Braehmia vespa, Caularthron bicornutum, Brassavola martiana, Scuticaria steelii, entre muitas outras.



Matas secas/Floresta Estacional
(15.000 km2)

Biomassa de mediana até medíocre, razoável penetração de luz; cipós presentes, mas não abundantes como nas matas de cipós e, em geral, finos. Em certa parte do ano, há uma tendência de as árvores perderem as folhas.

Essas matas constituem uma transição da vegetação amazônica para as do Brasil Central e os campos, que bordejam o vale amazônico, ao norte. É comum na faixa de transição que se situa entre o Araguaia e a floresta densa propriamente dita. Sua área não é de grande expressão. Em Mato Grosso, ela tem menor importância porque a transição entre cerrado e mata densa dá-se de maneira mais brusca. Essa é a mata, hoje sob o impacto de grandes devastações para transformá-la em campo de pastagens, etc. e que, eventualmente, podia ser ampliada no sentido da floresta densa, em conseqüência da eventual quebra do equilíbrio hídrico resultante do corte dessa floresta. Aí encontramos a Cattleya nobilior na região da Chapada dos Guimarães e no sul da Amazônia brasileira na região do rio Araguaia e a C. violacea ao norte.


Floresta de Várzea/Floresta Ombrófila Densa Aluvial e das Terras Baixas
(55.000 km2)

Biomassa mediana, muito ou pouco iluminada, bastante limpa por baixo. As raízes tabulares são comuns, como também certas raízes pneumatóforas ou respiratórias. O seu porte é bem menos expressivo que a floresta de terra firme. As madeiras em regra são mais moles do que as de terra firme. Quanto à composição botânica, diferem bastante da de terra firme.
Situadas nas planícies de alagação, uma região, que sofre influência da flutuação do nível dos rios, nos períodos de cheia e vazante. Como regra, o lençol de águas subterrâneas é muito superficial. Nos altos rios, as cheias duram meses e são causadas unicamente pelas chuvas. No baixo Amazonas, o efeito das chuvas soma-se com o das marés. Nos estuários, onde a boca dos rios é larga e o efeito da chuva é negligenciável, a alagação é causada principalmente pelas marés.
A floresta de várzea torna-se mais exuberante nos trechos superiores do grande rio Amazonas (Solimões). No baixo Amazonas, ela luta com certa dificuldade. Torna-se mais vigorosa do rio Tapajós, ao rio Trombetas e, principalmente, nos limites Pará-Amazonas. Acima de Parintins, ao receber aluviões do rio Madeira seu porte torna-se mais expressivo com o aparecimento de vegetais de grande porte como Muiratinga, Cachinguba, e Cana-de-Flecha, Gramínea robusta, dos aluviões marginais.
Nos trechos em formação, são muito comuns as Imbaúbas. Junto às margens aparecem formações de Oeirana.
No baixo rio Amazonas, principalmente entre Oriximiná, Alenquer, Santarém e Monte Alegre, as várzeas tornam-se muito típicas ao associarem-se com os campos de várzeas. Aqui, as florestas se estreitam em pestanas que ladeiam os Cursos d’água, enquanto que mais para dentro, no interior, aparecem amplas extensões ocupadas pelos campos de Gramíneas robustas conhecidas por Canaranas. No interior desses capinzais, existem lagos variáveis em tamanho que se conservam ligados ao rio principal e aumentam muito o tamanho das enchentes. Nas vazantes, o capinzal toma conta das terras cedidas pelas águas do lago.
A floresta de várzea situa-se nos terrenos mais elevados, juntos aos rios, onde há o depósito das partículas mais grossas, suspensas nas águas que transbordam. O campo é geralmente mais baixo, encharcado e distanciado do rio.
No estuário, não existem os campos de Canaranas e a paisagem se torna fortemente influenciada pela abundância de palmeiras.
As várzeas do estuário, que ocupam uma área muito grande, apresentam uma cobertura muito mais ampla de vegetação florestal. Nas altas árvores principalmente na calha do rio Amazonas e próximo a Tabatinga encontramos a Cattleya luteola. Nas áreas mais sombrias encontramos Gongora quinquenervis, Rodriguezia leeana, R. lanceolata, Stanhopea grandiflora, Algumas como Oncidium cebolleta, Oncidium baueri, Oncidium lanceanum, Brassia caudata, Brassia lanceana, ocorrem nas áreas mais iluminadas.




Floresta de igapó/Floresta Ombrófila Aberta Aluvial e das Terras Baixas
(15.000 Km2)

Relativamente pobre em biomassa, vegetação muito especializada, com pouca diversidade específica e em algumas áreas ricas em endemismos. A iluminação é difusa e é muito comum a presença de raízes expostas, raízes suportes e raízes respiratórias. Epífitas ocorrem em grande número.
Essa é uma vegetação que varia muito na estrutura e condições, podendo apresentar uma infinidade de variantes.
Em relação ao ecossistema, são biologicamente muito mais ricos em associações e inter-relações entre plantas e animais. Há uma grande variação de situações biológicas particulares, microclimáticas e, conseqüentemente, um maior número de adaptações ecológicas.
O termo é empregado para designar áreas muito encharcadas, com alagação permanente ou não, águas paradas ou quase paradas. Estas áreas normalmente estão localizadas por trás dos campos de várzeas, já perto da terra firme. Como suas águas são paradas, os sedimentos são precipitados, tornam-se transparentes, mesmo que conservem a cor escura. A acidez em geral e alta. Nos rios desprovidos de sedimentos, como o rio Negro, também pode aparecer um igapó. Nesse caso, contrariamente o que acontece nos rios de águas barrentas, as áreas mais próximas do leito do rio são baixas. O encharcamento vai diminuindo à medida que se aproxima da terra firme. Quando as enchentes chegam, fica tudo alagado, quando as águas baixam, aparecem extensas praias de areia branca.
Igapós ocorrem também em locais que dão nascimento a rios e igarapés. Entre as orquídeas que aí vivem citamos a Acaccallis cyanea, Galeandra devoniana, G. dives, G. lacustris, G. stangeana, Cattleya violacea, X Cattleya brymeriana, Catasetum gnomus, C. pileatum, Coryanthes macrantha, Bollea hemixantha, Zygosepalum labiosum, Z. lindenia. Na região do Brasil central no rio Araguaia ocorre a ornamental e estranhíssima Cattleya araguaiensis.

FLORESTA LITORÂNEA/MANGUEZAL OU SIRIUBAL
(1.000 km2)

Biomassa medíocre, vegetação muito uniforme sem grande interesse florístico, com grande penetração de luz e pobre de orquídeas e epífitas, em geral. Acompanha toda a costa não só da Amazônia como de todo o Brasil. Na região do estuário, sobe o baixo curso dos rios podendo, em alguns casos, alcançar centenas de quilômetros, já em água doce. Nos locais onde o mangue vermelho é substituído pela Siriúba, deixamos de chamá-lo de manguezal e o denominamos Siriubal. Essa tipologia vegetacional é pobre da ocorrência de epífitas em geral.



ÁREA NÃO FLORESTAL

CAMPO DE TERRA FIRME OU SAVANA
(150.000 km2
)

Biomassa medíocre a mediana, iluminação excessiva, espaço entre plantas lenhosas preenchido por capins e plantas rasteiras.
Como caráter geral, dispõe sempre de uma vegetação conspícua de Gramíneas e Ciperáceas enchendo o espaço livre entre as plantas lenhosas e sujeitas ao fogo, que atua como elemento perturbador do sistema. Nos lugares onde ocorre uma diminuição ou desaparecimento da vegetação lenhosa é denominada campo.
Fisionomicamente assemelha-se ao campo Cerrado do Brasil Central. No entanto, em cada região da Amazônia, apresenta-se com individualidade própria possuindo um conjunto de espécies endêmicas e, ao contrario do Brasil Central, suas espécies estão adaptadas para dispersarem as diásporas à grande distância. São, às vezes, pobres em espécies e sem grande interesse como os campos do Amapá, outras vezes muito ricos e extremamente interessantes como os campos do rio Cururu (afluente do rio Tapajós), que se ligam aos campos da serra do Cachimbo.
Estes campos também ocorrem nos rios Trombetas-Cuminá, sendo calculados 40 a 50 mil quilômetros quadrados: Os campos do Madeira são pequenos e de formas irregulares, com 7 manchas maiores espalhadas entre Humaitá e o rio Curuquetê, perfazendo uma área de 3.416 km2. Em Roraima, ocupa vastíssima região e é denominado de Lavrado.



VEGETAÇÃO SERRANA BAIXA/RELÍQUIA
(26.000 km2)

Biomassa medíocre, fisionomia variável, penetração de luz excessiva, ventos e nevoeiros freqüentes.
Botanicamente, a flora desta serras areníticas é muito peculiar preciosa. Uma grande variação de formas de vegetações são aí encontradas, explorando a diversidade ecológica do terreno.
Em geral, existe uma cobertura florestal ladeando as encostas até mais ou menos dois mil metros de altura. Nas partes mais altas, as formações de porte reduzido predominam.
Quanto à paisagem, lembram algo das Campinas, com muitas epífitas, recobrindo o solo e os galhos das árvores, principalmente constituídas de orquídeas, pteridófitas, musgos, liquens, bromélias, etc. Há certa tendência, nestas formações, para o aparecimento de plantas esclerofilas e de ramos tortuosos.
Encontrada principalmente no maciço das Guianas. Essa é uma região antiga onde existem serras consideravelmente altas, em especial as que são formadas por rochas areníticas próximas à divisa do Brasil com a Venezuela e com Guiana, como o Monte Roraima.
Dentre essas elevações, são encontrados os dois pontos mais altos do Brasil: Pico da Neblina e Pico 31 de Março. Algumas das plantas que ocorrem aí são: Drymis spp., Miconia spp., Didymopanax spp., Podocarpus spp., Compostas do grupo Mutisieae, Gramíneas Litráceas, Eriocauláceas e Palmeiras.


CAMPINAS ABERTAS/CAMPINARANA
(34.000 km2
)

Biomassa medíocre, iluminação excessiva, vegetação raquítica com escleromorfismo acentuado, que aparece espalhada por toda a região de floresta de terra firme, em manchas pequenas ou pelo menos, nunca muito extensa. O solo sempre extremamente arenoso e lavado (Podzol hidromórfico ou areias quartzosas). Fisionomicamente, no que concerne à paisagem, muito se assemelha às restingas litorâneas, embora de composição e origem totalmente diferentes. No geral, em cada região, elas apresentam um número muito grande de epífitas e endemismos muito particulares que, às vezes, tem área de dispersão muito restrita.
Em certos trechos, onde o lençol freático é muito superficial, ou há dificuldades de drenagem, podem aparecer extensões de vegetação herbácea sobre o solo de areia pura e ácida.
Além da grade quantidade de plantas epífitas, principalmente orquídeas, com valor ornamental, muitos dos seus gêneros são característicos de vegetações não florestais, com centro de distribuição fora da Amazônia.
Essas áreas têm sofrido um processo contínuo de destruição e após a derrubada não ocorre o processo de regeneração da vegetação primitiva, sendo esta substituída por espécies típicas de capoeira. Baseando no acima exposto, seria atualmente recomendável que se preservassem várias áreas onde ocorre esse tipo vegetacional, evitando assim, que este patrimônio da vegetação amazônica fosse eliminado de sua paisagem. Nela ocorrem muitas orquídeas entre elas citamos: Psilochilus modestus, Triphora amazonica, Xerorchis amazonica, Epidendrum huebneri, Orleanesia amazonica, O. yauaperensis, Epidendrum magnicalosum, Epidendrum nocturnum, Encyclia amicta, E. mapuera, Nanodes discolor, Neolehmannia latilabris, Octomeria erosilabia, O. lancipetala, Bifrenaria longicornis, X Brassocattleya rubyii, Bulbophyllum setigerum, Polystachya stenopphylla, Campylocentrum amazonicum, C. robustum, Catasetum barbatum, Catasetum discolor, Catasetum tigrinum, Dichaea pendula, D. rendlei, D. tenuis, Duckella adolphii, Elleanthus caravata, Maxillaria discolor, M. grobyoides, M. pauciflora, M. superflua, M. uncata, M. villosa, M. violaceopunctata, Rodriguezia lanceolata, Trigonidium acuminatum, T. obtusum, entre outras.




VEGETAÇÃO DE RESTINGA LITORÂNEAS/RESTINGAS
(1.000 km2)


Biomassa medíocre, fisionomia uniforme, penetração de luz excessiva. Vegetação halófitas com arvores e arbustos baixos, de galhos tortuosos. É comum a ocorrência de suculência. Crescem em pequenas extensões nas praias costeiras e dunas do litoral do Pará, Amapá e Maranhão. Aqui ocorrem muitas orquídeas do gênero Epidendrum, entre elas citamos E. huebneri, Epidendrum ibanguense, E. imatophyllum, entre outras.



CAMPO DE VÁRZEA/COMUNIDADES ALUVIAIS
(15.000 km2
)

Biomassa medíocre, iluminação excessiva; constituído por uma definida predominância das Gramíneas, capins robustos ou Canaranas. As Ciperáceas e são de importância desprezível.
Está localizado em sedimentos recentes, limitado às áreas que estão sob influência de alagações procedentes de rios de águas barrentas. Os rios de águas limpas, ou seja, aqueles que não possuem sedimentos em suspensão, não fornecem condições para o aparecimento deste tipo de vegetação. Nessas áreas se encontram espécies de orquídeas do gênero Habenaria.



OUTROS TIPOS E SUPERFICIES DE ÁGUA
(100.000 km2)

Aqui se englobam as regiões de rios, lagos suas plantas aquáticas e etc.
Na represa de Curuaúna no Pará a orquídea Habenaria repens foi encontrada crescendo nos capins de Canaran a.

Tipologias Vegetacionais na Amazônia Brasileira por Pedro Ivo Soares Braga

·
Hiléia

A floresta tropical úmida que ocorre nessa região, denominada "Hiléia" por Humboldt e Bonpland, constitui uma província fitogeográfica bem individualizada, com fisionomia típica, grande biomassa, variação estrutural (relativa ao porte e aspecto da vegetação) e heterogeneidade de famílias, gêneros e espécies vegetais. Essas duas últimas características ressaltam quando se comparam regiões distantes entre si. Por província fitogeográfica entende-se uma região provida de, pelo menos, uma comunidade em clímax — aquela que já chegou ao seu ótimo de produção orgânica, é estável e mantém equilíbrio com o meio —, em que ocorram gêneros e espécies endêmicos. No caso de que tratamos, podem-se identificar sete subprovíncias.
Subprovíncias fitogeográficas e regiões geomorfológicas da região amazônica. (1) Costa Atlântica; (II) Jarí/Trombetas; (III) Xingu/Madeira; (IV) Roraima/Manaus: (a) Roraima; (b) Manaus; (V) Noroeste/Alto Rio Negro; (VI) Solimões/Amazônia Ocidental; (VII) Sudeste.

Entre as famílias de Magnoliófitas (=Angiospermas) que ocorrem no conjunto da região, cerca de 130 pertencem as Magnoliopsidas (=Dicotiledôneas) e 31 as Liliopsidas (=Monocotiledôneas). São poucas as famílias confinadas à Amazônia, entre as quais destacamos as Dialipetalantáceas, as Duckeodendráceas e as Rabdodendráceas, todas as três consideradas pequenas. Outras 13 famílias de Magnoliopsidas e cinco de Liliopsidas são neotropicais, e apenas algumas têm na região seu centro de distribuição (isso é, os gêneros e espécies nelas incluídos limitam-se à bacia amazônica).
A Floresta de Terra Firme, que já cobriu 90% da Amazônia brasileira tem tido sua área progressivamente reduzida em decorrência do processo de colonização. Ademais, ela não é inteiramente contínua, mas entremeada por mosaicos de vegetação, arbórea ou não, apresentando interrupções que estão intimamente relacionadas com a história geológica e climatológica da região. Podemos identificar ali diversos subtipos Florestais: Floresta Ombrófila Densa (cerca de 3.063 milhões de km2); Floresta de Cipó (100.000 km2); Floresta Aberta de Bambu ou de Palmeira (85.000 km2); Floresta de Encosta (10.000 km2); Campinarana dos subtipos Campina Sombreada e Alta (30.000 km2) e Floresta Estacional (15.000 km2). Além desses subtipos de Florestas de Terra Firme, existem a Floresta de Várzea (155.000 km2), Igapó (15.000 km2) e demais tipos de comunidades vegetacionais, como listados na Tabela que se segue.
Principais tipos vegetacionais da Amazônia brasileira (*)
AMAZÔNIA BRASILEIRA –3 700.000 Km2
ÁREA FLORESTAL – 3.374.000 Km2
Km2
FLORESTA DE TERRA FIRME (OMBRÓFILA DENSA, ABERTA, DE ENCOSTA, CAMPINARA – Alta e Sombreada, FLORESTA ESTACIONAL)
3.303.000
FLORESTA DE VÁRZEA E IGAPÓ (OMBRÓFILA DENSA ALUVIAL E DAS TERRAS BAIXAS; OMBRÓFILA ABERTA ALUVIAL E DAS TERRAS BAIXAS)
170.000
FLORESTA LITORÂNEA (MANGUEZAL)
1.000

ÁREA NÃO FLORESTAL – 326.000 Km2
Km2
VEGETAÇÃO DE CAMPO DE TERRA FIRME (SAVANA)
150.000
VEGETAÇÃO SERRANA BAIXA (RELÍQUIA)
26.000
VEGETAÇÃO DE CAMPINA ABERTA(CAMPINARANA)
34.000
VEGETAÇÃO DE RESTINGA LITORÂNEA(RESTINGAS)
1.000
VEGETAÇÃO DE CAMPO DE VÁRZEA (COMUNIDADES ALUVIAIS)
15.000
(*) Esses números apresentados são controversos uma vez que cada autor apresenta suas estimativas.
Essas formações vegetais não recobrem as áreas uniformemente, incluindo, em seu interior manchas dispersas, de outros tipos e as suas áreas de transição ou de contato. As manchas menores geralmente, têm formas irregulares e são dificilmente localizáveis em mapas; assim sendo, a floresta de terra firme, cobrindo amplas extensões, pode incluir todos os outros tipos acima mencionados.


A presente descrição trata apenas, da Amazônia Fitogeográfica e não a Legal.


Quanto à distribuição das orquídeas nas diversas tipologias vegetacionais foram baseadas nas observações dos autores, na literatura especializada e em artigos publicados pelos Orquidófilos e Orquidólogos. Entre eles citamos Kleber Garcia de Lacerda Junior, Francisco Laport de Miranda e João Batista Fernandes da Silva, em artigos nos Boletins da extinta Associação de Orquidófilos do Amazonas - AOA, que teve um importantíssimo papel na divulgação e conhecimento das orquídeas da região.
Os exemplos de ocorrências das orquídeas indicam aquelas que são mais freqüentes em cada tipologia. No entanto, as possibilidades de ocorrência de espécies, o seu número e os tipos de vegetação não se esgotam, e muitas delas poderão ser encontradas, dependendo da região, vegetando em outros tipos vegetacionais.· Tipos vegetacionais –
Hiléia
A floresta tropical úmida que ocorre nessa região, denominada "Hiléia" por Humboldt e Bonpland, constitui uma província fitogeográfica bem individualizada, com fisionomia típica, grande biomassa, variação estrutural (relativa ao porte e aspecto da vegetação) e heterogeneidade de famílias, gêneros e espécies vegetais. Essas duas últimas características ressaltam quando se comparam regiões distantes entre si. Por província fitogeográfica entende-se uma região provida de, pelo menos, uma comunidade em clímax — aquela que já chegou ao seu ótimo de produção orgânica, é estável e mantém equilíbrio com o meio —, em que ocorram gêneros e espécies endêmicos. No caso de que tratamos, podem-se identificar sete subprovíncias.
Subprovíncias fitogeográficas e regiões geomorfológicas da região amazônica. (1) Costa Atlântica; (II) Jarí/Trombetas; (III) Xingu/Madeira; (IV) Roraima/Manaus: (a) Roraima; (b) Manaus; (V) Noroeste/Alto Rio Negro; (VI) Solimões/Amazônia Ocidental; (VII) Sudeste.

Entre as famílias de Magnoliófitas (=Angiospermas) que ocorrem no conjunto da região, cerca de 130 pertencem as Magnoliopsidas (=Dicotiledôneas) e 31 as Liliopsidas (=Monocotiledôneas). São poucas as famílias confinadas à Amazônia, entre as quais destacamos as Dialipetalantáceas, as Duckeodendráceas e as Rabdodendráceas, todas as três consideradas pequenas. Outras 13 famílias de Magnoliopsidas e cinco de Liliopsidas são neotropicais, e apenas algumas têm na região seu centro de distribuição (isso é, os gêneros e espécies nelas incluídos limitam-se à bacia amazônica).
A Floresta de Terra Firme, que já cobriu 90% da Amazônia brasileira tem tido sua área progressivamente reduzida em decorrência do processo de colonização. Ademais, ela não é inteiramente contínua, mas entremeada por mosaicos de vegetação, arbórea ou não, apresentando interrupções que estão intimamente relacionadas com a história geológica e climatológica da região. Podemos identificar ali diversos subtipos Florestais: Floresta Ombrófila Densa (cerca de 3.063 milhões de km2); Floresta de Cipó (100.000 km2); Floresta Aberta de Bambu ou de Palmeira (85.000 km2); Floresta de Encosta (10.000 km2); Campinarana dos subtipos Campina Sombreada e Alta (30.000 km2) e Floresta Estacional (15.000 km2). Além desses subtipos de Florestas de Terra Firme, existem a Floresta de Várzea (155.000 km2), Igapó (15.000 km2) e demais tipos de comunidades vegetacionais, como listados na Tabela que se segue.
Principais tipos vegetacionais da Amazônia brasileira (*)
AMAZÔNIA BRASILEIRA –3 700.000 Km2
ÁREA FLORESTAL – 3.374.000 Km2
Km2
FLORESTA DE TERRA FIRME (OMBRÓFILA DENSA, ABERTA, DE ENCOSTA, CAMPINARA – Alta e Sombreada, FLORESTA ESTACIONAL)
3.303.000
FLORESTA DE VÁRZEA E IGAPÓ (OMBRÓFILA DENSA ALUVIAL E DAS TERRAS BAIXAS; OMBRÓFILA ABERTA ALUVIAL E DAS TERRAS BAIXAS)
170.000
FLORESTA LITORÂNEA (MANGUEZAL)
1.000

ÁREA NÃO FLORESTAL – 326.000 Km2
Km2
VEGETAÇÃO DE CAMPO DE TERRA FIRME (SAVANA)
150.000
VEGETAÇÃO SERRANA BAIXA (RELÍQUIA)
26.000
VEGETAÇÃO DE CAMPINA ABERTA(CAMPINARANA)
34.000
VEGETAÇÃO DE RESTINGA LITORÂNEA(RESTINGAS)
1.000
VEGETAÇÃO DE CAMPO DE VÁRZEA (COMUNIDADES ALUVIAIS)
15.000
(*) Esses números apresentados são controversos uma vez que cada autor apresenta suas estimativas.
Essas formações vegetais não recobrem as áreas uniformemente, incluindo, em seu interior manchas dispersas, de outros tipos e as suas áreas de transição ou de contato. As manchas menores geralmente, têm formas irregulares e são dificilmente localizáveis em mapas; assim sendo, a floresta de terra firme, cobrindo amplas extensões, pode incluir todos os outros tipos acima mencionados.


A presente descrição trata apenas, da Amazônia Fitogeográfica e não a Legal.


Quanto à distribuição das orquídeas nas diversas tipologias vegetacionais foram baseadas nas observações dos autores, na literatura especializada e em artigos publicados pelos Orquidófilos e Orquidólogos. Entre eles citamos Kleber Garcia de Lacerda Junior, Francisco Laport de Miranda e João Batista Fernandes da Silva, em artigos nos Boletins da extinta Associação de Orquidófilos do Amazonas - AOA, que teve um importantíssimo papel na divulgação e conhecimento das orquídeas da região.
Os exemplos de ocorrências das orquídeas indicam aquelas que são mais freqüentes em cada tipologia. No entanto, as possibilidades de ocorrência de espécies, o seu número e os tipos de vegetação não se esgotam, e muitas delas poderão ser encontradas, dependendo da região, vegetando em outros tipos vegetacionais.

Área de ocorrência das Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga


A região amazônica pode ser geograficamente definida pelas bacias hidrográficas dos rios que desembocam no rio Amazonas e na sua foz, na costa leste do Brasil. Compreende uma área de aproximadamente 7 milhões de km2, que inclui todos os estados brasileiros da região Norte e grande parte dos países vizinhos entre as Guianas e a Bolívia.
No Brasil, uma delimitação política denominada Amazônia Legal inclui os estados do Pará, Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia, Acre e parte dos estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
A bacia amazônica é cortada pela linha do equador e suas latitudes extremas compreendem 5°6’ norte e 13° sul. A Amazônia Fitogeográfica, em solo brasileiro, onde se estende a bacia amazônica, que é o foco da presente descrição, ocupa uma área de aproximadamente 3.374.000 de km2 - o equivalente a 40% do território. Abrange os Estados do Amazonas, Pará, Norte do Tocantins, Norte do Maranhão, Goiás e Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. Consiste de uma grande área sedimentar mais ou menos recente (terrenos em sua maioria do Terciário e Quartenário) envolta pelos contrafortes cristalinos do escudo das Guianas ao norte e o escudo Brasileiro ao sul, formados de rochas muito antigas do Arqueano, em sua maioria. Assim a bacia de sedimentação forma a planície amazônica, cujas altitudes não vão acima de 100 metros; entretanto os trechos dos escudos erguem-se como planaltos ou comportam-se como maciços montanhosos, como nas serras de Imeri-Tapirapecó, onde encontramos o ponto culminante do Brasil o Pico da Neblina, com a altitude de 3014 m.
A bacia amazônica, de oeste para leste, pode ser dividida em três grandes unidades ou bacias: do Acre, do Amazonas, com as sub-bacias do alto e médio Amazonas e do Marajó.
O arco de Iquitos separa a bacia do Acre da sub-bacia do alto Amazonas; o arco do Purus separa a sub-bacia do alto Amazonas, o arco do Purus separa a sub-bacia do alto Amazonas da sub-bacia do médio Amazonas e o arco de Gurupá separa a sub-bacia do médio Amazonas da bacia do Marajó.
As sucessões sedimentares encontradas na bacia do Amazonas não são as mesmas encontradiças na Bacia do Acre. Nessa bacia, na sua maioria, os sedimentos são de origem flúvio-lacustre Terciária. Esses repousam sobre o Cretáceo, que é constituído de arenitos e folhelhos que, por sua vez, repousam no Carbonífero.
As sub-bacias do alto e médio Amazonas são constituídas por sedimentos Cenozóicos, mais extensos a oeste, estreitando-se para leste, sendo aí envoltas por formações Paleozóicas que as isolam do Escudo das Guianas e Brasileiro.
A bacia do Marajó é formada por terras baixas originadas pelo acúmulo de sedimentos Cenozóicos, favorecidas por falhas escalonadas, que permitiram a acumulação de milhares de sedimentos.
As diferenças de qualidade das águas da Amazônia brasileira é explicada pelas diferenças geológicas e geomorfológicas das respectivas áreas de captação. Assim é que, as águas pretas e claras nascem na Série Barreiras e nos escudos Arqueanos das Guianas e do Brasil central, áreas velhas e com pouca variação altitudinal e que carreiam poucos sedimentos, como o rio Tapajós de águas claras. As águas pretas, como as do rio Negro são escuras e ácidas e recebem de suas áreas de captação, geralmente pantanosas ou podsólicas, substâncias húmicas que lhes dão a característica tonalidade escura. Os rios de águas brancas são formados em parte por águas e sedimentos provenientes das áreas Andina e Pré-Andina, que são geoquimicamente muito mais ricas, que as outras áreas anteriormente citadas. Dessa forma a medida que o rio drena suas águas e sedimentos esses ficam mais pobres, dada a diluição provocada pelo aporte das águas dos seus afluentes, que são mais pobres em sais minerais.
Outro fator de grande influência ecológica é a drástica mudança do nível das águas ao longo do ano, como conseqüência da heterogeneidade da distribuição das chuvas, nas épocas mais secas e mais chuvosas. Dessa forma nas proximidades de Manaus o valor médio da variação das enchentes é de até 10 m, podendo alcançar até 15 m, sendo que os rios ficam cheios em maio-junho e mais secos entre novembro-dezembro. Perto de Santarém essas flutuações são de 5 a 7 metros. Esse aumento do nível dos rios provoca alagações, que influenciam fortemente os meio ambientes aquáticos e terrestres. Assim, ao longo desses rios e igarapés (rios menores) ocorrem formações vegetacionais tolerantes a inundações periódicas, denominadas de Igapó, quando em rios de água escura ou clara, e de Várzea, quando em rios de água branca.

Distribuição Fitogeográfica das Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga


· Províncias ecológicas de orquídeas na América do Sul

1ª - Província - abrange a serra do Mar no Brasil e a faixa média dos Andes, ambas com clima temperado; caracterizada por cadeias de serras, nas quais esbarra o ar quente e úmido, que ao subir se condensa no ar frio das alturas, transformando-se em neblina ou chuva;

2ª - Província - abrange as regiões quentes da costa da América do Sul bem como a bacia amazônica, caracterizada pelo clima tropical quente e úmido;

3ª - Província - localiza-se no Planalto Central, região de vegetação de Cerrado; esta região, situada no interior do continente, não é influenciada pelos ventos marítimos; situada em altitudes de 500 a 1000 metros, sendo ligeiramente ondulada ou plana.

4ª - Província - formada pelas 4 - regiões frias nas partes mais altas dos Andes, Patagônia e no sul do Brasil.

As demais áreas do continente foram consideradas como que desérticas, em relação à ocorrência de orquídeas.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Ecologia de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga



A família das orquídeas teve o seu maior desenvolvimento nas áreas tropicais e a maior parte das espécies adaptou-se ao hábito epífito. As relações delas com hospedeiros e as adaptações para que pudessem viver como epífitas neles são muitas.

· Forófitos

São considerados forófitos aquelas árvores ricas em epífitas, que possuem: estrutura da casca grossa e fendida; retenção de umidade; nutrientes disponíveis; acumulam humos; não possuem produção de substância alelopáticas (que inibem a germinação de outras sementes) e tipo de arquitetura (disposição dos galhos e penetração de luz).
Na Amazônia brasileira, temos como exemplo a Bertholletia excelsa, a Castanheira, a Hevea brasiliensis, a Seringueira, a Ceiba pectandra, a Sumaumeira e a Aldina heterophyla, o Macucú, entre muitas outras.

· Folhas e a fotossíntese

Nas células do clorênquima da folha das orquídeas, é o principal local onde ocorre a fotossíntese. A realização da fotossíntese é a principal função dela, sendo que, em algumas folhas suculentas, também exerce uma segunda função que é a de estocagem de água e de produtos de reserva. Assim, em um sistema como o fotossintético, a luz incidente é um fator primordial e a máxima exposição superficial a essa, deve ser analisada como uma vantagem seletiva. Por essa exposição, a condição ótima para a fotossíntese, opera sob a ameaça de dessecamento, pois a facilidade de acesso a luminosidade e ao CO2, traz consigo a perda de vapor d’água. A estrutura atual da maioria das plantas desenvolveu-se numa direção que torna a transpiração inevitável, excetuando-se um número restrito, que se apresentam cobertas por fortes camadas de cutina e poucos estômatos.

· Xeromorfismo

Xerófitas
são as espécies de orquídeas que crescem em habitats secos ou naqueles onde a água não está fisiologicamente disponível, como em vegetais halófitas.

Xeromorfa é a característica das orquídeas com adaptações estruturais ou funcionais que impedem ou reduzem a perda d’água por transpiração.
As características mais óbvias da folha xeromórfica são: uma baixa razão entre a área da superfície foliar e o volume foliar, redução no tamanho da célula, aumento interno da área de superfície livre do tecido vivo e uma maior densidade do sistema vascular e de estômatos. Essas características possibilitam altas taxas fotossintéticas sob condições favoráveis de suprimento de água. Outras características xeromórficas ajudam a evitar um descontrole na perda de água durante períodos de estress. Para reduzir taxa transpiratória, possuem a epiderme recoberta por uma cutícula grossa, ceras e de um grande número de tricomas. Os estômatos podem estar imersos ou agrupados em sulcos ou criptas na superfície inferior da lâmina foliar, com as margens cuticulares sobrepondo-se as depressões. Em conseqüência, a abertura ostiolar é protegida do contato com o ar externo e da baixa umidade externa. O tecido vivo e transpirador é reduzido em favor de um tecido vizinho de células esclerenquimáticas mortas o que ajuda a impedir o murchamento, pois a pressão do turgor celular nem sempre pode ser sempre mantido em níveis elevados. Pode ocorrer uma ou mais camadas de células intensamente lignificadas distribuídas abaixo da epiderme, formando uma hipoderme, ou também a presença de uma parênquima paliçádico isobilateral. Além disso, a lâmina da folha pode ser ou dobrada.
· Suculência

Dentro do grupo das orquídeas xerófitas, existem as que possuem as folhas, caules e raízes do tipo suculentas ou carnosas, sendo essas, adaptadas para ter capacidade de estocar uma grande quantidade de água livre e de produtos secundários. Essas plantas são caracterizadas por também possuírem as células epidermáticas espessadas e fortemente cutinizadas, pela presença de estruturas e substâncias mucilaginosas proeminentes, assim como, células incolores, que em sua maioria, são grandes, freqüentes e com paredes delgadas. Essas paredes são reforçadas com espessamento secundário de celulose ou lignina, e esse serve para prevenir o colapso das paredes quando o turgor celular é reduzido, sendo que este tipo de mesofilo, em geral, possui pouco ou nenhum esclerênquima.
A suculência é uma das condições necessárias para o funcionamento da via fotossintética CAM, mas nem todas as suculentas possuem esta via fotossintética. É importante ressaltar que o tipo de suculência CAM, não implica necessariamente, em uma carnosidade aparente, mas sim em uma suculência anatomicamente detectável no clorênquima, que deverá possuir células do mesofilo grandemente vacuolizadas, com cloroplastos periféricos ou não.
· Tipos anatômicos de folhas

a) Tipo Plicada - ou com “costelas
”, com folhas geralmente alongadas, podendo ser estreitas ou largas; são delgadas e membranáceas e possuem nervuras ou “costelas” proeminentes que acompanham os feixes fibrovasculares; são decíduas; a retenção de água, tão importante para orquídeas epifícas, é feita, por pseudobulbos, raízes carnosas, rizomas ou várias outras estruturas subterrâneas, sendo portanto, a função básica da folha plicada, somente a fotossíntese; na epiderme ambas faces da folha possuem a superfície coberta por uma camada cutinosa ou apenas, em um dos lados, sendo o mais comum, o da epiderme adaxial; os estômatos estão geralmente restritos a superfície inferior da folha, são ovais com distribuição paralela, isolados e podem estar submersos abaixo da superfície epidermática, podendo possuir proeminência cuticular externa, apresentam um reforço nas células-guardas e pequenos poros de ar, sendo esse tipo de estômato comum para ambientes secos; um segundo tipo de estômato pode ser encontrado em folhas que são carentes de desenvolvimento da camada cuticular ou das paredes externas - esse tipo não possui proeminência e os poros de ar são grandes e estão presentes em epifítas e em muitos tipos terrestres de ambientes relativamente úmidos; o mesofilo: encontra-se diretamente abaixo da epiderme, possui células isodiamétricas e em algumas espécies, tendem a ser mais alongadas; não se encontra uma clara distinção de células em paliçada e outros tipos distintos; tecido vascular com feixe individual, composto de xilema e floema, arrodeados de fibras e separados uns dos outros por camadas de fibras esclerenquimáticas; a bainha do feixe pode se estender de duas até mais que oito células de espessura, com maior concentração de fibras adjacentes ao floema; o floema é inferior ao xilema. Como exemplo: Sobralia macrophylla, Catasetum discolor, Brifenaria longicornis, Rudolfiella aurantiaca, Braemia vittata, entre outras.
b) Tipo Coriácea - é um grupo mais heterogêneo, incluindo todas as folhas que não são plicadas; a designação coriácea é baseada em características relacionadas com a superfície da folha; esses tipos de folhas não apresentam uma nervura central proeminente; a cutícula é espessa e muito cerosa, as folhas mais grossas que o do tipo plicado e podem ser carnosas; os caracteres de dureza e robustez dos membros dentro do grupo é extremamente uniforme, e o tecido de sustentação não é confinado só aos feixes vasculares; as folhas coriáceas, geralmente, racham ou estalam quando dobradas em algum ponto; temos três subclasses de folhas coriáceas para as orquídeas como se segue -

1) Coriáceas duras - apresentam uma variação considerável em espessamento, indo de fina para espessa; a forma das folhas são, em geral, alongadas, apresentando conduplicação para com a nervura central que se projeta; são plantas de hábitos predominantes epifíticos; sua forma em V, apresenta um decréscimo na superfície achatada da área diretamente exposta ao sol, adicionando também um maior suporte para a folha; as células da epiderme adaxial são usualmente maiores que as da abaxial; a superfície da maioria das folhas são ásperas ou rugosas ao toque, por causa do forte espessamento de suas paredes; As coriáceas duras possuem uma cobertura mais densa de cutina na epiderme adaxial ou igual em ambos os lados, dependendo da orientação da folha; a folha é hipo-estomática e eventualmente, anfistomática; os estômatos estão localizados em suaves depressões e alguns projetam pequenas papilas acima da superfície da folha; as células subsidiárias não são conspícuas contudo, algumas células adjacentes podem ocorrer; câmaras subestomáticas estão presentes e a presença de pêlos não é comum; o mesofilo é constituído de células isodiamétricas, e as do mesofilo superior, ligeiramente maiores ou essas podem ser alongadas, fato que as deixam parecidas com células em paliçada; espessamentos secundários nas ligações das paredes das células podem ocorrer e são orientados em sua maioria na direção da nervura; ocasionalmente, as células do mesofilo pode apresentar estrias de Gaspary; a função presumível dessas células seria a de controlar o fluxo de água e íons entre o mesofilo e o feixe vascular. Como exemplo: Cattleya eldorado, C. violacea, C. luteola, C. jenmani, C. Lawrenceana e muitas espécies de Epidendrum como o Epidendrum huebneri e Encyclia, como a E. mapuera, entre outras.
2) Coriácea Mole - são folhas delgadas, moles, as vezes quase coriáceas carnosas e estão presentes em orquídeas terrestres e epífitas; são flexíveis e sem firmeza; o limbo é arredondado ou alongado e a folha não é equitante; a epiderme é composta de células alongadas e achatadas com tendência para ter paredes delgadas; pode-se encontrar cloroplastos em grandes concentrações nas células epidermáticas adaxiais; a folha é hipo-estomática ou anfistomática, neste último caso, com o maior número de estômatos na epiderme adaxial, são isolados e situados em suaves depressões, ou superficiais, com pequenas proeminências, grandes poros de ar e com câmaras subestomáticas; as células subsidiárias não estão presentes, em geral; os tricomas: podem estar presentes nas duas faces da lâmina ou em uma só face, geralmente, a abaxial; as células do mesófilo são arredondadas; as células das camadas superiores são maiores mas não chegam a formar uma camada paliçadica; os cloroplastos estão presentes em grande número na metade superior do mesofilo, mas as células desse contem menos cloroplastos do que as folhas plicadas; o mesofilo das coriáceas moles são mais envolvidos em armazenagem; o limbo das coriáceas mole pode ser, ocasionalmente, engrandecido por espaços intracelulares; os feixes fibrovasculares estão presentes algumas vezes em camadas ao longo do eixo longitudinal da folha; a variação no tamanho do feixe, sendo quase que um padrão um feixe grande precedidos por três feixes menores de tamanhos iguais ou diferentes; os feixes são iguais aos da folhas plicadas e a capa de fibras do floema tende a ser maior que a da plicada; os cordões de fibras podem estar presentes sem estarem associados a algum tecido de condução; esses cordões aparecem como suportes naturais e são encontrados em camadas acima e abaixo do tecido condutivo ou dispersos entre as nervuras; a ocorrência de tais feixes de fibras está estritamente correlacionada com a rigidez da folha e deve ser notada uma gradação de mole e delgado, para duro e rígido, ou de caída para ereta sendo que a gradação mencionada é relacionada ao número de cordões extravasculares e sua posição a superfície da folha. Como exemplo: Epidendrum nocturnum, Prosthechea fragrans, Maxillaria camaridii, M. pendens, algumas Brassia, entre outras.
3) Coriácea Carnosa - esse subgrupo inclui folhas que são quase que completamente eretas; exibem uma certa robustez e são mais amolecidas do que folhas coriáceas duras; essas folhas possuem espessamento cuticular e paredes espessas na epiderme, o que lhes conferem a robustez; a combinação de muitas células espessadas do mesofilo com a ausência de um grande número de fibras extravasculares conferem-lhes a carnosidade; folhas eretas desse tipo tendem a enrolar e fundir o seu limbo em forma de um cilindro, formando uma estrutura conduplicada, com um sulco visível onde aparece a margem da folha; como conseqüência do enrolamento, a face adaxial do limbo não entra em contato com o ambiente externo; a face abaxial é robusta e recoberta com uma cutícula espessa; a face adaxial interna (somente o canal) não é evidente a algumas carnosas e possui a cobertura fraca e flexível; a superfície externa é comparável funcionalmente com a superfície superior de folhas coriáceas duras, onde a superfície interior apresenta características que levam ao desenvolvimento da carnosidade. Como exemplo citamos Brassavola martiana e algumas espécies de Oncidium, como o O. ceboletta e O. lanceanum, entre outras.
· Vias de assimilação do carbono - são conhecidos três modelos fotossintéticos essenciais, pelos quais as plantas verdes superiores fixam o dióxido de carbono:

1) Via Calvin-Benson (C3) o mais comum, possui um alto ponto de compensação de CO2, fotorrespiração, ausência de bainha vascular com cloroplastos desenvolvidos e mesofilo estratificado ao redor do feixe vascular no clorênquima, cloroplastos granal (tilacóides empilhados) fixação diurna de CO2, sendo a ribulose-disfosfato (RUDP) o carbono aceptor. Como exemplo citamos a Bifrenaria longicornis, Catasetum discolor, Epidendrum nocturnum Maxillaria camaridii, M. Pendens, Prosthechea fragrans, Sobralia fragrans, S. Macrophylla.

2) Via CAM (no idioma inglês, Crassulaceam Acid Matabolism; no português, MAC – Metabolismo Ácido das Crassulaceae) possui ponto de compensação do CO2 e fotorrespiração variáveis, tecido assimilatório suculento, vacúolos grandes, cloroplastos granal, fixação diurna e noturna de CO2 e a presença de suculência anatomicamente detectável; a reação inicial de fixação de CO2 é pelo malato sendo realizado sob escuridão. Durante períodos de iluminação, o malato é descarboxilado para a produção de CO2, onde é fixado pela via C3 . Nas plantas CAM, a intensidade e a duração da fixação do CO2 no escuro e na luz depende da espécie, do grau de desenvolvimento e condições do ambiente, mas na maioria das orquídeas, o ritmo dos ácidos carboxílicos são mantidos sob quaisquer circunstâncias. Nas orquídeas, o metabolismo CAM evoluiu nas espécies terrestres vegetando em habitats xéricos. Como exemplo citamos Brassavola martiana, Cattleya eldorado, Encyclia mapuera, Epidendrum huebneri, E. compressum Prosthechea vespa.

3) Via Hatch-Slack (C4)- o último modelo a ser descoberto; possui baixo ponto de compensação de CO2, sem fotorrespiração detectável, com anatomia “Kranz” (mesofilo radial arranjado ao redor dos feixes vasculares no clorênquima), cloroplastos granal ou agranal (tilacóides em lamelas), fixação diurna de CO2, sendo o fosforoenolpiruvato (PEP) o carbono aceptor e o produto estável é o oxaloacetato, que é convertido em malato ou aspartato; o malato é descarboxilado para produzir CO2, onde é refixado pela RUDP carboxilase; o caminho C4 ocorre primariamente em plantas de origem tropical, que crescem sob altas intensidades luminosas e altas temperaturas. Como exemplo citamos uma orquídea hibrida a X Schombocattleya.

· Fatores que condicionam a distribuição no habitat

Os estudos ecológicos existentes costumam relacionar a ocorrência delas com o tipo de clima, vegetação, altitude, altura no interior da floresta, e espécie de árvore hospedeira.
A existência de um gradiente microclimático vertical dentro da floresta onde a intensidade luminosa, temperatura e circulação atmosférica aumentam no sentido solo-dossel, é irrefutável. Esse gradiente não é constante e varia de um local para outro, devido à estratificação irregular das árvores e às diferenças específicas e individuais na densidade de suas copas. A interceptação de chuva também varia diretamente com a densidade das copas, além de depender, como é óbvio, do total de precipitação. Esses e outros fatores influenciam enormemente no padrão de distribuição espacial dos indivíduos de uma população.

A fim de que possamos entender a ocupação dos diversos habitats, precisamos mencionar as várias adaptações e os fatores que interagem.
1) As sementes das orquídeas são muito leves e são facilmente transportáveis a grandes distâncias pelo vento e pela água. Isso não só ajuda à dispersão das sementes, como também permite que as plantas se estabeleçam em habitats bastante específicos, em lugares precisos e árvores determinadas.
2) As sementes dessas plantas são muito sensíveis aos fatores físicos e químicos. Entre os físicos citamos: umidade relativa do ar, intensidade luminosa, arquitetura das árvores e tipos de substratos. Entre os químicos destacamos: os nutrientes disponíveis, substâncias alelopáticas e pH.
Dentro de uma determinada comunidade os gradientes microclimátcos são bem evidentes. Podemos então dividir as plantas, quanto à sua necessidade de 1uz, em: umbrófilas as que crescem no chão e nos troncos das árvores; semiheliófilas as que crescem margeando a vegetação ou nos ga1hos; e heliófilas as que crescem em pleno sol.
3) Uma das características dessa família é a ausência de endosperma nas sementes e para que o desenvolvimento das plântulas tenha pleno êxito, é necessária uma relação de simbiose entre essas e os fungos do gênero Rhizoctonia.
4) Com o epifitismo, a obtenção de nutrientes, bem como o suprimento de água tornaram-se críticos. A fim de que o balanço hídrico fosse mantido, foram necessárias adaptações xerofíticas como: velame, pseudobulbos, folhas carnosas e metabolismo ácido crassuláceo (C.A.M.) em muitas dessas epífitas.
Para que o suprimento de minerais ocorresse, adaptações como o grande número de raízes, rizomas e pseudobulbos permitiram que material orgânico se acumulasse entre eles, ocorrendo assim à formação do que se chama de húmus. Não podemos nos esquecer também da grande importância das formigas do gênero Azteca e outros animais que fazem os seus ninhos na base destas plantas, acumulando muita matéria orgânica.
O suprimento de nitrogênio nessas plantas ocorre pelas chuvas ou pelas gotas de água que pingam das folhas depois de uma chuva, em forma de amônia. Essas gotas de água contêm três vezes a quantidade de NH3 encontrado na água da chuva.
A economia de água nas orquídeas é primordial para a sua sobrevivência, pois as vantagens proporcionadas pelo epifitismo são: as melhores condições de luminosidade e substrato relativamente isento de competição; essas vantagens, no entanto, são limitadas pelo suprimento de água que se torna crítico.
As raízes da maioria das orquídeas epífitas apresentam uma epiderme multisseriada denominada velame. Sua função principal é a absorção de água. Em apenas 15 minutos o sistema radicular de algumas espécies pode absorver uma quantidade de água igual a 30-170 % de seu próprio peso. As espécies de orquídeas caracteristicamente terrestres não apresentam velame, entretanto, geralmente possuem raízes tuberosas. É comum a ocorrência de espécies que apresentam velame, consorciado com outras características relacionadas com epifitismo vivendo em solo arenoso, entre pedras e até mesmo na pedra com um mínimo de solo. As epífitas verdadeiras, além de terem adaptações especiais para ocuparem o hábito epífito, geralmente germinam sobre uma determinada planta e permanecem durante todo o ciclo de vida sem entrarem em contato com a terra. Entretanto, existem plantas epífitas que podem ser encontradas ocasionalmente, vivendo no substrato terrestre, o que seria um hábito ocasional.
Finalmente, existem plantas com adaptações características de epífitas, vivendo exclusivamente no solo da floresta. A essas propomos serem denominadas pseudoterrestres, pois assim pode-se caracterizar o tipo de comportamento que essas plantas possuem.
O armazenamento de água pode ainda ocorrer nos caules espessados, denominados pseudobulbos, ou nas folhas.
Entre as orquídeas, ocorre a fotossíntese do tipo C³. O CO² nessas plantas é fixado pela enzima RUDP-carboxilase, por meio de uma reação que tem como resultado a síntese de ácido fosfo-glicérico. Esse ácido é orgânico e possui 3 carbonos, daí a denominação de C3. O ácido glicólico sintetizado sai dos cloroplastos e se oxida nas peroxisomas, produzindo CO² o que é denominado fotorrespiração. Então existem consumo e produção de CO² e esse equilíbrio é denominado de ponto de compensação. A taxa de fotorrespiração depende da intensidade da luz a que a planta esteja exposta. Nessa, quando 1/3 de CO2 é consumido pela fotossíntese, inicia-se novamente a fotorrespiração. Nas horas mas quentes do dia, em que a evaporação é maior, os estômatos dessas plantas tendem a se fechar, diminuindo as trocas gasosas com o meio. Essa estratégia evita a perda de água pelos poros do estômato e o processo de murcha. Com a manutenção dessa condição, a atividade fotossíntética diminui, e a continuidade dos processos oxidativos pode resultar na morte da planta. A implicação ecológica dessa via de fixação de CO² é que as plantas que a possuem não estão adaptadas para viverem em locais ensolarados e com pouca água.
Muitas plantas suculentas, ou seja, aquelas espécies que possuem células com vacúolos muito grandes, parênquima sem diferenciação em tecido paliçádico e apresentando clorênquima, mantém os estômatos fechados durante a maior parte do período diurno durante os períodos secos e os abrem à noite a fim de fixar CO². Esse comportamento foi denominado de efeito de “De Saussure”, onde o CO² é acumulado sob a forma de malato no vacúolo celular, ocasionando uma diminuição do pH. Durante o dia o malato é transportado do vacúolo para os cloroplastos, onde é descarboxilado, ocorrendo assim um aumento do pH. Essas características anatômicas e fisiológicas são típicas de plantas CAM ou MAC.
As espécies de plantas que possuem tal síndrome conseguem sobreviver a condições extremas, em pleno sol e com pouca água, pois com a fixação também de CO² noturno, durante o próximo período diurno a planta, por ter o suprimento de CO² necessário à fotossíntese garantido, consegue restringir a transpiração a um mínimo necessário.
Existe também a citação da ocorrência de uma orquídea hibrida a X Schombocattleya, que combina o sistema de fixação noturna de CO² (CAM) e a via de fixação de CO² do tipo C4. Essa via de fixação de CO² á caracterizada pela fixação primária da PEP-carboxilase nas células do mesófilo mediante uma reação, que resulta posteriormente, na síntese do ácido málico e aspártico. De acordo com a espécie predomina um ou outro ácido. Esses são ácidos orgânicos de 4 carbonos, pelo qual se denominou essas plantas de C4. A fixação pela PEP-carboxilase, enzima com grande afinidade pelo CO² representa um processo intermediário que permite aumentar a pressão parcial de CO² no nível da bainha vascular, onde se encontram os cloroplastos. Esse incremento diminui a síntese de ácido glicólico, reduzindo a fotorrespiração. Por outro lado, a alta capacidade de fixação de CO² das células do mesófilo impede que o CO² produzido por fotorrespiração nas células da bainha venha a escapar para fora da folha. Em conseqüência, não se evidencia a fotorrespiração, e o ponto de compensação de CO² pode ser muito baixo, próximo de zero, o que é uma grande vantagem ecológica para essas plantas.
A distribuição taxonômica e os mecanismos fisiológicos conhecidos, sugerem que o ciclo de Calvin-Benson (C3) seja uma via primitiva de fotossíntese e, que as vias fotossintéticas CAM e C4 sejam derivadas.

Glossário de Termos Botânicos e de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga

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Tentou-se aqui incluir os termos mais usuais em botânica e, aqueles comumente empregados, na descrição e no cultivo das orquídeas,

- A -
Abaxial – face inferior ou dorsal das folhas.
Abertura ostiolar – poro das células estomáticas ou ostíolo.
Acicular - forma de agulha.
Ácido - com pH inferior a sete (veja também pH).
Acranta – com inflorescência apical.
Acrótona – antera ereta ou incumbente, sustentada por curto filamento, decídua, polinário com caudículo e retináculo, ou viscidium invertido, ou seja, com caudículo e viscidium afixados ao ápice do polinário.
Actinomorfa - vários planos de simetria.
Acuminada (o) – termina em ponta aguda e comprida; agudo, aguçado, pontiagudo; terminado em, ou provido de acume.
Adaxial – face superior ou ventral das folhas.
Adnato – soldado; que nasce junto; fusão de diferentes partes, como o labelo e a coluna.
Adpresso – concrescido.
Adubação foliar - adubo que é absorvido pela folha, além do nitrogênio, fósforo e potássio, comumente contém micro elementos.
Aérea - ocorre no ar ou é própria dele; parte aérea de uma planta; geralmente, é o conjunto de caule, ramos folhas, flores e frutos.
Afilo – sem folhas.
Agamospérmica - produção de semente, sem polinização e fecundação do zigoto.

Agente polinizador – ave, inseto, vento, água, que fecunda a flor.
Alado - que tem asas.
Alba - variedade de cor branca; quando não apresenta nenhuma outra pigmentação é considerada albina.
Alcalino - com pH superior a sete (7).
Alelopatia - interferência de uma planta (espécie) sobre outra, via liberação de produtos químicos que inibem o crescimento das outras espécies, ou mesmo matam as demais espécies.
Algas - principalmente aquáticas, uni ou multicelulares sem raízes e caules verdadeiros, são autótrofas, pois possuem clorofila e fazem a fotossíntese; fase dominante N.

Alogâmica - polinização cruzada, com o pólen de flores diferentes; do mesmo indivíduo (geitonogamia); de plantas diferentes (xenogamia).
Alofílica - flores sem adaptação morfológicas, para guiar o inseto, na coleta da recompensa de alimento (guias de “fragrâncias”, néctar ou pólen).
Alotrópico - visitante ou polinizador pobremente adaptado para a utilização da flor; às flores fazem parte de uma dieta variada.
Alternadas - folhas que nascem em nós alternados em cada lado do caule ou do ramo.
Alterno – se insere isoladamente em diferentes partes do caule ou outro eixo.
Androceu – conjunto dos estames órgãos masculinos da flor, isso é, dos estames.
Andrógina ou hermafrodita - possui os dois sexos, ou seja, gineceu e androceu.
Anemocórica - dispersão pelo vento.
Anemófila - polinização por vento.
Anfimítica - reprodução sexual, envolvendo a união de dois gametas.
Anfistomática – em ambas os lados da folha, ventral e dorsal.
Antena – apêndice encontrado nas colunas de Catasetum.
Antera – porção dilatada, saquiforme, que se acha no ápice do filete do estame e que encerra os grãos de pólen.
Antera bilocular - provida de duas camaras polínicas.
Antera incumbente – com a abertura da antera alojada no clinândrio.
Antera operculada - com deiscência transversal, e desprende da coluna.
Antese - floração; o desabrochar da flor.
Antrópica – tudo que resulta da ação humana.
Antropocórica - dispersão passiva pelo homem de frutos e sementes.
Anuais - plantas obtidas a partir de semente e que completam o ciclo de vida em uma estação.
Apical - no ápice, refere-se às orquídeas com inflorescências no topo dos pseudobulbos.
Ápice - porção terminal de um órgão, como o caule, raiz, do pétalo, do labelo, entre outros.
Apiculado – provido de apículo, ponta aguda, rija e curta; com pequeno dente ou apículo.
Aplanado – compresso, achatado.
Apoda - desprovida de pé, ou seja, a coluna não possui um prolongamento.
Apomixia - reprodução sem união sexual.
Apomítica - reprodução assexual.
Aquinada – flores que apresentam as pétalas manchadas nos ápices.
Arbusto - planta compacta, de caule lenhoso e ramificado, menor do que uma árvore, que, em geral, ramifica desde o solo.
Arcuada – arqueada.
Argila - tipo de barro constituído essencialmente por silicatos de alumínio, que tende a reter água.
Aristado – órgão terminado por uma ponta longa e delgada.
Arqueada – curvatura em forma de arco.
Arquitetura das árvores - modo de crescimento e disposição dos galhos de uma copa.
Arredondado - forma de círculo.
Articulado – provido de regiões predeterminadas em que pode ocorrer fragmentações.
Árvore - vegetal lenhoso, de porte avantajado, provido de um tronco que se ramifica na parte superior formando uma copa.
Ascendente – que sobe.
Asséptico - esterilizado, livre de contaminações com micróbios, como: bactérias, leveduras, fungos filamentosos e algas.
Assimbiótico - processo de germinação de sementes, criado por Knudson em 1922 em laboratório, em que as sementes são introduzidas dentro de um frasco esterilizado contendo micronutrientes, onde não é necessária a presença da ocorrência da associação com o fungo do tipo micorriza, para germinar e se desenvolver.
Assimétrica - não tem nenhum plano de simetria.
Atelocórica - dispersão sem adaptação especial, em pequena quantidade.
Aurículas da coluna – dois estaminódios em forma de apêndices, laterais a antera dorsal da coluna; ajudam prender os lobos laterais do labelo facilitando a ação de coleta de néctar pelo polinizador, ou auxiliando na polinização, direcionando o polinário para a cavidade estigmatífera.
Autoclave - um aparelho que se utiliza do vapor a alta pressão e temperatura, para esterilizar utensílios de laboratório e meios de cultura.
Autocórica - dispersão mecânica dos frutos ou sementes.
Autogamia – fecundação com políneas da própria flor.
Autogâmica ou autofecundação - com o pólen de uma mesma flor.
Axila - o ângulo geralmente superior, ou o ponto de divergência entre um ramo e o caule, ou entre uma folha e o eixo ao qual ela se prende.
- B -
Bainha – base de uma folha ou bráctea protetora que envolve total ou parcialmente o caule, o ramo e a inflorescência, quando ainda em formação, protegendo-o até que a mesma esteja em condições de irromper de seu interior; em orquídea também denominada de espata.
Bambus - o bambu (Liliopsida, Arecaceae= Gramineae) é uma gramínea, que pode atingir até 40 metros de altura e possui cerca de 1200 espécies espalhadas pelo mundo; possui a maioria dos gêneros polinizados pelo vento.
Bancada coletiva – modo de plantio de várias orquídeas em uma mesma bancada sem a utilização de vasos; esse sistema só serve para a produção de flores, pois as raízes entrelaçam suas raízes no substrato e fica impossível transportá-las sem ter que cortá-las.
Balocórica – dispersão, por expulsão, ou abertura explosiva do fruto com liberação de sementes.
Barocórica - dispersão por gravidade de frutos ou sementes pesadas.
Basal - relativo à base; refere-se às orquídeas com inflorescências na base dos pseudobulbos.
Basítona – antera ereta, mais ou menos ressupinada, de base larga, soldada a coluna, decídua após a antese, polinário com polínea granulosa, com caudículo e retináculo ou viscidium distintos, fixados na base.
Bianual ou bienal - planta que requer duas estações de crescimento para completar o ciclo vital de semente a semente e que, portanto, não perfaz o ciclo no mesmo ano.
Bicornuta – com dois chifres.
Bífido - com uma fenda até meia extensão; bifendido.
Biflora - com duas flores.
Bifoliada – apresenta duas folhas num só pseudobulbo.
Bilobado - com dois lobos.
Biocenose - coletividade de vegetais e plantas dentro de um mesmo biótipo, cujos membros formam, em dependência recíproca, um equilíbrio biológico dinâmico.
Biodiversidade ou diversidade biológica - a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda à diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.
Biologia Floral – estudo da relação dos agentes polinizadores com as síndromes de polinização.
Biologia reprodutiva - estudo da vida da planta inclui o estudo da distribuição, fenologia, polinização, fecundação e dispersão das sementes.
Bioma - amplos espaços terrestres caracterizados por tipos fisionômicos de vegetação, ou de fauna, como em alguns biomas marinhos, semelhantes, ainda que a composição das espécies não seja a mesma.
Biomassa - toda matéria orgânica, de origem animal ou vegetal que, no processo de fotossíntese, captura a energia do sol e transforma em energia.
Biosfera - zona da Terra que abrange parte da crosta, atmosfera e hidrosfera, habitada por seres vivos.
Biossistemática - estudo concentrado na variação e evolução; primariamente experimental e analítica, muitas vezes tratando de espécies de taxa intraspecíficos; trata da distribuição geográfica bem como da citologia (com relação ao número e forma dos cromossomos), anatomia, microscopias ótica, de varredura e transmissão, pólen, eletroforese e análise de DNA.
Biota - flora e fauna de um região.
Biótopo - espaço limitado onde vive uma biocenose.
Botão – a flor antes de desabrochar ou da antese.
Bráctea – folha geralmente modificada, em cuja axila nasce uma flor ou uma inflorescência.
Broto - caule, ramo, folha, flor ou outra estrutura nas primeiras fases de desenvolvimento a partir de uma gema.
Bulbo - tipo de caule, em geral subterrâneo, dotado de escamas carnosas e provido de uma ou mais gemas, cada uma das quais pode desenvolver-se numa planta adulta; na realidade, em orquídea o que chamamos de bulbo, chama-se pseudobulbo, pois o bulbo na realidade é um órgão que na maioria das plantas é subterrâneo.
Bursícola – capa protetora da cola ou viscidium que existe nas orquídeas primitivas como Habenaria.
- C -
Cacho - conjunto de flores ou frutos providos de pedúnculos que os unem a um eixo comum; sinônimo de racemo.
Cacto - planta carnosa, comum em desertos ou ambientes áridos, embora não restrita a eles.
Caduca - folhagem, ou outro órgão que ao longo do ano cai.
Calcar – prolongamento do labelo, ou dos sépalos e pétalos, ou de todos esses apêndices juntos formando um nectário; o mesmo que esporão.
Calceolado – em forma de saco ou capuz.
Cálice – invólucro exterior da flor periantada, composto por sépalas livres ou concrescidas, total ou parcialmente; verticilo floral externo; estrutura em forma de taça, constituída por sépalas separadas ou soldadas, geralmente verdes (mas às vezes da mesma cor das pétalas então denominadas de tépalas) e que circunda a parte inferior da corola.
Calículo – estrutura semelhante a um cálice, formada por brácteas, por fora dele, como ocorre em Epistephium.
Calo - projeção que ocorre no disco do labelo de muitas orquídeas, que serve para atrair insetos à flor, e têm importância taxonômica.
Calosidade – protuberância que geralmente ocorre no labelo e servem para atrair o polinizador à flor; são utilizadas pelos sistematas para separarem as espécies de orquídeas, que as possuem.
Calosidade cristada – calosidade com projeções em forma de crista de galo.
Calosidade flabelada – calosidade em forma de leque.
Câmara de fluxo laminar - câmara projetada para manipulações em cultura de células e tecidos que requerem um ambiente estéril, alcançado por um fluxo contínuo e não-turbulento de ar esterilizado sobre a área de funcionamento.
Câmaras subestomáticas - câmaras de ar alojadas abaixo das células subsidiárias.
Campanulado – em forma de sino.
Campina - tipo vegetacional que ocorre na Floresta de Terra Firme, ou próxima ao Igapó, com solo arenoso, grande penetração de luz e árvores baixas com galhos tortuosos a semelhança ao Cerrado do Brasil Central ou aquela vegetação que ocorre nos Campos de Terra Firme ou Lavrado, que ocorrem no Pará, Rondônia, Roraima e Amapá.
Cana - pseudobulbo alongado com folhas alternas, parecendo uma cana-de-açúcar.
Cantarófila - polinização por besouro
Capilaridade - absorção de água por um filamento, pêlo, ou raiz, também conhecida como atração capilar; esse termo ainda é usado para descrever o modo como à mistura de solo absorve água quando se coloca o vaso em contato direto com um prato com água.
Cápsula – o fruto que contém as sementes das orquídeas, freqüentemente com milhares e até mesmo milhões de sementes.
Característica derivada – característica originada; proveniente de; decorrente.
Característica primitiva - característica dos primeiros tempos; que apareceu em primeiro lugar; inicial; primordial; originária.
Características diagnósticas – são características que além de delimitar o taxon, o caracteriza.
Caráter - é um atributo ou uma frase descritiva referente à forma, estrutura ou comportamento que o sistemata refere da totalidade dos organismos, com um propósito particular de comparação ou interpretação.
Carpelos - folhas modificadas (megaesporófilos ou folhas carpelares) que em número de uma ou mais, formam o gineceu; folhas modificadas em órgão feminino (gineceu).
Casmogâmica - flores que desabrocham expondo os órgãos sexuais.
Cauda, caudado – apêndice longo.
Caule - parte de uma planta que suporta as folhas e as flores, com forma, organização e dimensões extremamente variáveis; é um órgão vegetativo, geralmente aéreo, que serve para produzir e suportar folhas, flores e frutos, para a circulação da seiva nutritiva, para armazenar reservas alimentares e às vezes, para efetuar a propagação vegetativa.
Caule escandente - trepadeira que apresenta gavinhas, garras ou unhas, com as quais se fixa no substrato.
Caule estrangulador – caule de uma liana que abraça o hospedeiro e acaba matando-o por compressão.
Cavidade estigmatífera - cavidade existente na parte inferior da coluna, embaixo da antera, preenchida de uma substância gelatinosa, que recebe as políneas para a fertilização (parte feminina da flor).
Chanfrado – ápice da folha ou segmento floral com recorte curvo.
Células esclerenquimáticas – células de sustentação impregnadas com esclerênquima.
Células subsidiárias – são células as que aparecem ao lado das duas células estomáticas; também conhecidas por anexas, companheiras ou subsidiárias.
Centro de endemismo - áreas que possuem duas ou mais espécies endêmicas.
Ciclocórica - dispersão pelo vento de infrutescências ou frutos caídos.
Ciliado – margem de segmento floral provido de apêndices em forma de cílios.
Cipó - designação genérica de grande número de plantas trepadeiras, sarmentosas ou volúveis, herbáceas ou lenhosas, de hastes flexíveis e delgadas.
Citação do epíteto específico - na citação da espécie o nome científico dessa é grifado, símbolo editorial utilizado, para que na publicação, o nome seja impresso em negrito ou italizado, para destaque no texto.
Classificação - a colocação das plantas em grupos num sistema hierárquico de séries ou categorias, distinguidas pela estrutura origem e outras características.
Clavado – em forma de clava ou porrete.
Cleistogamia – polinização que ocorre antes da flor desabrochar; flores que não desabrocham, mas altofecundam-se, com produção de sementes férteis.
Cleistogâmica – flor que se autopoliniza, sem estar aberta inteiramente.
Clinândrio – local onde a antera fica alojada.
Clonal - reprodução vegetativa.
Clone – todas as diversas manifestações vegetativas, como divisões, propagação meristemática, etc., de uma única orquídea.
Clorênquima - parênquima com cloroplastos
Clorofila - pigmento verde responsável pelo processo fotossintético, encontrado nos caules e folhas das plantas e nas raízes da orquídea do gênero Campylocentrum.
Coalescência – junção.
Código de Nomenclatura Botânica – é quem trata os nomes e níveis de grupos taxonômicos ou unidades e, por outro lado, normaliza o nome científico aplicado a um grupo individual de plantas; é composto de três principais divisões: princípios, regras e recomendações e provisões para modificação do código.
Colo – parte da planta situada entre a haste principal e as raízes, no nível do solo.
Coluna - fusão das partes masculinas e femininas na flor da orquídea; característica diagnóstica da família.
Coluna ou gimnostêmio - órgão que se projeta do centro da flor da orquídea e que é o resultado da fusão dos órgãos, masculino (estames) e feminino (pistilo), é uma das características diagnósticas para a identificação das orquídeas.
Composto - matéria orgânica resultante da decomposição de restos vegetais, às vezes de mistura com outras substâncias de origem animal ou vegetal, inclusive esterco, restos de alimentos, trapos e papéis velhos.
Compresso - achatado.
Conado – soldado; concrescido.
Côncavo – objeto cuja superfície é cavada.
Conchiforme – em forma de concha.
Concolor – com todas as peças florais da mesma cor.
Conduplicada – folhas ou outros órgãos foliares cujas metades se dobram ao longo da nervura mediana.
Conivente – convergentes mais não unidos.
Conservação - manutenção de áreas naturais preservadas, ou de espécies, através de um conjunto de normas e critérios científicos e legais.
Convoluto – enrolado.
Copa - conjunto de ramos superiores de uma árvore, com formas variadas.
Cordiforme, cordado - em forma de coração.
Coriácea - de consistência e aspecto de couro.
Coroa – a parte central da roseta de folhas de uma orquídea monopodial.
Corola - conjunto de pétalas de uma flor; invólucro floral, por dentro do cálice; geralmente a parte mais vistosa da flor, de cores as mais variadas; constituída por um ou mais segmentos, livres ou concrescidos, denominados pétalas; pode ser formada por pétalas separadas ou ligadas umas às outras.
Costulado – saliências pronunciadas, na epiderme do órgão.
Cotilédone - apêndice carnoso do embrião, que contém os primeiros elementos nutritivos da planta.
Crenulada - folha crenada com recortes de pequenas dimensões.
Crista papilosa – saliências nas paredes das células epidérmicas da crista, como pequenos dedos de luva.
Cromossomo – corpúsculo em que se divide o núcleo celular no curso da mitose; cada espécie vegetal ou animal possui um número constante de cromossomos, que transmitem os caracteres hereditários.
Cruzamento – a progênie que resulta da transferência de pólen de uma planta para a flor de outra; o ato em si.
Cuculado – em forma de capuz.
Cultivar - planta desenvolvida em cultivo de uma única semente, ou de outra parte vegetativa = clone; o nome dos cultivares aparece entre aspas simples, para distingui-los dos nomes científicos.
Cultura de tecidos – ver meristemagem.
Cuniculo – nectário concrescido com o ovário ou o pedúnculo ou pedicelo.
Curvinérvea - nervuras curvas, acompanhando os bordos do limbo.
Cuspidado – terminando em ponta, bastante afilada.
Cutícula - película impermeável à água, que recobre a epiderme.

- D -
Data de publicação efetiva do taxon - apenas a citação do autor não nos dá acuidade na citação, é necessária também, a inclusão da data da publicação efetiva do taxon; por exemplo: Catasetum barbatum Lind., 1844.
Decídua – caduca; que cai; planta cujas folhas caem em certa época do ano ou após amadurecimento, com novas brotações após um período de repouso.
Dedricola. - que vivem sobre as árvores
Deiscente - que se abre quando maduro para liberar as sementes.
Delgado - frágil; tênue; pouco espesso; fino; delicado.
Deltóide – em forma de triângulo.
Denteada - bordas com entalhes em forma de dentes.
Denticulado – margem de segmentos florais denteados.
Desabrochar – abertura do botão floral.
Descanso hibernal - descanso vegetativo da planta.
Descanso ou repouso vegetativo - período do ano no qual a planta permanece inativa, produzindo poucas, ou nenhuma folha.
Descrição ou caracterização - um conjunto de atributos de um taxon particular; plantas individuais, ou suas partes.
Desenvolvimento vegetativo – crescimento da planta.
Diandra – apresenta dois estames no androceu da flor.
Diásporo - elemento de dispersão; como a semente ou um propágulo do vegetal.
Diclina - flores masculinas e femininas separadas.
Diclina dióica - sexos em plantas diferentes.
Diclina monóica - sexos em flores diferentes na mesma planta.
Dicogâmica - maturação da antera (= deiscência) e do estigma
(= receptividade), em tempos diferentes.
Didínamo – geralmente aplica-se as políneas, quando essas tem duas políneas grandes e duas pequenas.
Digitiforme - em forma de dedo.
Dióica - produz flores masculinas e femininas em indivíduos diferentes.
Diplóide – planta com duas séries de cromossomos, também conhecida como 2N.
Disco - região central do labelo.
Disjunção - separação; afastamento.
Disjunta – separada, isolada.
Dispersão - ato ou efeito de dispersar; disseminação.
Distal - apical.
Dística - órgão vegetal em que as partes que o formam estão dispostas em duas séries ou renques.
Distribuição – ato ou efeito de distribuir; divisão; repartição; partilha, ordenamento; classificação.
Distribuição fitogeográfica - designação dada à localização de uma determinada população numa área geográfica específica.
Distribuição neotropical - região biogeográfica que inclui México tropical, América central, América do sul, e as Antilhas.
Diszoocórica - dispersão, por roedores e macacos, de frutos e sementes.
Diversidade biológica – ver biodiversidade.
Divisão – técnica de reprodução vegetativa que consiste em cortar em duas ou mais partes um conjunto de raízes, uma touceira, um rizoma, ou outras partes subterrâneas; forma de obter novas plantas pelo corte do rizoma de uma orquídea simpodial em partes contendo pseudobulbos e rizomas, com gemas vivas, ou corte de uma parte superior do tronco de uma orquídea monopodial.
Divisão clonal - também chamada micropropagação ou cultura de tecido; na utilização desse método, emprega-se esteroscópio microscópio de boa resolução para facilitar a limpeza e seleção do meristema da orquídea a ser propagada.
DNA - ácido desoxirribonucléico, molécula orgânica complexa encontrada em todas as plantas e animais e na maior parte dos vírus, que contém a informação genética transmitida de uma geração a seguinte.
Dormência – um período de entorpecimento e repouso durante o qual não ocorre crescimento vegetativo, comumente após um período de crescimento ou a perda de folhas; normalmente requer temperaturas mais baixas e menos água.
Drenagem - estrutura ou operação para facilitar escoamento da água em vasos, outros recipientes e canteiros; material usado no fundo do vaso a fim de permitir que o "substrato" tenha escoamento perfeito da água.

- E -
Eciso – ápice da folha ou segmento floral com entalhe agudo.
Ecologia - ramo da Biologia que estuda as relações das plantas, dos animais e do homem com o meio, ou com o ambiente.
Ecossistema - conjunto formado por todos os organismos vivos que habitam uma determinada área, pelas condições ambientais dessa área, e pelas relações entre as diversas populações e entre essas e o meio; conjunto de características físicas de um local, incluindo o conjunto de organismos vivos.
Ecótipos - uma ou mais populações de uma determinada espécie diferenciada (s) genética e fisiologicamente, de tal modo a estarem adaptadas a condições específicas.
Efêmero - que dura um só dia; que dura pouco.
Elaióforo – glândula produtora de óleo que ocorrem em Sigmatostalix, Ornithocephalus e algus grupos de Oncidium.
Elastovicina - componente do caudículo que lhe dá a elasticidade.
Elipsóide - de forma elíptica.
Elíptico – em forma de elipse.
Elmiforme - em forma de elmo ou capuz.
Elmo – com a forma de um capacete, componente de uma armadura antiga para ser colocado na cabeça.
Elongada – alongada.
Emarginada – folha ou outro órgão foliáceo com pequena reentrância no ápice.
Embrião - germe de planta contido na semente; por extensão a plântula;
Endemismo - refere-se a grupos de plantas que ocorrem em uma única área, ou seja, são endêmicos daquela área.
Endosperma - substância nutritiva que envolve o embrião no interior da semente.
Endotécio - camadas de células que revestem as tecas da antera.
Endozoocórica - dispersão por animal, por ingestão de frutos e sementes não digestíveis.
Enquadramento sistemático ou hierarquia nomenclatural - classificação dos seres vivos de forma precisa em categorias taxonômicas, ou em grandes conjuntos, por ordem de grandeza, ou de hierarquia - reinos, divisões, classes, ordens, famílias, gêneros e, por fim, espécies, como se segue:
Reino VegetalDivisão MagnoliófitaClasse LiliidaeOrdem OrchidalesFamília OrchidaceaeGênero CattleyaEspécie Cattleya eldorado

Ensiforme – em forma de espada.
Entomófila - polinização por inseto.
Entrenó - o espaço entre dois nós consecutivos.
Epiderme abaxial - face inferior ou dorsal.
Epiderme adaxial – face superior ou ventral.
Epífita – planta que vive sobre outra, mas sem parasitá-la, usando-a apenas como hospedeiro, ou seja, sem retirar dela nutrientes, que lhe são providos pela chuva, pelo ar e detritos disponíveis.
Epiquílio – porção apical de alguns labelos de orquídeas.
Equitante – folhas conduplicadas onde as mais velhas envolvem as mais novas, da mesma gema, ou do mesmo broto.
Eroso – margem ruída, irregular.
Erva - planta, em geral, de pequeno porte, cujo caule contém muito pouco tecido lenhoso.
Escapo – pedúnculo sem folhas, que pode ser provido de brácteas ou escamas.
Escapo floral - inflorescência.
Escutelo - a parte posterior dos segmentos dorsais do tórax dos insetos.
Esfagno - musgo d'água, ótimo substrato para plantas jovens, por manter a umidade por mais tempo, podendo ser utilizado desde a aclimatação da muda nova até a primeira floração.
Esfingiófila - polinização pelos esfingídio.
Espata – bráctea que fica na base de uma inflorescência, muitas vezes membranosa, que protege a flor em botão.
Espécie – conjunto de plantas, ou outros seres vivos muito semelhantes que parecem ter um ancestral tão proximamente relacionado que suas características definitivamente os separam de qualquer outro grupo; várias espécies formam um gênero.
Espécime – indivíduo representativo de uma classe, de um gênero, de uma espécie, etc.; pode indicar também a espécie que tipifica um gênero.
Espermatófitas – plantas que possuem sementes como os pinheiros e as plantas floríferas.
Espiciforme - em forma de espiga.
Espiralada - em espiral.
Esporão - apêndice cônico existente na corola de algumas flores; no caso das orquídeas pode ser formado pelo labelo, pelos pétalos ou sépalos laterais; prolongamento do labelo, ou dos sépalos e pétalos, ou de todos esses apêndices juntos formando um nectário de formato reto e cônico.
Esporocórica - dispersão pelo vento de sementes pequenas ou frutos caídos.
Esporos – formação geralmente unicelular e uninuclear, capaz de germinar em condições determinadas, reproduzindo, vegetativa ou assexuadamente, o indivíduo que o formou; propágulo dos fungos.
Estame – órgão masculino da flor, onde se encontram a antera e os sacos polínicos, que encerram os grãos de pólen.
Estame fértil - estame provido de antera.
Estames exertos – estames que se projetam para fora da corola.
Estaminódio - estame estéril desprovido de antera; estame modificado, estéril; não possui a função original de produzir pólen; em alguns é petalóide e vistoso para atração dos insetos, como recompensa de alimento ou como engodo.
Estelidia – extensão apical da coluna de Bulbophyllum (estaminódios).
Estigma - parte superior do pistilo (órgão feminino da flor) sobre o qual o pólen será depositado, o que permitirá a sua fecundação.
Estômato – estrutura microscópica existente na epiderme das folhas e caules; constituída basicamente de duas células com reforço especial da parede, que se afastam e se aproximam, formando um poro pela qual se efetuam trocas gasosas entre a planta e o meio.
Estreito - que tem pouca largura.
Estria de Caspary – reforço especial de suberina das paredes radiais e transversais das células da endoderme, que em corte transversal aparece como pontos de forma lenticular.
Estuário - larga embocadura de um rio que forma um pequeno golfo.
Eufílica - flores extremamente adaptadas à visita dos polinizadores especializados.
Eutrópico - polinizador completamente adaptado para a utilização da flor, essa é a principal fonte da sua alimentação.
Evapotranspiração - total de água liberada para a atmosfera em determinada área, como resultado tanto da evaporação da superfície do solo como da transpiração dos organismos; é expressa em mm ou cm por dia.
Evolução - adaptação genética contínua dos organismos no ambiente; mudança direcional na freqüência do gene, ocasional, dentro de uma população ou séries de populações em resposta a fatores seletivos do ambiente; mudança ocasional dentro de uma população.
Ex sito – fora do ambiente natural.

- F -
Família - divisão lógica na classificação dos seres vivos em geral, abrangendo vários gêneros, ou não; termo usado para descrever um grande grupo de plantas que possuem certas características em comum; vários gêneros constituem uma família, que pode ser designada pelo nome latino ou sua tradução - Orchidaceae, por exemplo, é o nome da família de todas as plantas que possuem flores semelhantes às das orquídeas.
Fanerófila - polinização por mariposa.
Fauce – abertura do tubo da corola, do labelo em orquídeas.
Favas - fruto lembrando os frutos denominados de legumes ou favas das leguminosas, que ocorre na Vanilla, à Baunilha.
Fecundação – transferência do conteúdo da célula generativa do pólen para dentro da oosfera que se encontra dentro do óvulo; fusão dos gametas; nas plantas com sementes, houve diferenciação do tubo polínico, emissão da membrana interna do grão de pólen, a intina.
Fenologia - estudo dos fenômenos periódicos dos vegetais, incluindo as fases do ciclo vegetativo.
Ferrugem - infecção causada por determinados fungos, caracterizados por altas taxas de reprodução.
Fidelidade – grau que uma espécie esta restrita a uma determinada comunidade.
Filete - haste do estame que sustenta a antera.
Filiforme – com formato de fio.
Filogenia - história evolucionária de um grupo de organismos relacionados.
Filossistemática - estudo concentrado na filogenia e classificação primariamente teórica e sintética, freqüentemente, tratando de gêneros, famílias, ordens ou classes.
Filotaxia - forma pela quais as folhas se dispõem ao longo do caule.
Fimbriada (o) – estrutura com superfície ou borda finamente recortada; em forma de franja, principalmente com relação a segmentos finamente recortados.
Fimbrilhado – margem de folhas ou segmentos florais provida de apêndices filiformes, longos e mais espessos que cabelos.
Fitogeografia - distribuição de plantas e tipologias vegetacionais na face da Terra.
Fitossociologia – distribuição das plantas dentro de uma comunidade vegetal.
Flabelado – em forma de leque; flabeliforme.
Flâmea, flameada – flor que apresenta as pétalas coloridas, da cor de chama, imitando o labelo; é um tipo de peloria.
Floema - é o tecido das plantas vasculares encarregado de levar a seiva elaborada pelo caule até à raiz e aos órgãos de reserva.
Flor - órgão da planta adaptado à reprodução sexuada em que o pólen proveniente da parte masculina (estame) que é transferido para o ovário da parte feminina (estigma) para que se dê a fecundação e surjam então as sementes; um eixo com folhas metamorfoseadas que, em conjunto, constituem o aparelho sexual das plantas superiores; geralmente a característica mais vistosa da planta, a flor é um órgão composto de partes muito especializadas, relacionadas com a reprodução sexual; algumas plantas produzem flores que possuem apenas órgão masculino (estame) ou feminino (pistilo); essas partes em geral são circundadas por um anel de pétalas coloridas e sépalas verdes, embora haja diversas variações desse padrão; na maioria das plantas, os órgãos masculinos e femininos estão contidos na mesma flor; há algumas espécies, no entanto, que possuem flores masculinas e flores femininas.
Flora - um inventário de plantas de uma área ou região.
Flores dióicas - sexos em plantas diferentes.
Flores hermafroditas - dois sexos numa mesma flor.
Flores monóicas - sexos em flores diferentes na mesma planta.
Flores unissexuais – com apenas um dos sexos, ou masculino, ou feminino.
Floricultura - ocupa-se exclusivamente de plantas ornamentais para o corte de flores.
Florífera – que floresce freqüentemente.
Folha - expansão lateral e laminar do caule, de simetria bilateral e crescimento limitado, constituindo-se num órgão vegetativo com importantes funções metabólicas; órgão de produção de energia da planta; a luz, ao atingir a parte verde da folha, inicia o processo de fotossíntese; é uma estrutura que nasce de um caule ou de um ramo e que tem por função primária a produção de alimento por fotossíntese; tipicamente é constituída por limbo, pecíolo, bainha e um par de estípulas, mas qualquer dessas partes pode faltar.
Folha paralelinérvea - com nervuras paralelas.
Folha terete - folhas cilíndricas e engrossadas, com aparência de uma cebolinha; adaptação comum ao xerofitismo.
Forófitos – árvores que sustentam diversas epífitas; as epífitas são plantas autótrofas, portanto, não parasitas que se estabelecem diretamente sobre o tronco, galhos, ramos ou sobre as folhas das árvores sem a emissão de estruturas haustoriais.
Fotorrespiração – saída do ácido glicólico sintetizado nos cloroplastos e oxidando-se nas peroxisomas onde produz CO²
Fotossíntese – síntese de materiais orgânicos como o açúcar e demais carboidratos, a partir de água e gás carbônico, utilizando a luz como fonte de energia e cujo processo se dá nos cloroplastos.
Frasco – vasilha, normalmente de vidro transparente, usado para germinação de sementes ou micropropagação de meristemas de orquídeas e, ou outras plantas, em laboratório.
Fratiflexo - em ziguezague.
Frente - diz-se dos últimos pseudobulbos produzidos por brotação nas plantas simpodiais.
Fruto - qualquer ovário adulto contendo sementes; órgão resultante do desenvolvimento do ovário de uma flor, em geral por efeito de fecundação, embora em alguns casos o fruto possa resultar de um desenvolvimento ovariano determinado por outro estímulo que não a fecundação.
Fundido – soldado, concrescido.
Fungo - vegetal do grupo dos cogumelos.
Fungo endofítico – fungo que vive dentro das células de outra planta.
Funiliforme – em forma de funil.
Fusiforme – com a forma de fuso, como em alguns pseudobulbos.

- G -
Gamocarpelar - carpelos fundidos, concrescidos.
Garganta – a parte mais interna de um labelo tubular de orquídea.
Gema – tecido meristemático que origina o caule, a folha ou a flor; uma gema terminal localiza-se no ápice de um caule ou ramo lateral; a gema axilar fica na axila do pecíolo; as gemas de crescimento geralmente são protegidas contra danos e temperaturas baixas por escamas ou brácteas superpostas e compactas.
Gênero – um conjunto de orquídeas de um determinado gênero, ou outros seres classificados juntos, porque apresentam características similares e um presumível ancestral comum.
Geoquímico – estudo químico do globo terrestre.
Geotropismo - efeito da ação da gravidade sobre a direção e sentido do crescimento das plantas.
Germinação - é o primeiro estágio do desenvolvimento de uma semente dentro da planta; o sinal visível de germinação é o surgimento de uma plântula; a germinação pode ser rápida (4 a 6 dias) ou lenta (várias semanas ou até meses).
Gimnostêmio ou coluna - órgão central, em forma de coluna, das flores das orquídeas, constituído pela junção dos estames e do pistilo.
Gineceu – a parte feminina da flor; o pistilo, que por sua vez é formado de ovário, estilete e estigma.
Glabro - desprovido de pelos.
Glauco - verde-mar.
Globoso – esférico.

- H -
Hábitat – lugar onde um determinado organismo vive ou habita.
Hábito – aparência externa, forma de crescimento de um organismo.
Haste - parte da planta que sustenta alguma outra; órgão que sustenta a flor (pedúnculo, ou pedicelo), a folha (pecíolo) ou a antera (filete).
Haste floral - longo ramo desprovido de folhas que parte da base da planta e é guarnecido de flores.
Heliófila – que ocorre em pleno sol.
Hemífilica - flores imperfeitamente adaptadas à visita de polinizadores, medianamente especializados.
Herbácea - plantas que não possuem hastes lenhosas; diz-se da planta que desenvolve pouco ou nenhum tecido lenhoso.
Herbário – coleção de espécimes de plantas que passaram por um processo de prensagem e secagem, ordenadas de acordo com um determinado sistema de classificação, ou por ordem alfabética estando disponíveis para consultas e outros fins científicos.
Hercogamia – polinização cruzada.
Hermafrodita - flor provida de estames e pistilos.
Hemitrópico - polinizador intermediariamente adaptado para a utilização da flor.
Heterantia - dimorfismo de flores onde as flores basais são diferentes das apicais.
Heteroblasto - pseudobulbo com apenas um internó.
Hialino – destituído de cor, transparente.
Híbrido - planta derivada de dois pais geneticamente diferentes; a polinização cruzada pode ocorrer entre as plantas de espécies diferentes dentro do mesmo gênero; as plantas originadas de tais cruzamentos são chamadas de híbridos primários, e em geral, possuem algumas das características de ambos os pais, mas que podem se assemelhar mais a um que a outro; a polinização cruzada também é possível, embora rara, entre plantas de gêneros diferentes, como é o caso da X Brassocattleya rubyii um híbrido natural da Cattleya eldorado x Brassavola martiana; esses cruzamentos denominam-se híbridos intergenéricos; diversos híbridos originados naturalmente são estéreis, ou tem o número de sementes, com embriões vivos, diminuídos.
Híbrido intergenérico - híbrido entre plantas ou híbridos de dois ou mais gêneros.
Híbrido natural – que ocorre na natureza, sem interferência do homem.
Hidrocórica - dispersão pela água de frutos e sementes.
Hidrófila - polinização pela água.
Hierarquia taxonômica – as espécies são agrupadas num sistema hierárquico de taxa ascendentes: Gênero, Família, Ordem, Classe, Divisão, com seus respectivos subgrupos.
Hifas – qualquer filamento de um micélio.
Higrófito – vegetais adaptados à vida em ambientes de elevado grau de umidade.
Hipoderme – tecido subepidérmico, de um ou mais estratos de células com a mesma aparência das células da epiderme.
Hipoestomática – apresenta poucos estômatos.
Hipoquílio – parte basal do labelo de algumas orquídeas.
Homoblasto – pseudobulbo com vários internós.
Homogâmica - deiscência da antera e receptividade do estigma coincidentes, potencialmente autofecundável.
Horticultura - cultivo de plantas, em sentido genérico, o trato de hortas, pomares e jardins; pesquisa cultura e produção de plantas utilitárias ou ornamentais, no caso das orquídeas – orquidicultura.
Hospedeiros específicos - diz-se daquele que hospeda um outro organismo específico.
Húmus - mistura de plantas, ou outras partes de plantas parcialmente decompostas, usada na mistura de solo para enriquecê-la com nutrientes; o húmus apresenta propriedades bactericidas e torna a mistura de solo mais porosa; pode ser encontrado naturalmente sob árvores decíduas, ou preparado com folhas em estado de decomposição; o termo húmus também é usado para definir o material formado em parte pela decomposição de restos animais e vegetais.

- I -
Igapó - vegetação típica dos rios de água preta como o rio Negro, mas podendo ocorrer nos lagos da Várzea.
Igarapés – pequeno riacho.
Impactadas - áreas que sofreram alterações naturais ou antrópicas bruscas, em todo o meio ambiente, ou em alguns de seus componentes.
In situ -– locução latina que significa “no lugar”, no local, no campo.
Inflorescência – qualquer sistema de ramificação (racimo, panícula ou escapo) terminado em flores; grupo de duas ou mais flores numa mesma haste ou pedúnculo; conjunto de flores.
Inflorescência apical ou terminal - que termina no ápice do pseudobulbo.
Inflorescência axilar - que se desenvolve na axila das folhas.
Inflorescência capituliforme – inflorescência com a forma de um capítulo.
Inflorescência do tipo cacho - flores distanciadas entre si, ao longo do eixo e pedunculadas.
Inflorescência do tipo espiga - flores distanciadas entre si, ao longo do eixo e sésseis.
Inflorescência do tipo panícula – eixos laterais distanciados entre si, com flores pediceladas.
Inflorescência do tipo racimo - eixo principal da inflorescência maior do que os ramos.
Inflorescência lateral – que se desenvolve na base, ou na lateral do pseudobulbo.
Inflorescência polígama – com flores unissexuais masculinas, unissexuais femininas e hermafroditas.
Inflorescência secunda - com flores voltadas para um só lado.
Inflorescência simples - flores sobre um único eixo.
Intergenérico – cruzamento entre dois ou mais gêneros, resultando um híbrido intergenérico.
Interno - espaço de um nó a outro.
Introgreção genética - introdução de um ou mais genes de uma espécie em outra espécie através da hibridação.
Involuta – quando na prefoliação as margens da folha estão enroladas.
Istimo – Parte intermediária estreitada de um labelo bilobado ou quadrilobado.

- K -
Keiki – plântulas que emergem na base de determinados gêneros, ou nas hastes florais, como em Epidendrum, inicialmente com folhas e raízes, que, com determinado tamanho, podem ser retiradas e replantadas, constituindo uma nova planta.

- L -
Labelo – a terceira pétala de uma flor de orquídea, maior e mais vistosa, modificada pela evolução num labelo (com a forma de lábio) quase sempre um atrativo lugar para a aterrissagem dos polinizadores.
Labelo articulado - labelo flexível ou versátil.
Lameliforme - em forma de lamelas ou lâminas.
Lanceolada (o) - com forma de lança; mais longa que larga, estreita-se em direção ao ápice; larga no meio, atenuando-se para as extremidades, em forma de lança.
Lanciforme – em forma de lança.
Laxa – frouxa.
Lençol freático - reserva natural de água que se encontra sob o solo.
Liana - trepadeira de caule lignificado.
Ligulado – órgão em forma de pequena língua ou fita.
Liliopsida (= Monocotiledônea) - possuem raízes fasciculadas, folhas paralelinérveas e flores trímeras.
Limbo - lâmina de uma folha; a porção terminal e larga de uma pétala.
Linear - folha estreita e com bordos paralelos.
Linear – órgão longo, estreito, de bordas paralelas ou quase.
Líquens - associação mutualística entre algas e fungos.
Litófila – orquídea, ou outra planta que cresce, ou se desenvolve entre pedras; rupestre, rupícola.
Lobeliforme – projeção arredondada, podendo ser laminar ou de outro formato.
Lobo - cada uma das projeções arredondadas da margem de certas folhas, ou do pétalo, ou do labelo das orquídeas.
Lobos laterais – os dois lobos de cada lado do lobo central de um labelo trilobado.
Lóbulo – recorte pouco profundo e arredondado.
Lóculos - pequenas lojas; cavidades de um ovário ou antera, em que se encontram, respectivamente, os óvulos e os grãos de pólen.
Luniforme – em forma de lua crescente.
Lux - unidade de intensidade de iluminação correspondente à iluminação de uma superfície que recebe de um modo uniforme o fluxo luminoso de um lúmen por metro quadrado.
- M –
Macrantha -
Magnoliófita (=Angiosperma) - ou seja, as plantas que produzem flores e frutos.
Magnoliopsida (=Dicotiledônea) – com raiz pivotante ou axial, as folhas possuem nervuras reticuladas e as flores podem ser pentâmeras ou tetrâmeras.
Manejo - dos recursos do ambiente, ar, água, solo minerais e espécies viventes, incluindo o homem de modo a conseguir a mais alta qualidade de vida sustentada.
Malacófila - polinização por caramujo.
Margem - borda de folha, sépala ou pétala da flor; pode ser lobular ou denteada, e também de cor diferente do corpo da flor ou da folha.
Mata ciliar – área estreita da beirada dos diques marginais dos rios.
Mata de galeria – formação vegetal com qualquer grau de caducidade, que orla um ou os dois lados de um curso d’água, onde a vegetação do interflúvio não é contínua, como no campo de terra firme ou savana.
Meio de cultura - material onde são cultivadas as orquídeas.
Melitófila - polinização por abelha.
Mento – uma extensão na base da flor, formada pelo pé da coluna e as sépalas laterais.
Mericlone – uma cópia exata de uma orquídea, salvo alterações genéticas, feita em laboratório pela técnica de propagação de tecidos meristemáticos; como um cultivar, deve ter seu nome escrito entre aspas simples.
Meristema – tecido que se caracteriza pela ativa divisão de suas células e, que produz as novas células necessárias ao crescimento da planta; ex.: gemas, pontas de raiz e outros.
Meristemagem – técnica de laboratório que consiste em fazer novas plantas mediante propagação de tecidos meristemáticos; micropropagação meristemática.
Mesofilo - parênquima fotossintetizante da folha, localizado abaixo da epiderme.
Mesoquílio – parte mediana do labelo de algumas orquídeas.
Micélio – talos dos fungos, composto de filamentos, ditos hifas, destituídos de clorofila.
Micorriza – associação íntima de raízes de uma planta com as hifas de determinados fungos, necessária à germinação simbiótica de sementes de orquídeas.
Microclima – condições climáticas em uma zona muito reduzida de uma região climática extensa.
Mirmicofilia – plantas que vivem em simbiose com as formigas, oferendo casas para elas; as fornigas dão-lhes proteção contra herbívoros e acumulam humos necessários para o desenvolvimento das plantas.
Mimercófila - polinização por formiga.
Miófila - polinização por díptera, drosófila.
Mitose – divisão celular em que o núcleo forma cromossomos e esses se bipartem, produzindo dois núcleos, com o mesmo patrimônio original.
Monandra – apresenta um só estame no androceu da flor.
Monoclina hermafrodita - dois sexos numa mesma flor.
Monofílicas - flores eufílicas visitadas por um ou um grupo de polinizadores intimamente relacionados.
Monofoliada – apresenta apenas uma folha por pseudobulbo.
Monóica - produz flores masculinas e femininas na mesma planta.
Monopodial – tipo de ramificação lateral em que o eixo principal mantém-se retilíneo e uniforme, gerando ramos menores que ele; ex. Vanilla, Campylocentrum, entre outros.
Monotrópico - polinizador altamente adaptado para utilização de uma única flor ou flores de espécies extremamente relacionadas.
Mucronado - terminado por um pequeno dente, ou abruptamente acuminado.
Muda ou “seedling” - planta jovem, que ainda não floresceu obtida da germinação da semente, por cultura de tecidos, ou por divisão vegetativa.
Multiflora – apresenta muitas flores.
Musgo - as briófitas constituem um grupo de plantas verdes, sem raízes, mas com rizóide composto por pêlos absorventes e também sem um verdadeiro caule ou folhas; são as primeiras plantas que apresentam estômato na base da cápsula, mas que não possuiu o movimento de abertura e fechamento do ostíolo (poro para as trocas gasosas).
Mutualismo - associação de dois seres animais ou vegetais, em que ambos tiram proveito da ligação.

- N -
Necrocoleopterófila - polinização por besouro de material em decomposição.
Néctar – líquido açucarado que as orquídeas e outras plantas segregam em tecidos específicos, denominados de nectários.
Nectário – estrutura glandular que produz néctar, podendo ser de diversos tipos, localizados na flor (nectários nupciais), tomam parte ativa no processo de polinização; ou nelas ou fora delas (nectários florais e extraflorais), funcionando apenas como proteção a herbivoria.
Nematóide – verme cilíndrico que apresenta espécies capazes de parasitar plantas.
Nervação - distribuição das nervuras ou conjunto das mesmas; o mesmo que inervação ou venação.
Nervura - feixes de vasos que irrigam as folhas, com aspecto filamentoso e ramificado.
Nidoepífitas - termo utilizado por Frederico Carlos Hoehne, grande orquidólogo brasileiro, para as espécies que crescem nos topos dos troncos das árvores, e depois da bifurcação principal da raiz, produz raízes finas.
Nó – um ponto de junção ou encaixe, numa inflorescência, caule ou pseudobulbo, de onde podem emergir uma haste floral, folhas ou mesmo raízes.
Nome científico ou epíteto específico de uma planta - combinação binária do gênero, ou nome genérico mais o nome específico; por exemplo: Catasetum barbatum, é o epíteto específico de uma orquídea; Catasetum constitui o gênero, nome alusivo às duas antenas que partem de sob a antera e se dirigem para o centro do labelo, sempre escrito como a letra maiúscula; barbatum constitui o nome específico, dessa orquídea, nome alusivo às barbelas que adornam o labelo, sempre escrito com letras minúsculas.
Nome do autor do taxon - deve acompanhar o epíteto específico; por exemplo: Catasetum barbatum Lind., Lind., constitui a abreviatura de John Lindley, botânico inglês, que descreveu a espécie.
Nome do gênero - um substantivo singular em número, ou uma palavra tratada como tal.
Nome específico - geralmente um adjetivo, em Catasetum roseum Reichb. f. 1972, roseum= róseo, mas pode ser um substantivo adjunto.
Nomenclatura - conjunto de regras ou sistemas de nomes para taxa, sendo binomial para nome específico.
Nomenclatura binomial – expressão de dois nomes, em latim, ou grego latinizado, método científico de nominar seres existentes, com o primeiro termo (com inicial maiúscula) um substantivo significando o gênero e o segundo um adjetivo (com inicial minúscula) significando a espécie; deve ser grafado em itálico. Ex.: Cattleya violacea, Cattleya luteola.
Nominação de taxa em nível de família ou de categoria menor - quando um taxon é descrito pela primeira vez, o autor, obrigatoriamente deve indicar em qual material baseou-se para nominar o taxon em questão; o nome de taxa acima da categoria de família também está preso à necessidade de indicação de tipo nomenclatural, quando os seus nomes são baseados em nomes genéricos.

- O -
Objetivo das regras nomenclaturais - colocar a nomenclatura do passado em ordem e normalizar a nomenclatura futura; nomes contrários às regras não podem ser mantidos.
Oblonga - com base e ápice arredondados.
Obtusa - folha terminando num vértice arredondado.
Oligofílicas - flores hemifílicas, visitadas por alguns taxa de polinizadores relacionados.
Olho - gema das orquídeas, mais comumente nas simpodiais, que está com capacidade para desenvolver novo pseudobulbo.
Ombrófila – chuvosa; floresta chuvosa, “rain forest”, a floresta típica da Hiléia Amazônica.
Ondulada - margem de folha ou pétala que possui borda ondulada.
Oposta – folha que forma par com outra que nasce no mesmo nó, mas no lado oposto.
Orbicular – o mesmo que circular.
Órgão tibial – estrutura glandular que ocorre nas curbículas das dos machos das abelhas Euglossinae.
Origem - princípio; primeira; causa determinante; começo; nascente; proveniência; nascimento; naturalidade; procedência; base; tronco de gerações.
Origem dos nomes genéricos e nomes específicos podem originar-se de qualquer palavra, ou compostos arbitrariamente, mas sempre deverão ser latinizados.
Ornitocórica - dispersão por pássaros, por ingestão de frutos ou sementes não digestíveis.
Ornitófila - polinização por pássaro.
Orquidófilo – que aprecia, cultiva orquídeas.
Osmóforo - células formadoras do tecido produtor de odor que e constituído por terpenóides ou ácidos aromáticos,
Oval - contorno que lembra o corte longitudinal de um ovo.
Ovário - parte basal do pistilo que contém os óvulos; as sementes são formadas da fecundação dos óvulos; a parede do ovário transforma-se na parede do fruto.
Ovário ínfero – ovário inferior; ovário inserido no receptáculo e concrescido com suas paredes e, estames fixados acima do ovário.
Ovário trilocular – com três lojas, ou lóculos.
Ovário unilocular - com apenas uma única loja, ou lóculo.
Ovóide (es) – com forma de ovo.
Óvulo – estruturas contidas no ovário, a célula ovo que se transforma na semente; megasporângio envolvido por um ou dois tegumentos; denominado no óvulo das espermatófitas de nucela; no seu interior está alojado o megásporo denominado de saco embrionário e dentro desse alojam-se a oosfera e os núcleos polares.

- P –
Paleácea - textura, cor e aspecto de palha.
Paleoecologia - visa o entendimento das relações entre os organismos antigos e seus ambientes.
Palminérvea - nervuras em forma de palma.
Pandurado – em forma de violino.
Panícula – inflorescência do tipo cacho composto, em que os ramos vão crescendo da base para o ápice, assumindo uma forma aproximadamente piramidal; formada por um cacho grande de flores pediceladas (com haste curta); inflorescência composta na qual do eixo principal partem outros eixos secundários que portam flores; um cacho de cachos.
Pantropical – distribuído em todas as regiões tropicais.
Paralelinérvea - nervuras paralelas.
Parasita - vegetal que suga a seiva elaborada de outro vegetal, o que não acontece com as orquídeas.
Parênquima paliçádico isobilateral – tecido formado por células alongadas providas de cloroplastos em ambas as faces da folha.
Patente – estendido, aberto, plano.
Patógeno – organismo que tem a habilidade de produzir doenças.
Pauciflora – poucas flores.
Paucifoliado – poucas folhas.
Pé da coluna – projeção que ocorre na base da mesma; prolongamento da coluna onde o labelo geralmente se insere.
Pecíolo - haste de ligação entre o limbo da folha e o ponto em que ela se insere no caule ou no ramo.
Pedicelo – haste que suporta uma flor (e mais tarde um fruto) numa inflorescência composta; o mesmo que pedúnculo em inflorescência simples.
Pedúnculo - haste que sustenta flores em uma inflorescência simples.
Peloria – anomalia vegetal, comum nas orquídeas, em que uma flor zigomorfa (com um só plano de simetria, simetria bilateral) mostra tendência a se tornar actinomorfa (com várias simetrias, radiada, ou seja, que permite que sejam traçados vários planos de simetria). Ex: orquídea trilabelada.
Pelórico – que apresenta peloria; peloriado.
Peltada - que tem o pecíolo inserido fora da margem da folha.
Peninérvea - nervuras ramificam-se em nervuras secundárias, dispostas como as bordas de uma pena.
Perene - planta que pode viver por tempo indefinido.
Pérgula - estrutura de jardim formada por duas filas paralelas de colunas que suportam as traves transversais e que serve de apoio a plantas trepadeiras.
Perianto - conjunto de invólucros de uma flor, isto é, o cálice e a corola.
Persistente - folhagem, ou outro órgão que ao longo do ano não cai, nem mesmo durante o período anual de repouso, se houver.
Pétala (o) - geralmente a parte mais vistosa da flor; as pétalas protegem os órgãos sexuais da flor e, quando coloridas, servem para atrair insetos polinizadores; o conjunto das pétalas de uma flor chama-se corola; segmento que compõe a corola, invólucro floral por dentro do cálice; podem ser livres ou concrescidas e geralmente formam a parte mais vistosa da flor, com cores as mais variadas; em orquídeas, os três segmentos que se posicionam entre as três sépalas (os), um deles modificado como labelo.
pH - símbolo de conveniência para expressar grau de acidez, numa escala de vai de 0 a 14 e na qual o valor 7 representa a neutralidade (equilíbrio entre ácido e alcalino), valores superiores indicam alcalinidade crescente e valores menores acidez também progressiva; cada unidade de pH representa acidez ou alcalinidade 10 vezes superior ao da medida anterior - solo com pH 5 é 10 vezes mais ácido do que o solo com pH 6 e solo com pH 8 é 10 vezes mais alcalino do que solo de pH 7.
Piloso – superfície coberta de pêlos curtos e finos.
Pintalgado - com pequenas manchas.
Piriforme – em forma de pêra.
Pistilo - órgão feminino da flor; compreendendo o estigma, o estilete e o ovário.
Piterocórica - dispersão pelo vento de sementes ou frutos alados.
Placa de Petri – placa de vidro de pirex utilizada em laboratório.
Placenta - parte do carpelo a que se ligam os óvulos.
Placentação Parietal - óvulos fixados a parede do ovário.
Planta esclerofila – apresenta estruturas com alto conteúdo de tecido de sustentação.
Plantas Floríferas – são as Magnoliófitas (=Angiospermas), ou seja, as plantas que produzem flores e frutos e possuem dupla fecundação; apresentam flores verdadeiras, com estames, pistilo e ovário.
Plântula – pequena planta recém-nascida; uma orquídea nova, que ainda não floresceu; “seedling”.
Pleistoceno – período das eras geológicas, no início do Quaternário, onde ocorreu a última glaciação ou esfriamento da face da Terra.
Pleuranta – com inflorescência lateral.
Plicado - provido de pregas.
Poda - técnica de remoção por corte, de pseudobulbos, folhas, e outras partes de uma planta, a fim de eliminar tecidos mortos ou supérfluos, controlar o tamanho e estimular certas reações favoráveis ao desenvolvimento e à preservação.
Pogonocórica - dispersão pelo vento de sementes e frutos plumosos.
Pólen – espécie de fina poeira que esvoaça das anteras das plantas floríferas e cuja função é fecundar os óvulos, representando, assim, o elemento masculino da sexualidade vegetal; pó produzido e contido nas anteras, constituído por diminutos grãos capazes de produzir um tubo que, a partir do estigma em que o pólen adere, percorre todo o estilete e atinge o ovário para nele fecundar um óvulo e dar início à formação de um fruto.
Policórica - mais que um agente dispersor, podendo na mesma planta, apresentar frutos adaptados, para a dispersão por animal, ou pelo vento.
Polifílicas - flores hemifílicas visitadas por uma grande quantidade de polinizadores de taxa diferente.
Polígama - possui flores masculinas, femininas e andróginas na mesma planta.
Polínias ou políneas – tétrades de grãos de pólen ou massa de consistência gelatinosa, pulverulenta, cerosa ou cartilaginóide (parte masculina da flor); políneas ou polínias são as massas agrupadas de pólen comuns nos grupos mais avançados de orquídeas; são geralmente associadas a outras estruturas peculiares de orquídeas; na ponta da coluna você encontra as anteras geralmente globulosas com pequenas subdivisões, câmaras polínicas, dentro das quais se formam as polínias; ao conjunto de polínias chamamos polinário; em Cattleya e Brassavola há um pequeno apêndice, amarelo, originado do tecido das polínias, que se chama caudículo e que adere ao inseto polinizador; em outros grupos, tais como Oncidium, Catasetum, Zygosepalum, Stanhopea, Maxillaria, etc., esses caudículos são quase inaparentes e há uma estrutura diferente, como uma pequena haste alongada, geralmente branca e originada de tecido da coluna e não da polínia; esse é chamado estípite; na sua extremidade oposta as polínias freqüentemente há um outro tecido aderente, que é chamado de viscidium e ajuda essa estrutura toda (polinário+estípite+viscidium) a aderir ao polinizador; grupos mais primitivos, tais como Sobralia, Epistephium e Cleistes e muitas outras terrestres tem o pólen granuloso ou farináceo e mais ou menos solto, ao invés de agrupados em políneas.
Polinizadores – transportadores dos pólens até o estígma.
Poliplóide - com um número de séries de cromossomos maior que dois e, que normalmente, apresenta flores com ganho de tamanho e forma.
Poliploidias - com três ou mais séries de cromossomos.
Politrópico - polinizador generalista, com adaptação intermediária para a utilização da flor; visita muitas flores de taxa diferentes.
Ponto de compensação de CO2 - existem consumo e produção de CO² e esse equilíbrio é denominado de ponto de compensação.
Posição ínfera – na parte inferior.
Posição taxonômica - estatus do taxon ou taxa dentro de um sistema hierárquico.
Primatocórica - dispersão por macacos de frutos ou sementes não digestíveis.
Princípios do Código - formam a base do Sistema de Nomenclatura Botânica.
Propagação vegetativa – a criação de novas plantas mediante divisão (corte) formação de “keikis”, ou métodos meristemáticos, mas não por semente.
Propágulo – qualquer estrutura, conjunto de células ou mesmo gemas especiais que servem à propagação ou multiplicação vegetativa de uma planta; organela de reprodução.
Protocormo - o ápice do broto de uma planta adulta se rejuvenesce (passa da fase adulta à juvenil); são obtidos fazendo-se com que o meristema fique em agitação para perder a polaridade de crescimento; os protocormos obtidos por germinação de sementes têm muitas semelhanças com os produzidos a partir de ápices isolados de brotos.
Protogenia – órgãos reprodutivos femininos de uma flor amadurecendo antes dos masculinos, favorecendo a fecundação cruzada.
Protogênica - receptividade do estigma primeiro.
Províncias ecológicas – regiões com características e espécies próprias.
Pseudobulbo – um bulbo falso ou parte da planta, que armazena água e substâncias nutritivas; nas orquídeas epífitas, o pseudobulbo consiste num caule espessado que emerge do rizoma a intervalos e serve de órgão de armazenamento.
Pseudobulbo traseiro - um velho pseudobulbo, freqüentemente sem folhas, simpodial, que ainda está vivo e, às vezes, pode ser usado para propagação de uma nova planta, desde que ainda possua gemas saudáveis.
Psicófila - polinização borboleta.
Pubescente – superfície densamente coberta de pêlos finos, curtos e macios.
Pulverulento – coberto ou cheio de pó; semelhante a pó.

- Q -
Quadrangular – com quatro ângulos.
Quiropterocórica - dispersão por morcegos de frutos e sementes não digestíveis.
Quiropterófila - polinização por morcego.
- R -
Racimo – inflorescência indefinida nas quais as flores são pedunculadas e se inserem no eixo a distância considerável umas das outras; o mesmo que racemo ou cacho.
Radícula - raiz do embrião de plantas floríferas.
Ráfia – cordão ou fita para amarrar uma planta.
Raiz – órgão de fixação do vegetal ao solo ou onde esteja ancorado, por onde retira água e nutrientes, com variáveis morfologias interna e externa; no caso das orquídeas epífitas, as raízes não absorvem nutrientes dos hospedeiros.
Raiz “nua” – método para despachar uma orquídea, retirada do vaso e com as raízes limpas de substrato.
Raiz respiratória – ocorre em plantas que vivem em locais alagados e crescem com geotropia negativo (para cima).
Raiz suporte – ocorrem em plantas de locais brejosos ou de solo raso.
Raiz aérea - que se desenvolvem no ar, emitidas por caules aéreos; suas funções são freqüentemente, a de segurar a planta a árvores ou a outros suportes e a de absorver umidade do ar; raiz que aparece em nós; essas raízes costumam ser usadas pelas orquídeas trepadeiras para subir, mas também absorvem umidade do ar; muitas só se desenvolvem bem se conseguem prender-se a um meio adequado para enraizamento, como, por exemplo: raízes no nó das folhas da Vanilla, a Baunilha.
Raízes fasciculadas – sem uma raiz principal, ou pivotante.
Raízes tuberculares - partes subterrâneas desenvolvidas e carnosas de certas orquídeas.
Raízes tuberosas - órgão originado do caulículo do embrião, e tem a função de sustentação, condução da seiva bruta e armazenar substâncias nutritivas.
Ramicauli – apresenta ramos no caule.
Ramo - subdivisão do caule.
Raque – eixo da inflorescência.
Rebento - também conhecido como broto ou filhote; é uma planta nova produzida pela planta-mãe em sua base, ou em estolhos curtos, ou em inflorescências velhas, em geral destacáveis.
Recomendações nomenclaturais - trata de pontos subsidiários do código de nomenclatura botânica, seu objetivo é produzir grande uniformidade e clareza, especialmente no futuro tratamento nomenclatural; nomes contrários a uma recomendação não são rejeitados, mas eles não são bons exemplos a serem seguidos.
Reflexo – fôlha, bráctea, pedicelo, etc., voltados para a base do caule, ou qualquer outro eixo, em que se inserem.
Regras e recomendações - são aplicáveis a todos os organismos tratados como plantas (incluindo fungos e algas azuis, mas excluindo outros grupos de procariontes); cláusulas especiais são necessárias para certo grupo de plantas, como o “Código Internacional de Plantas Cultivadas”.
Reniforme – com a forma de rim.
Reprodução alogâmica - polinização de uma flor pelo pólen de outra.
Ressupinação - movimento que a flor faz, de até 180º, antes de abrir-se, colocando o labelo em posição horizontal; pode ser feito de várias formas; o mais comum é a torção do ovário e pedúnculos florais.
Ressupinado – órgão ou segmento vegetal que está invertido em relação à posição normal; em orquídeas, aquelas flores cujos labelos estão posicionados para baixo em relação ao eixo da inflorescência.
Ressupinar - ato ou efeito de tornar ressupinado; no caso da grande maioria das orquídeas, o labelo está voltado para cima dentro do botão da flor e tomando a posição ínfera quando da abertura da mesma.
Retrorso (a) - diz-se do órgão voltado para trás.
Revoluta – enrolada ou revirada para trás.
Rizoma – caule que se desenvolve horizontalmente, sobre o solo ou substrato, de onde emergem os pseudobulbos das orquídeas simpodiais.
Rombóide – em forma de placa chata, reto, truncado.
Roseta - distribuição de folhas que irradiam de um mesmo centro.
Rostelo - parte estéril do estigma das orquídeas que separa a cavidade estigmatífera da antera; possui vários formatos.
Rupestre - nasce ou se desenvolve entre rochas; litófila, rupícola.
Rupícola – nasce ou se desenvolve entre rochas; litófila, rupestre.

- S -
Sacado - em forma de saco.
Sagitada (o) - folha ou labelo com a forma de seta; de ponta aguda e base fendida, como uma ponta de lança; forma de seta, isto é, pontiaguda e com base bilobada, sendo os lóbulos igualmente pontiagudos; o mesmo que sagitiforme.
Saprófito – organismo que vive da matéria orgânica morta.
Sapromiófila - polinização por mosca.
Saxícola – que ocorre em plena pedra.
Seedling – plântula, uma orquídea nova ainda não florida.
Segmento - cada uma das partes em que se subdividem certas estruturas vegetais, particularmente, cálice, corola e labelo.
Seiva - líquido rico em nutriente que circula pelas plantas.
Self – orquídea obtida pela fertilização da mesma flor, aplicando-se o seu pólen sobre o próprio estigma.
Semente - o óvulo desenvolvido após a fecundação, contendo o embrião, com ou sem reservas nutritivas, protegido pelo tegumento; parte fertilizada e madura de uma planta florífera, capaz de germinar e produzir uma nova planta; as sementes variam de tamanho e forma.
Semialba – variedade de orquídea com pétalas e sépalas brancas e labelo colorido.
Sempre-verdes - plantas que mantêm as folhas o ano todo.
Sépala (o) - parte externa da flor, geralmente verde, que protege os órgãos de reprodução; segmentos que compõem o invólucro exterior (cálice) da flor periantada, podendo ser livres (cálice dialissépalo), como em Cattleya, ou fundidos total ou parcialmente em uma só peça (cálice gamossépalo), como em Phragmipedium, Pleurothallis, Masdevalia, Stelis, entre outras.
Sépala (o) dorsal – aquela que se posiciona na parte superior da orquídea.
Sépala (o) lateral - na maioria das orquídeas, aquelas duas que se apresentam nas laterais, apontando para baixo, formando um triângulo com a sépala dorsal.
Septo – parede que separa os segmentos das hifas ou de esporos dos fungos.
Serrada - com margem finamente denteada.
Séssil - desprovida de pecíolo (folha) ou de pedúnculo, ou pedicelo (flor).
Serrilhada – margem da folha ou segmento floral em forma de dente de serra.
Sigma - denominação da letra grega correspondente ao S latino.
Sigmóide - que tem a forma de sigma.
Simbiose - processo de propagação das plantas, na natureza, em que o embrião das sementes, é impregnado pelas hifas de determinados fungos do gênero Rizoctonia formando associação íntima do tipo micorriza, que vive em simbiose nas raízes; esse fungo transforma a água, o ar e os detritos que são depositados nas raízes, em elementos nutritivos para que as sementes germinem.
Simetria - quando se observa no vegetal, pelo menos, um plano de simetria, isso é um plano que o divide em duas partes iguais.
Simpetalia – fenômeno de concrescimento de pétalas em maior ou menor extensão.
Simpodial – tipo de ramificação lateral em que o eixo não prevalece, sendo substituído por outro ramo, que, posteriormente, será substituído por outro, horizontalmente, de forma mais irregular que na ramificação monopodial; no caso das orquídeas, o tipo de crescimento dos rizomas que, após o crescimento de um pseudobulbo e sua floração, desenvolve uma gema na base do pseudobulbo e iniciam novo crescimento, sempre seguindo horizontalmente, em frente ou irregularmente.
Síndromes de polinização - conjunto de estratégias e mecanismos de polinização, que condicionar o tipo de polinizador.
Sinsepalia – fenômeno de concrescimento de sépala (o)s em maior ou menor extensão.
Sistema de Classificação – o produto do processo de classificação; necessita de uma hierarquia de taxonômicas na quais as unidades nomeadas e os grupos são colocados.
Sistema de nomenclatura - uniformizado pelo “International Code of Botanical Nomenclature” que, é um sistema simples e preciso para tratar os nomes e níveis de grupos taxonômicos ou unidades e, por outro lado, normaliza o nome científico aplicado a um grupo individual de plantas.
Sistemática - ciência que estuda a diversidade dos organismos com relação as suas relações naturais.
Sistemática artificial - sistema estritamente utilitário, baseado no hábito, cor, forma e outras características similares.
Sistemática filogenética - baseado na evolução do taxa, derivado de num ancestral comum.
Sistemática mecânica - utiliza uma ou poucas características selecionadas como caracteres.
Sistemática natural - sistema baseado na evolução das formas.
Sistêmico – inseticidas, fungicidas e outros pesticidas que quando aplicados, são absorvidos pelas folhas, atuando de dentro da planta.
Sombrite – tela de sombreamento de nylon preto, com vários níveis de sombra.
Subulado – folha em forma de agulha.
Substância mucilaginosa - substância viscosa que se encontra em quase todos os vegetais.
Substâncias alelopáticas – substâncias químicas liberadas por um vegetal que inibem o crescimento do outra (s) espécie (s), ou mesmo a (s) mata (m).
Substrato – o meio, o material ou mistura de materiais usado para se plantar uma orquídea, envolvendo suas raízes e onde essas podem se desenvolver adequadamente; no Brasil, são mais comuns o xaxim em fibra (raízes de samambaia), esfagno (musgo), coxim (fibras de coco), cascas de pinhos e outras madeiras, piaçava ou piaçaba (fibras de folhas de determinadas palmeiras) pedaços de carvão, cascalho fino, etc.; para orquídeas terrestres e rupícolas há outros substratos, que incluem terra, areia, compostos orgânicos etc.
Subtropical - que se encontra entre os trópicos; intertropical; que tem características semelhantes às dos trópicos.
Suculenta - possui folhas ou hastes carnosas que armazenam água.
Sulcado – com sulcos.

- T -
Tampão - diz-se da solução capaz de manter o pH quando são adicionadas pequenas quantidades de ácidos ou bases, ou quando a solução é diluída.
Taxa - um conjunto de taxon.
Taxon - um grupo taxonômico, como espécie, gênero, família, ou um nível mais elevado, constitui a unidade básica da classificação.
Taxonomia - ciência concentrada nos princípios, regras e procedimentos de classificação.
Tépala (o)s - quando não se distingue os segmentos do cálice da corola; componente de um perianto não diferenciado em sépalas e pétalas.
Terete -– que tem forma cilíndrica, redonda; teretiforme. São caules ou folhas cilíndricas e engrossadas. É uma adaptação comum ao xerofitismo.
Tereticaule -– que tem caule cilíndrico.
Teretifoliado – que tem folhas de seção circular.
Terrestre – vivem no solo ou em pouco substrato, normalmente em detritos vegetais, sobre o solo.
Tétrade - número quatro; grupo de quatro; tétrada.
Tetragonal – com quatro ângulos.
Tetraplóide – com quatro séries de cromossomos, também conhecida como 4N e que normalmente apresenta flores com ganho de tamanho e forma.
Tipo Nomenclatural e suas categorias – é aquele elemento que o nome do taxon está permanentemente ligado com o nome correto ou sinônimo; o tipo nomenclatural, o Tipo (Typus), necessariamente não é o mais típico ou representativo elemento do taxon: Holótipo (Holotypus) exemplar ou ilustração escolhida pelo autor e citados na publicação original (protólogo); Isótopo (Isotypus)-duplicata do Holótipo; Parátipo (Paratypus) qualquer exemplar adicional citado ao lado do Holótipo na descrição original, mas de série diferente desse (coletor, ou outro número, ou data de coleta diferente); Sintipo (Syntypus) qualquer exemplar de uma série de exemplares, citado pelo autor sem especificação do Holótipo; isso só é permitido para trabalhos antigos; hoje, caso não se indique a categoria do Tipo o taxon, não é considerado validamente publicado; Lectótipos (Lectotypus) quando o autor, no trabalho original, não indicou um Holótipo, ou o Sintipo está desaparecido, escolhe-se entre os Sintipos, ou da ilustração da publicação original, aquele que será o tipo nomenclatural; Neótipo (Neotypus), quando todo material da descrição original está desaparecido, escolhe-se um exemplar, ou figura para ser o tipo nomenclatural.
Treliça - estrutura artificial formada por finas ripas cruzadas, geralmente em disposição diagonal, usada tradicionalmente para resguardo e sombra de varanda, em divisões de espaços internos e externos, como parede de caramanchão, ripado, etc.
Trepadeira - plantas herbáceas ou lenhosas, que necessitam de um suporte; tende a crescer em sentido oposto ao da gravidade, mediante volteios do caule, adesão ou intromissão de raízes na estrutura que lhe servir de apoio, além de outros meios.
Tricoma – pelo.
Trilobado – com três lobos.
Triplóide – com três séries de cromossomos, também conhecida como 3N e que dificilmente pode ser cruzada.
Truncado – com o ápice ou base reta, achatada.
Tuberas - raízes arredondadas e carnosas, encontradas em Habenaria e Cleistes.
Tubérculo - caule ou raiz grossa e carnosa que age como órgão de armazenamento; algumas plantas de raízes tuberosas podem perdem as folhas e o caule no outono, enquanto o tubérculo armazena alimento para o novo crescimento na primavera seguinte.
Tubular - em forma de tubo.
Tufo - moita e outras formações vegetais caracterizadas pela reunião de estruturas longas.
Turfa - substância com a consistência de uma esponja filamentosa e resultante da decomposição de esfagno, outros musgos e vegetais semelhantes.
Turgor celular - pressão hidrostática dentro da célula.
Tutor – estaca para orientar ou fixar a planta ao substrato; haste à qual se ata uma planta para prevenir a prostração de seu caule.

- U -
Umbela - tipo de inflorescência nas quais todos os pedicelos (hastes florais) irradiam de um ponto comum; flores com pedúnculo não distanciado entre si, saindo de um mesmo ponto no ápice do eixo; pode-se dizer também que a umbela é um racemo cujo eixo não se alongou - as flores mais jovens situam-se no centro e as mais velhas progressivamente distantes dele.
Umbrófila – ocorre em plena sombra.
Ungüiculado - de forma semelhante à unha.
Uniflora – apresenta uma só flor.
Unifoliada – apresenta apenas uma folha por ramo ou, em orquídeas, no pseudobulbo.
Unissexuada ou unissexual - plantas monóicas ou dióicas em que as flores são, ou masculinas ou femininas; flor que não é hermafrodita, mas masculina ou feminina.
- V -
Variedade – uma subdivisão de uma espécie, que agrupa plantas com uma forma diferenciada, que se transmite à progênie.
Variegada - com pintas ou manchas de cor contrastante com a do fundo ou também diversas entre si; pode-se dizer também que é o termo que designa a folha listrada ou manchada com outra cor.
Várzea – vegetação florestal ou não das margens alagáveis dos rios de água branca da região amazônica.
Vaso coletivo – muitas plântulas, ou “seedling”, plantadas juntas num único vaso, antes de atingir um tamanho que permitam serem replantadas individualmente.
Veia - nervura secundária das plantas.
Velame – velame, uma estrutura multisseriada da exoderme da raiz, especializada para a absorção de água do ar, ou da chuva, com alta eficiência; possui células de paredes espessadas e cheias de ar, absorventes, que envolvem as raízes das orquídeas epífitas e que têm um papel protetor e também de reservatório de água.
Verticilo - conjunto das partes das flores ou demais órgãos dispostos em volta de um eixo comum e no mesmo plano horizontal.
Viloso – superfície provida de pêlos longos e macios.
Viscoso – que tem visco, que é pegajoso, grudento; o mesmo que visguento e viscidio.
Volúvel - que dá voltas, especificamente caule que tende a circundar hastes que lhe sirvam de suporte.
- X -
Xaxim – tronco de determinadas samambaias arborescentes, cuja massa fibrosa é utilizada como substrato para cultura de orquídeas e outras plantas.
Xerófita - vegetais adaptados, morfológica ou fisiologicamente, à vida em ambientes secos; planta de clima seco capaz de conservar água por mais tempo do que as demais, mediante adaptações estruturais como densa pubescência, espessamento epidérmico e revestimentos resinosos que retardam a transpiração, entre outras adaptações.
Xilema - conjunto de vasos condutores de água e sais minerais presentes nas plantas vasculares - Pteridófitas, Gimnospermas e Magnoliófitas.

- Z-
Zigomorfa – com apenas um plano de simetria.
Zoocórica - dispersão pelo animal.
Glossário de termos botânicos e de orquídeas
Tentou-se aqui incluir os termos mais usuais em botânica e, aqueles comumente empregados, na descrição e no cultivo das orquídeas,

- A -
Abaxial – face inferior ou dorsal das folhas.
Abertura ostiolar – poro das células estomáticas ou ostíolo.
Acicular - forma de agulha.
Ácido - com pH inferior a sete (veja também pH).
Acranta – com inflorescência apical.
Acrótona – antera ereta ou incumbente, sustentada por curto filamento, decídua, polinário com caudículo e retináculo, ou viscidium invertido, ou seja, com caudículo e viscidium afixados ao ápice do polinário.
Actinomorfa - vários planos de simetria.
Acuminada (o) – termina em ponta aguda e comprida; agudo, aguçado, pontiagudo; terminado em, ou provido de acume.
Adaxial – face superior ou ventral das folhas.
Adnato – soldado; que nasce junto; fusão de diferentes partes, como o labelo e a coluna.
Adpresso – concrescido.
Adubação foliar - adubo que é absorvido pela folha, além do nitrogênio, fósforo e potássio, comumente contém micro elementos.
Aérea - ocorre no ar ou é própria dele; parte aérea de uma planta; geralmente, é o conjunto de caule, ramos folhas, flores e frutos.
Afilo – sem folhas.
Agamospérmica - produção de semente, sem polinização e fecundação do zigoto.

Agente polinizador – ave, inseto, vento, água, que fecunda a flor.
Alado - que tem asas.
Alba - variedade de cor branca; quando não apresenta nenhuma outra pigmentação é considerada albina.
Alcalino - com pH superior a sete (7).
Alelopatia - interferência de uma planta (espécie) sobre outra, via liberação de produtos químicos que inibem o crescimento das outras espécies, ou mesmo matam as demais espécies.
Algas - principalmente aquáticas, uni ou multicelulares sem raízes e caules verdadeiros, são autótrofas, pois possuem clorofila e fazem a fotossíntese; fase dominante N.

Alogâmica - polinização cruzada, com o pólen de flores diferentes; do mesmo indivíduo (geitonogamia); de plantas diferentes (xenogamia).
Alofílica - flores sem adaptação morfológicas, para guiar o inseto, na coleta da recompensa de alimento (guias de “fragrâncias”, néctar ou pólen).
Alotrópico - visitante ou polinizador pobremente adaptado para a utilização da flor; às flores fazem parte de uma dieta variada.
Alternadas - folhas que nascem em nós alternados em cada lado do caule ou do ramo.
Alterno – se insere isoladamente em diferentes partes do caule ou outro eixo.
Androceu – conjunto dos estames órgãos masculinos da flor, isso é, dos estames.
Andrógina ou hermafrodita - possui os dois sexos, ou seja, gineceu e androceu.
Anemocórica - dispersão pelo vento.
Anemófila - polinização por vento.
Anfimítica - reprodução sexual, envolvendo a união de dois gametas.
Anfistomática – em ambas os lados da folha, ventral e dorsal.
Antena – apêndice encontrado nas colunas de Catasetum.
Antera – porção dilatada, saquiforme, que se acha no ápice do filete do estame e que encerra os grãos de pólen.
Antera bilocular - provida de duas camaras polínicas.
Antera incumbente – com a abertura da antera alojada no clinândrio.
Antera operculada - com deiscência transversal, e desprende da coluna.
Antese - floração; o desabrochar da flor.
Antrópica – tudo que resulta da ação humana.
Antropocórica - dispersão passiva pelo homem de frutos e sementes.
Anuais - plantas obtidas a partir de semente e que completam o ciclo de vida em uma estação.
Apical - no ápice, refere-se às orquídeas com inflorescências no topo dos pseudobulbos.
Ápice - porção terminal de um órgão, como o caule, raiz, do pétalo, do labelo, entre outros.
Apiculado – provido de apículo, ponta aguda, rija e curta; com pequeno dente ou apículo.
Aplanado – compresso, achatado.
Apoda - desprovida de pé, ou seja, a coluna não possui um prolongamento.
Apomixia - reprodução sem união sexual.
Apomítica - reprodução assexual.
Aquinada – flores que apresentam as pétalas manchadas nos ápices.
Arbusto - planta compacta, de caule lenhoso e ramificado, menor do que uma árvore, que, em geral, ramifica desde o solo.
Arcuada – arqueada.
Argila - tipo de barro constituído essencialmente por silicatos de alumínio, que tende a reter água.
Aristado – órgão terminado por uma ponta longa e delgada.
Arqueada – curvatura em forma de arco.
Arquitetura das árvores - modo de crescimento e disposição dos galhos de uma copa.
Arredondado - forma de círculo.
Articulado – provido de regiões predeterminadas em que pode ocorrer fragmentações.
Árvore - vegetal lenhoso, de porte avantajado, provido de um tronco que se ramifica na parte superior formando uma copa.
Ascendente – que sobe.
Asséptico - esterilizado, livre de contaminações com micróbios, como: bactérias, leveduras, fungos filamentosos e algas.
Assimbiótico - processo de germinação de sementes, criado por Knudson em 1922 em laboratório, em que as sementes são introduzidas dentro de um frasco esterilizado contendo micronutrientes, onde não é necessária a presença da ocorrência da associação com o fungo do tipo micorriza, para germinar e se desenvolver.
Assimétrica - não tem nenhum plano de simetria.
Atelocórica - dispersão sem adaptação especial, em pequena quantidade.
Aurículas da coluna – dois estaminódios em forma de apêndices, laterais a antera dorsal da coluna; ajudam prender os lobos laterais do labelo facilitando a ação de coleta de néctar pelo polinizador, ou auxiliando na polinização, direcionando o polinário para a cavidade estigmatífera.
Autoclave - um aparelho que se utiliza do vapor a alta pressão e temperatura, para esterilizar utensílios de laboratório e meios de cultura.
Autocórica - dispersão mecânica dos frutos ou sementes.
Autogamia – fecundação com políneas da própria flor.
Autogâmica ou autofecundação - com o pólen de uma mesma flor.
Axila - o ângulo geralmente superior, ou o ponto de divergência entre um ramo e o caule, ou entre uma folha e o eixo ao qual ela se prende.
- B -
Bainha – base de uma folha ou bráctea protetora que envolve total ou parcialmente o caule, o ramo e a inflorescência, quando ainda em formação, protegendo-o até que a mesma esteja em condições de irromper de seu interior; em orquídea também denominada de espata.
Bambus - o bambu (Liliopsida, Arecaceae= Gramineae) é uma gramínea, que pode atingir até 40 metros de altura e possui cerca de 1200 espécies espalhadas pelo mundo; possui a maioria dos gêneros polinizados pelo vento.
Bancada coletiva – modo de plantio de várias orquídeas em uma mesma bancada sem a utilização de vasos; esse sistema só serve para a produção de flores, pois as raízes entrelaçam suas raízes no substrato e fica impossível transportá-las sem ter que cortá-las.
Balocórica – dispersão, por expulsão, ou abertura explosiva do fruto com liberação de sementes.
Barocórica - dispersão por gravidade de frutos ou sementes pesadas.
Basal - relativo à base; refere-se às orquídeas com inflorescências na base dos pseudobulbos.
Basítona – antera ereta, mais ou menos ressupinada, de base larga, soldada a coluna, decídua após a antese, polinário com polínea granulosa, com caudículo e retináculo ou viscidium distintos, fixados na base.
Bianual ou bienal - planta que requer duas estações de crescimento para completar o ciclo vital de semente a semente e que, portanto, não perfaz o ciclo no mesmo ano.
Bicornuta – com dois chifres.
Bífido - com uma fenda até meia extensão; bifendido.
Biflora - com duas flores.
Bifoliada – apresenta duas folhas num só pseudobulbo.
Bilobado - com dois lobos.
Biocenose - coletividade de vegetais e plantas dentro de um mesmo biótipo, cujos membros formam, em dependência recíproca, um equilíbrio biológico dinâmico.
Biodiversidade ou diversidade biológica - a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda à diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.
Biologia Floral – estudo da relação dos agentes polinizadores com as síndromes de polinização.
Biologia reprodutiva - estudo da vida da planta inclui o estudo da distribuição, fenologia, polinização, fecundação e dispersão das sementes.
Bioma - amplos espaços terrestres caracterizados por tipos fisionômicos de vegetação, ou de fauna, como em alguns biomas marinhos, semelhantes, ainda que a composição das espécies não seja a mesma.
Biomassa - toda matéria orgânica, de origem animal ou vegetal que, no processo de fotossíntese, captura a energia do sol e transforma em energia.
Biosfera - zona da Terra que abrange parte da crosta, atmosfera e hidrosfera, habitada por seres vivos.
Biossistemática - estudo concentrado na variação e evolução; primariamente experimental e analítica, muitas vezes tratando de espécies de taxa intraspecíficos; trata da distribuição geográfica bem como da citologia (com relação ao número e forma dos cromossomos), anatomia, microscopias ótica, de varredura e transmissão, pólen, eletroforese e análise de DNA.
Biota - flora e fauna de um região.
Biótopo - espaço limitado onde vive uma biocenose.
Botão – a flor antes de desabrochar ou da antese.
Bráctea – folha geralmente modificada, em cuja axila nasce uma flor ou uma inflorescência.
Broto - caule, ramo, folha, flor ou outra estrutura nas primeiras fases de desenvolvimento a partir de uma gema.
Bulbo - tipo de caule, em geral subterrâneo, dotado de escamas carnosas e provido de uma ou mais gemas, cada uma das quais pode desenvolver-se numa planta adulta; na realidade, em orquídea o que chamamos de bulbo, chama-se pseudobulbo, pois o bulbo na realidade é um órgão que na maioria das plantas é subterrâneo.
Bursícola – capa protetora da cola ou viscidium que existe nas orquídeas primitivas como Habenaria.
- C -
Cacho - conjunto de flores ou frutos providos de pedúnculos que os unem a um eixo comum; sinônimo de racemo.
Cacto - planta carnosa, comum em desertos ou ambientes áridos, embora não restrita a eles.
Caduca - folhagem, ou outro órgão que ao longo do ano cai.
Calcar – prolongamento do labelo, ou dos sépalos e pétalos, ou de todos esses apêndices juntos formando um nectário; o mesmo que esporão.
Calceolado – em forma de saco ou capuz.
Cálice – invólucro exterior da flor periantada, composto por sépalas livres ou concrescidas, total ou parcialmente; verticilo floral externo; estrutura em forma de taça, constituída por sépalas separadas ou soldadas, geralmente verdes (mas às vezes da mesma cor das pétalas então denominadas de tépalas) e que circunda a parte inferior da corola.
Calículo – estrutura semelhante a um cálice, formada por brácteas, por fora dele, como ocorre em Epistephium.
Calo - projeção que ocorre no disco do labelo de muitas orquídeas, que serve para atrair insetos à flor, e têm importância taxonômica.
Calosidade – protuberância que geralmente ocorre no labelo e servem para atrair o polinizador à flor; são utilizadas pelos sistematas para separarem as espécies de orquídeas, que as possuem.
Calosidade cristada – calosidade com projeções em forma de crista de galo.
Calosidade flabelada – calosidade em forma de leque.
Câmara de fluxo laminar - câmara projetada para manipulações em cultura de células e tecidos que requerem um ambiente estéril, alcançado por um fluxo contínuo e não-turbulento de ar esterilizado sobre a área de funcionamento.
Câmaras subestomáticas - câmaras de ar alojadas abaixo das células subsidiárias.
Campanulado – em forma de sino.
Campina - tipo vegetacional que ocorre na Floresta de Terra Firme, ou próxima ao Igapó, com solo arenoso, grande penetração de luz e árvores baixas com galhos tortuosos a semelhança ao Cerrado do Brasil Central ou aquela vegetação que ocorre nos Campos de Terra Firme ou Lavrado, que ocorrem no Pará, Rondônia, Roraima e Amapá.
Cana - pseudobulbo alongado com folhas alternas, parecendo uma cana-de-açúcar.
Cantarófila - polinização por besouro
Capilaridade - absorção de água por um filamento, pêlo, ou raiz, também conhecida como atração capilar; esse termo ainda é usado para descrever o modo como à mistura de solo absorve água quando se coloca o vaso em contato direto com um prato com água.
Cápsula – o fruto que contém as sementes das orquídeas, freqüentemente com milhares e até mesmo milhões de sementes.
Característica derivada – característica originada; proveniente de; decorrente.
Característica primitiva - característica dos primeiros tempos; que apareceu em primeiro lugar; inicial; primordial; originária.
Características diagnósticas – são características que além de delimitar o taxon, o caracteriza.
Caráter - é um atributo ou uma frase descritiva referente à forma, estrutura ou comportamento que o sistemata refere da totalidade dos organismos, com um propósito particular de comparação ou interpretação.
Carpelos - folhas modificadas (megaesporófilos ou folhas carpelares) que em número de uma ou mais, formam o gineceu; folhas modificadas em órgão feminino (gineceu).
Casmogâmica - flores que desabrocham expondo os órgãos sexuais.
Cauda, caudado – apêndice longo.
Caule - parte de uma planta que suporta as folhas e as flores, com forma, organização e dimensões extremamente variáveis; é um órgão vegetativo, geralmente aéreo, que serve para produzir e suportar folhas, flores e frutos, para a circulação da seiva nutritiva, para armazenar reservas alimentares e às vezes, para efetuar a propagação vegetativa.
Caule escandente - trepadeira que apresenta gavinhas, garras ou unhas, com as quais se fixa no substrato.
Caule estrangulador – caule de uma liana que abraça o hospedeiro e acaba matando-o por compressão.
Cavidade estigmatífera - cavidade existente na parte inferior da coluna, embaixo da antera, preenchida de uma substância gelatinosa, que recebe as políneas para a fertilização (parte feminina da flor).
Chanfrado – ápice da folha ou segmento floral com recorte curvo.
Células esclerenquimáticas – células de sustentação impregnadas com esclerênquima.
Células subsidiárias – são células as que aparecem ao lado das duas células estomáticas; também conhecidas por anexas, companheiras ou subsidiárias.
Centro de endemismo - áreas que possuem duas ou mais espécies endêmicas.
Ciclocórica - dispersão pelo vento de infrutescências ou frutos caídos.
Ciliado – margem de segmento floral provido de apêndices em forma de cílios.
Cipó - designação genérica de grande número de plantas trepadeiras, sarmentosas ou volúveis, herbáceas ou lenhosas, de hastes flexíveis e delgadas.
Citação do epíteto específico - na citação da espécie o nome científico dessa é grifado, símbolo editorial utilizado, para que na publicação, o nome seja impresso em negrito ou italizado, para destaque no texto.
Classificação - a colocação das plantas em grupos num sistema hierárquico de séries ou categorias, distinguidas pela estrutura origem e outras características.
Clavado – em forma de clava ou porrete.
Cleistogamia – polinização que ocorre antes da flor desabrochar; flores que não desabrocham, mas altofecundam-se, com produção de sementes férteis.
Cleistogâmica – flor que se autopoliniza, sem estar aberta inteiramente.
Clinândrio – local onde a antera fica alojada.
Clonal - reprodução vegetativa.
Clone – todas as diversas manifestações vegetativas, como divisões, propagação meristemática, etc., de uma única orquídea.
Clorênquima - parênquima com cloroplastos
Clorofila - pigmento verde responsável pelo processo fotossintético, encontrado nos caules e folhas das plantas e nas raízes da orquídea do gênero Campylocentrum.
Coalescência – junção.
Código de Nomenclatura Botânica – é quem trata os nomes e níveis de grupos taxonômicos ou unidades e, por outro lado, normaliza o nome científico aplicado a um grupo individual de plantas; é composto de três principais divisões: princípios, regras e recomendações e provisões para modificação do código.
Colo – parte da planta situada entre a haste principal e as raízes, no nível do solo.
Coluna - fusão das partes masculinas e femininas na flor da orquídea; característica diagnóstica da família.
Coluna ou gimnostêmio - órgão que se projeta do centro da flor da orquídea e que é o resultado da fusão dos órgãos, masculino (estames) e feminino (pistilo), é uma das características diagnósticas para a identificação das orquídeas.
Composto - matéria orgânica resultante da decomposição de restos vegetais, às vezes de mistura com outras substâncias de origem animal ou vegetal, inclusive esterco, restos de alimentos, trapos e papéis velhos.
Compresso - achatado.
Conado – soldado; concrescido.
Côncavo – objeto cuja superfície é cavada.
Conchiforme – em forma de concha.
Concolor – com todas as peças florais da mesma cor.
Conduplicada – folhas ou outros órgãos foliares cujas metades se dobram ao longo da nervura mediana.
Conivente – convergentes mais não unidos.
Conservação - manutenção de áreas naturais preservadas, ou de espécies, através de um conjunto de normas e critérios científicos e legais.
Convoluto – enrolado.
Copa - conjunto de ramos superiores de uma árvore, com formas variadas.
Cordiforme, cordado - em forma de coração.
Coriácea - de consistência e aspecto de couro.
Coroa – a parte central da roseta de folhas de uma orquídea monopodial.
Corola - conjunto de pétalas de uma flor; invólucro floral, por dentro do cálice; geralmente a parte mais vistosa da flor, de cores as mais variadas; constituída por um ou mais segmentos, livres ou concrescidos, denominados pétalas; pode ser formada por pétalas separadas ou ligadas umas às outras.
Costulado – saliências pronunciadas, na epiderme do órgão.
Cotilédone - apêndice carnoso do embrião, que contém os primeiros elementos nutritivos da planta.
Crenulada - folha crenada com recortes de pequenas dimensões.
Crista papilosa – saliências nas paredes das células epidérmicas da crista, como pequenos dedos de luva.
Cromossomo – corpúsculo em que se divide o núcleo celular no curso da mitose; cada espécie vegetal ou animal possui um número constante de cromossomos, que transmitem os caracteres hereditários.
Cruzamento – a progênie que resulta da transferência de pólen de uma planta para a flor de outra; o ato em si.
Cuculado – em forma de capuz.
Cultivar - planta desenvolvida em cultivo de uma única semente, ou de outra parte vegetativa = clone; o nome dos cultivares aparece entre aspas simples, para distingui-los dos nomes científicos.
Cultura de tecidos – ver meristemagem.
Cuniculo – nectário concrescido com o ovário ou o pedúnculo ou pedicelo.
Curvinérvea - nervuras curvas, acompanhando os bordos do limbo.
Cuspidado – terminando em ponta, bastante afilada.
Cutícula - película impermeável à água, que recobre a epiderme.

- D -
Data de publicação efetiva do taxon - apenas a citação do autor não nos dá acuidade na citação, é necessária também, a inclusão da data da publicação efetiva do taxon; por exemplo: Catasetum barbatum Lind., 1844.
Decídua – caduca; que cai; planta cujas folhas caem em certa época do ano ou após amadurecimento, com novas brotações após um período de repouso.
Dedricola. - que vivem sobre as árvores
Deiscente - que se abre quando maduro para liberar as sementes.
Delgado - frágil; tênue; pouco espesso; fino; delicado.
Deltóide – em forma de triângulo.
Denteada - bordas com entalhes em forma de dentes.
Denticulado – margem de segmentos florais denteados.
Desabrochar – abertura do botão floral.
Descanso hibernal - descanso vegetativo da planta.
Descanso ou repouso vegetativo - período do ano no qual a planta permanece inativa, produzindo poucas, ou nenhuma folha.
Descrição ou caracterização - um conjunto de atributos de um taxon particular; plantas individuais, ou suas partes.
Desenvolvimento vegetativo – crescimento da planta.
Diandra – apresenta dois estames no androceu da flor.
Diásporo - elemento de dispersão; como a semente ou um propágulo do vegetal.
Diclina - flores masculinas e femininas separadas.
Diclina dióica - sexos em plantas diferentes.
Diclina monóica - sexos em flores diferentes na mesma planta.
Dicogâmica - maturação da antera (= deiscência) e do estigma
(= receptividade), em tempos diferentes.
Didínamo – geralmente aplica-se as políneas, quando essas tem duas políneas grandes e duas pequenas.
Digitiforme - em forma de dedo.
Dióica - produz flores masculinas e femininas em indivíduos diferentes.
Diplóide – planta com duas séries de cromossomos, também conhecida como 2N.
Disco - região central do labelo.
Disjunção - separação; afastamento.
Disjunta – separada, isolada.
Dispersão - ato ou efeito de dispersar; disseminação.
Distal - apical.
Dística - órgão vegetal em que as partes que o formam estão dispostas em duas séries ou renques.
Distribuição – ato ou efeito de distribuir; divisão; repartição; partilha, ordenamento; classificação.
Distribuição fitogeográfica - designação dada à localização de uma determinada população numa área geográfica específica.
Distribuição neotropical - região biogeográfica que inclui México tropical, América central, América do sul, e as Antilhas.
Diszoocórica - dispersão, por roedores e macacos, de frutos e sementes.
Diversidade biológica – ver biodiversidade.
Divisão – técnica de reprodução vegetativa que consiste em cortar em duas ou mais partes um conjunto de raízes, uma touceira, um rizoma, ou outras partes subterrâneas; forma de obter novas plantas pelo corte do rizoma de uma orquídea simpodial em partes contendo pseudobulbos e rizomas, com gemas vivas, ou corte de uma parte superior do tronco de uma orquídea monopodial.
Divisão clonal - também chamada micropropagação ou cultura de tecido; na utilização desse método, emprega-se esteroscópio microscópio de boa resolução para facilitar a limpeza e seleção do meristema da orquídea a ser propagada.
DNA - ácido desoxirribonucléico, molécula orgânica complexa encontrada em todas as plantas e animais e na maior parte dos vírus, que contém a informação genética transmitida de uma geração a seguinte.
Dormência – um período de entorpecimento e repouso durante o qual não ocorre crescimento vegetativo, comumente após um período de crescimento ou a perda de folhas; normalmente requer temperaturas mais baixas e menos água.
Drenagem - estrutura ou operação para facilitar escoamento da água em vasos, outros recipientes e canteiros; material usado no fundo do vaso a fim de permitir que o "substrato" tenha escoamento perfeito da água.

- E -
Eciso – ápice da folha ou segmento floral com entalhe agudo.
Ecologia - ramo da Biologia que estuda as relações das plantas, dos animais e do homem com o meio, ou com o ambiente.
Ecossistema - conjunto formado por todos os organismos vivos que habitam uma determinada área, pelas condições ambientais dessa área, e pelas relações entre as diversas populações e entre essas e o meio; conjunto de características físicas de um local, incluindo o conjunto de organismos vivos.
Ecótipos - uma ou mais populações de uma determinada espécie diferenciada (s) genética e fisiologicamente, de tal modo a estarem adaptadas a condições específicas.
Efêmero - que dura um só dia; que dura pouco.
Elaióforo – glândula produtora de óleo que ocorrem em Sigmatostalix, Ornithocephalus e algus grupos de Oncidium.
Elastovicina - componente do caudículo que lhe dá a elasticidade.
Elipsóide - de forma elíptica.
Elíptico – em forma de elipse.
Elmiforme - em forma de elmo ou capuz.
Elmo – com a forma de um capacete, componente de uma armadura antiga para ser colocado na cabeça.
Elongada – alongada.
Emarginada – folha ou outro órgão foliáceo com pequena reentrância no ápice.
Embrião - germe de planta contido na semente; por extensão a plântula;
Endemismo - refere-se a grupos de plantas que ocorrem em uma única área, ou seja, são endêmicos daquela área.
Endosperma - substância nutritiva que envolve o embrião no interior da semente.
Endotécio - camadas de células que revestem as tecas da antera.
Endozoocórica - dispersão por animal, por ingestão de frutos e sementes não digestíveis.
Enquadramento sistemático ou hierarquia nomenclatural - classificação dos seres vivos de forma precisa em categorias taxonômicas, ou em grandes conjuntos, por ordem de grandeza, ou de hierarquia - reinos, divisões, classes, ordens, famílias, gêneros e, por fim, espécies, como se segue:
Reino VegetalDivisão MagnoliófitaClasse LiliidaeOrdem OrchidalesFamília OrchidaceaeGênero CattleyaEspécie Cattleya eldorado

Ensiforme – em forma de espada.
Entomófila - polinização por inseto.
Entrenó - o espaço entre dois nós consecutivos.
Epiderme abaxial - face inferior ou dorsal.
Epiderme adaxial – face superior ou ventral.
Epífita – planta que vive sobre outra, mas sem parasitá-la, usando-a apenas como hospedeiro, ou seja, sem retirar dela nutrientes, que lhe são providos pela chuva, pelo ar e detritos disponíveis.
Epiquílio – porção apical de alguns labelos de orquídeas.
Equitante – folhas conduplicadas onde as mais velhas envolvem as mais novas, da mesma gema, ou do mesmo broto.
Eroso – margem ruída, irregular.
Erva - planta, em geral, de pequeno porte, cujo caule contém muito pouco tecido lenhoso.
Escapo – pedúnculo sem folhas, que pode ser provido de brácteas ou escamas.
Escapo floral - inflorescência.
Escutelo - a parte posterior dos segmentos dorsais do tórax dos insetos.
Esfagno - musgo d'água, ótimo substrato para plantas jovens, por manter a umidade por mais tempo, podendo ser utilizado desde a aclimatação da muda nova até a primeira floração.
Esfingiófila - polinização pelos esfingídio.
Espata – bráctea que fica na base de uma inflorescência, muitas vezes membranosa, que protege a flor em botão.
Espécie – conjunto de plantas, ou outros seres vivos muito semelhantes que parecem ter um ancestral tão proximamente relacionado que suas características definitivamente os separam de qualquer outro grupo; várias espécies formam um gênero.
Espécime – indivíduo representativo de uma classe, de um gênero, de uma espécie, etc.; pode indicar também a espécie que tipifica um gênero.
Espermatófitas – plantas que possuem sementes como os pinheiros e as plantas floríferas.
Espiciforme - em forma de espiga.
Espiralada - em espiral.
Esporão - apêndice cônico existente na corola de algumas flores; no caso das orquídeas pode ser formado pelo labelo, pelos pétalos ou sépalos laterais; prolongamento do labelo, ou dos sépalos e pétalos, ou de todos esses apêndices juntos formando um nectário de formato reto e cônico.
Esporocórica - dispersão pelo vento de sementes pequenas ou frutos caídos.
Esporos – formação geralmente unicelular e uninuclear, capaz de germinar em condições determinadas, reproduzindo, vegetativa ou assexuadamente, o indivíduo que o formou; propágulo dos fungos.
Estame – órgão masculino da flor, onde se encontram a antera e os sacos polínicos, que encerram os grãos de pólen.
Estame fértil - estame provido de antera.
Estames exertos – estames que se projetam para fora da corola.
Estaminódio - estame estéril desprovido de antera; estame modificado, estéril; não possui a função original de produzir pólen; em alguns é petalóide e vistoso para atração dos insetos, como recompensa de alimento ou como engodo.
Estelidia – extensão apical da coluna de Bulbophyllum (estaminódios).
Estigma - parte superior do pistilo (órgão feminino da flor) sobre o qual o pólen será depositado, o que permitirá a sua fecundação.
Estômato – estrutura microscópica existente na epiderme das folhas e caules; constituída basicamente de duas células com reforço especial da parede, que se afastam e se aproximam, formando um poro pela qual se efetuam trocas gasosas entre a planta e o meio.
Estreito - que tem pouca largura.
Estria de Caspary – reforço especial de suberina das paredes radiais e transversais das células da endoderme, que em corte transversal aparece como pontos de forma lenticular.
Estuário - larga embocadura de um rio que forma um pequeno golfo.
Eufílica - flores extremamente adaptadas à visita dos polinizadores especializados.
Eutrópico - polinizador completamente adaptado para a utilização da flor, essa é a principal fonte da sua alimentação.
Evapotranspiração - total de água liberada para a atmosfera em determinada área, como resultado tanto da evaporação da superfície do solo como da transpiração dos organismos; é expressa em mm ou cm por dia.
Evolução - adaptação genética contínua dos organismos no ambiente; mudança direcional na freqüência do gene, ocasional, dentro de uma população ou séries de populações em resposta a fatores seletivos do ambiente; mudança ocasional dentro de uma população.
Ex sito – fora do ambiente natural.

- F -
Família - divisão lógica na classificação dos seres vivos em geral, abrangendo vários gêneros, ou não; termo usado para descrever um grande grupo de plantas que possuem certas características em comum; vários gêneros constituem uma família, que pode ser designada pelo nome latino ou sua tradução - Orchidaceae, por exemplo, é o nome da família de todas as plantas que possuem flores semelhantes às das orquídeas.
Fanerófila - polinização por mariposa.
Fauce – abertura do tubo da corola, do labelo em orquídeas.
Favas - fruto lembrando os frutos denominados de legumes ou favas das leguminosas, que ocorre na Vanilla, à Baunilha.
Fecundação – transferência do conteúdo da célula generativa do pólen para dentro da oosfera que se encontra dentro do óvulo; fusão dos gametas; nas plantas com sementes, houve diferenciação do tubo polínico, emissão da membrana interna do grão de pólen, a intina.
Fenologia - estudo dos fenômenos periódicos dos vegetais, incluindo as fases do ciclo vegetativo.
Ferrugem - infecção causada por determinados fungos, caracterizados por altas taxas de reprodução.
Fidelidade – grau que uma espécie esta restrita a uma determinada comunidade.
Filete - haste do estame que sustenta a antera.
Filiforme – com formato de fio.
Filogenia - história evolucionária de um grupo de organismos relacionados.
Filossistemática - estudo concentrado na filogenia e classificação primariamente teórica e sintética, freqüentemente, tratando de gêneros, famílias, ordens ou classes.
Filotaxia - forma pela quais as folhas se dispõem ao longo do caule.
Fimbriada (o) – estrutura com superfície ou borda finamente recortada; em forma de franja, principalmente com relação a segmentos finamente recortados.
Fimbrilhado – margem de folhas ou segmentos florais provida de apêndices filiformes, longos e mais espessos que cabelos.
Fitogeografia - distribuição de plantas e tipologias vegetacionais na face da Terra.
Fitossociologia – distribuição das plantas dentro de uma comunidade vegetal.
Flabelado – em forma de leque; flabeliforme.
Flâmea, flameada – flor que apresenta as pétalas coloridas, da cor de chama, imitando o labelo; é um tipo de peloria.
Floema - é o tecido das plantas vasculares encarregado de levar a seiva elaborada pelo caule até à raiz e aos órgãos de reserva.
Flor - órgão da planta adaptado à reprodução sexuada em que o pólen proveniente da parte masculina (estame) que é transferido para o ovário da parte feminina (estigma) para que se dê a fecundação e surjam então as sementes; um eixo com folhas metamorfoseadas que, em conjunto, constituem o aparelho sexual das plantas superiores; geralmente a característica mais vistosa da planta, a flor é um órgão composto de partes muito especializadas, relacionadas com a reprodução sexual; algumas plantas produzem flores que possuem apenas órgão masculino (estame) ou feminino (pistilo); essas partes em geral são circundadas por um anel de pétalas coloridas e sépalas verdes, embora haja diversas variações desse padrão; na maioria das plantas, os órgãos masculinos e femininos estão contidos na mesma flor; há algumas espécies, no entanto, que possuem flores masculinas e flores femininas.
Flora - um inventário de plantas de uma área ou região.
Flores dióicas - sexos em plantas diferentes.
Flores hermafroditas - dois sexos numa mesma flor.
Flores monóicas - sexos em flores diferentes na mesma planta.
Flores unissexuais – com apenas um dos sexos, ou masculino, ou feminino.
Floricultura - ocupa-se exclusivamente de plantas ornamentais para o corte de flores.
Florífera – que floresce freqüentemente.
Folha - expansão lateral e laminar do caule, de simetria bilateral e crescimento limitado, constituindo-se num órgão vegetativo com importantes funções metabólicas; órgão de produção de energia da planta; a luz, ao atingir a parte verde da folha, inicia o processo de fotossíntese; é uma estrutura que nasce de um caule ou de um ramo e que tem por função primária a produção de alimento por fotossíntese; tipicamente é constituída por limbo, pecíolo, bainha e um par de estípulas, mas qualquer dessas partes pode faltar.
Folha paralelinérvea - com nervuras paralelas.
Folha terete - folhas cilíndricas e engrossadas, com aparência de uma cebolinha; adaptação comum ao xerofitismo.
Forófitos – árvores que sustentam diversas epífitas; as epífitas são plantas autótrofas, portanto, não parasitas que se estabelecem diretamente sobre o tronco, galhos, ramos ou sobre as folhas das árvores sem a emissão de estruturas haustoriais.
Fotorrespiração – saída do ácido glicólico sintetizado nos cloroplastos e oxidando-se nas peroxisomas onde produz CO²
Fotossíntese – síntese de materiais orgânicos como o açúcar e demais carboidratos, a partir de água e gás carbônico, utilizando a luz como fonte de energia e cujo processo se dá nos cloroplastos.
Frasco – vasilha, normalmente de vidro transparente, usado para germinação de sementes ou micropropagação de meristemas de orquídeas e, ou outras plantas, em laboratório.
Fratiflexo - em ziguezague.
Frente - diz-se dos últimos pseudobulbos produzidos por brotação nas plantas simpodiais.
Fruto - qualquer ovário adulto contendo sementes; órgão resultante do desenvolvimento do ovário de uma flor, em geral por efeito de fecundação, embora em alguns casos o fruto possa resultar de um desenvolvimento ovariano determinado por outro estímulo que não a fecundação.
Fundido – soldado, concrescido.
Fungo - vegetal do grupo dos cogumelos.
Fungo endofítico – fungo que vive dentro das células de outra planta.
Funiliforme – em forma de funil.
Fusiforme – com a forma de fuso, como em alguns pseudobulbos.

- G -
Gamocarpelar - carpelos fundidos, concrescidos.
Garganta – a parte mais interna de um labelo tubular de orquídea.
Gema – tecido meristemático que origina o caule, a folha ou a flor; uma gema terminal localiza-se no ápice de um caule ou ramo lateral; a gema axilar fica na axila do pecíolo; as gemas de crescimento geralmente são protegidas contra danos e temperaturas baixas por escamas ou brácteas superpostas e compactas.
Gênero – um conjunto de orquídeas de um determinado gênero, ou outros seres classificados juntos, porque apresentam características similares e um presumível ancestral comum.
Geoquímico – estudo químico do globo terrestre.
Geotropismo - efeito da ação da gravidade sobre a direção e sentido do crescimento das plantas.
Germinação - é o primeiro estágio do desenvolvimento de uma semente dentro da planta; o sinal visível de germinação é o surgimento de uma plântula; a germinação pode ser rápida (4 a 6 dias) ou lenta (várias semanas ou até meses).
Gimnostêmio ou coluna - órgão central, em forma de coluna, das flores das orquídeas, constituído pela junção dos estames e do pistilo.
Gineceu – a parte feminina da flor; o pistilo, que por sua vez é formado de ovário, estilete e estigma.
Glabro - desprovido de pelos.
Glauco - verde-mar.
Globoso – esférico.

- H -
Hábitat – lugar onde um determinado organismo vive ou habita.
Hábito – aparência externa, forma de crescimento de um organismo.
Haste - parte da planta que sustenta alguma outra; órgão que sustenta a flor (pedúnculo, ou pedicelo), a folha (pecíolo) ou a antera (filete).
Haste floral - longo ramo desprovido de folhas que parte da base da planta e é guarnecido de flores.
Heliófila – que ocorre em pleno sol.
Hemífilica - flores imperfeitamente adaptadas à visita de polinizadores, medianamente especializados.
Herbácea - plantas que não possuem hastes lenhosas; diz-se da planta que desenvolve pouco ou nenhum tecido lenhoso.
Herbário – coleção de espécimes de plantas que passaram por um processo de prensagem e secagem, ordenadas de acordo com um determinado sistema de classificação, ou por ordem alfabética estando disponíveis para consultas e outros fins científicos.
Hercogamia – polinização cruzada.
Hermafrodita - flor provida de estames e pistilos.
Hemitrópico - polinizador intermediariamente adaptado para a utilização da flor.
Heterantia - dimorfismo de flores onde as flores basais são diferentes das apicais.
Heteroblasto - pseudobulbo com apenas um internó.
Hialino – destituído de cor, transparente.
Híbrido - planta derivada de dois pais geneticamente diferentes; a polinização cruzada pode ocorrer entre as plantas de espécies diferentes dentro do mesmo gênero; as plantas originadas de tais cruzamentos são chamadas de híbridos primários, e em geral, possuem algumas das características de ambos os pais, mas que podem se assemelhar mais a um que a outro; a polinização cruzada também é possível, embora rara, entre plantas de gêneros diferentes, como é o caso da X Brassocattleya rubyii um híbrido natural da Cattleya eldorado x Brassavola martiana; esses cruzamentos denominam-se híbridos intergenéricos; diversos híbridos originados naturalmente são estéreis, ou tem o número de sementes, com embriões vivos, diminuídos.
Híbrido intergenérico - híbrido entre plantas ou híbridos de dois ou mais gêneros.
Híbrido natural – que ocorre na natureza, sem interferência do homem.
Hidrocórica - dispersão pela água de frutos e sementes.
Hidrófila - polinização pela água.
Hierarquia taxonômica – as espécies são agrupadas num sistema hierárquico de taxa ascendentes: Gênero, Família, Ordem, Classe, Divisão, com seus respectivos subgrupos.
Hifas – qualquer filamento de um micélio.
Higrófito – vegetais adaptados à vida em ambientes de elevado grau de umidade.
Hipoderme – tecido subepidérmico, de um ou mais estratos de células com a mesma aparência das células da epiderme.
Hipoestomática – apresenta poucos estômatos.
Hipoquílio – parte basal do labelo de algumas orquídeas.
Homoblasto – pseudobulbo com vários internós.
Homogâmica - deiscência da antera e receptividade do estigma coincidentes, potencialmente autofecundável.
Horticultura - cultivo de plantas, em sentido genérico, o trato de hortas, pomares e jardins; pesquisa cultura e produção de plantas utilitárias ou ornamentais, no caso das orquídeas – orquidicultura.
Hospedeiros específicos - diz-se daquele que hospeda um outro organismo específico.
Húmus - mistura de plantas, ou outras partes de plantas parcialmente decompostas, usada na mistura de solo para enriquecê-la com nutrientes; o húmus apresenta propriedades bactericidas e torna a mistura de solo mais porosa; pode ser encontrado naturalmente sob árvores decíduas, ou preparado com folhas em estado de decomposição; o termo húmus também é usado para definir o material formado em parte pela decomposição de restos animais e vegetais.

- I -
Igapó - vegetação típica dos rios de água preta como o rio Negro, mas podendo ocorrer nos lagos da Várzea.
Igarapés – pequeno riacho.
Impactadas - áreas que sofreram alterações naturais ou antrópicas bruscas, em todo o meio ambiente, ou em alguns de seus componentes.
In situ -– locução latina que significa “no lugar”, no local, no campo.
Inflorescência – qualquer sistema de ramificação (racimo, panícula ou escapo) terminado em flores; grupo de duas ou mais flores numa mesma haste ou pedúnculo; conjunto de flores.
Inflorescência apical ou terminal - que termina no ápice do pseudobulbo.
Inflorescência axilar - que se desenvolve na axila das folhas.
Inflorescência capituliforme – inflorescência com a forma de um capítulo.
Inflorescência do tipo cacho - flores distanciadas entre si, ao longo do eixo e pedunculadas.
Inflorescência do tipo espiga - flores distanciadas entre si, ao longo do eixo e sésseis.
Inflorescência do tipo panícula – eixos laterais distanciados entre si, com flores pediceladas.
Inflorescência do tipo racimo - eixo principal da inflorescência maior do que os ramos.
Inflorescência lateral – que se desenvolve na base, ou na lateral do pseudobulbo.
Inflorescência polígama – com flores unissexuais masculinas, unissexuais femininas e hermafroditas.
Inflorescência secunda - com flores voltadas para um só lado.
Inflorescência simples - flores sobre um único eixo.
Intergenérico – cruzamento entre dois ou mais gêneros, resultando um híbrido intergenérico.
Interno - espaço de um nó a outro.
Introgreção genética - introdução de um ou mais genes de uma espécie em outra espécie através da hibridação.
Involuta – quando na prefoliação as margens da folha estão enroladas.
Istimo – Parte intermediária estreitada de um labelo bilobado ou quadrilobado.

- K -
Keiki – plântulas que emergem na base de determinados gêneros, ou nas hastes florais, como em Epidendrum, inicialmente com folhas e raízes, que, com determinado tamanho, podem ser retiradas e replantadas, constituindo uma nova planta.

- L -
Labelo – a terceira pétala de uma flor de orquídea, maior e mais vistosa, modificada pela evolução num labelo (com a forma de lábio) quase sempre um atrativo lugar para a aterrissagem dos polinizadores.
Labelo articulado - labelo flexível ou versátil.
Lameliforme - em forma de lamelas ou lâminas.
Lanceolada (o) - com forma de lança; mais longa que larga, estreita-se em direção ao ápice; larga no meio, atenuando-se para as extremidades, em forma de lança.
Lanciforme – em forma de lança.
Laxa – frouxa.
Lençol freático - reserva natural de água que se encontra sob o solo.
Liana - trepadeira de caule lignificado.
Ligulado – órgão em forma de pequena língua ou fita.
Liliopsida (= Monocotiledônea) - possuem raízes fasciculadas, folhas paralelinérveas e flores trímeras.
Limbo - lâmina de uma folha; a porção terminal e larga de uma pétala.
Linear - folha estreita e com bordos paralelos.
Linear – órgão longo, estreito, de bordas paralelas ou quase.
Líquens - associação mutualística entre algas e fungos.
Litófila – orquídea, ou outra planta que cresce, ou se desenvolve entre pedras; rupestre, rupícola.
Lobeliforme – projeção arredondada, podendo ser laminar ou de outro formato.
Lobo - cada uma das projeções arredondadas da margem de certas folhas, ou do pétalo, ou do labelo das orquídeas.
Lobos laterais – os dois lobos de cada lado do lobo central de um labelo trilobado.
Lóbulo – recorte pouco profundo e arredondado.
Lóculos - pequenas lojas; cavidades de um ovário ou antera, em que se encontram, respectivamente, os óvulos e os grãos de pólen.
Luniforme – em forma de lua crescente.
Lux - unidade de intensidade de iluminação correspondente à iluminação de uma superfície que recebe de um modo uniforme o fluxo luminoso de um lúmen por metro quadrado.
- M –
Macrantha -
Magnoliófita (=Angiosperma) - ou seja, as plantas que produzem flores e frutos.
Magnoliopsida (=Dicotiledônea) – com raiz pivotante ou axial, as folhas possuem nervuras reticuladas e as flores podem ser pentâmeras ou tetrâmeras.
Manejo - dos recursos do ambiente, ar, água, solo minerais e espécies viventes, incluindo o homem de modo a conseguir a mais alta qualidade de vida sustentada.
Malacófila - polinização por caramujo.
Margem - borda de folha, sépala ou pétala da flor; pode ser lobular ou denteada, e também de cor diferente do corpo da flor ou da folha.
Mata ciliar – área estreita da beirada dos diques marginais dos rios.
Mata de galeria – formação vegetal com qualquer grau de caducidade, que orla um ou os dois lados de um curso d’água, onde a vegetação do interflúvio não é contínua, como no campo de terra firme ou savana.
Meio de cultura - material onde são cultivadas as orquídeas.
Melitófila - polinização por abelha.
Mento – uma extensão na base da flor, formada pelo pé da coluna e as sépalas laterais.
Mericlone – uma cópia exata de uma orquídea, salvo alterações genéticas, feita em laboratório pela técnica de propagação de tecidos meristemáticos; como um cultivar, deve ter seu nome escrito entre aspas simples.
Meristema – tecido que se caracteriza pela ativa divisão de suas células e, que produz as novas células necessárias ao crescimento da planta; ex.: gemas, pontas de raiz e outros.
Meristemagem – técnica de laboratório que consiste em fazer novas plantas mediante propagação de tecidos meristemáticos; micropropagação meristemática.
Mesofilo - parênquima fotossintetizante da folha, localizado abaixo da epiderme.
Mesoquílio – parte mediana do labelo de algumas orquídeas.
Micélio – talos dos fungos, composto de filamentos, ditos hifas, destituídos de clorofila.
Micorriza – associação íntima de raízes de uma planta com as hifas de determinados fungos, necessária à germinação simbiótica de sementes de orquídeas.
Microclima – condições climáticas em uma zona muito reduzida de uma região climática extensa.
Mirmicofilia – plantas que vivem em simbiose com as formigas, oferendo casas para elas; as fornigas dão-lhes proteção contra herbívoros e acumulam humos necessários para o desenvolvimento das plantas.
Mimercófila - polinização por formiga.
Miófila - polinização por díptera, drosófila.
Mitose – divisão celular em que o núcleo forma cromossomos e esses se bipartem, produzindo dois núcleos, com o mesmo patrimônio original.
Monandra – apresenta um só estame no androceu da flor.
Monoclina hermafrodita - dois sexos numa mesma flor.
Monofílicas - flores eufílicas visitadas por um ou um grupo de polinizadores intimamente relacionados.
Monofoliada – apresenta apenas uma folha por pseudobulbo.
Monóica - produz flores masculinas e femininas na mesma planta.
Monopodial – tipo de ramificação lateral em que o eixo principal mantém-se retilíneo e uniforme, gerando ramos menores que ele; ex. Vanilla, Campylocentrum, entre outros.
Monotrópico - polinizador altamente adaptado para utilização de uma única flor ou flores de espécies extremamente relacionadas.
Mucronado - terminado por um pequeno dente, ou abruptamente acuminado.
Muda ou “seedling” - planta jovem, que ainda não floresceu obtida da germinação da semente, por cultura de tecidos, ou por divisão vegetativa.
Multiflora – apresenta muitas flores.
Musgo - as briófitas constituem um grupo de plantas verdes, sem raízes, mas com rizóide composto por pêlos absorventes e também sem um verdadeiro caule ou folhas; são as primeiras plantas que apresentam estômato na base da cápsula, mas que não possuiu o movimento de abertura e fechamento do ostíolo (poro para as trocas gasosas).
Mutualismo - associação de dois seres animais ou vegetais, em que ambos tiram proveito da ligação.

- N -
Necrocoleopterófila - polinização por besouro de material em decomposição.
Néctar – líquido açucarado que as orquídeas e outras plantas segregam em tecidos específicos, denominados de nectários.
Nectário – estrutura glandular que produz néctar, podendo ser de diversos tipos, localizados na flor (nectários nupciais), tomam parte ativa no processo de polinização; ou nelas ou fora delas (nectários florais e extraflorais), funcionando apenas como proteção a herbivoria.
Nematóide – verme cilíndrico que apresenta espécies capazes de parasitar plantas.
Nervação - distribuição das nervuras ou conjunto das mesmas; o mesmo que inervação ou venação.
Nervura - feixes de vasos que irrigam as folhas, com aspecto filamentoso e ramificado.
Nidoepífitas - termo utilizado por Frederico Carlos Hoehne, grande orquidólogo brasileiro, para as espécies que crescem nos topos dos troncos das árvores, e depois da bifurcação principal da raiz, produz raízes finas.
Nó – um ponto de junção ou encaixe, numa inflorescência, caule ou pseudobulbo, de onde podem emergir uma haste floral, folhas ou mesmo raízes.
Nome científico ou epíteto específico de uma planta - combinação binária do gênero, ou nome genérico mais o nome específico; por exemplo: Catasetum barbatum, é o epíteto específico de uma orquídea; Catasetum constitui o gênero, nome alusivo às duas antenas que partem de sob a antera e se dirigem para o centro do labelo, sempre escrito como a letra maiúscula; barbatum constitui o nome específico, dessa orquídea, nome alusivo às barbelas que adornam o labelo, sempre escrito com letras minúsculas.
Nome do autor do taxon - deve acompanhar o epíteto específico; por exemplo: Catasetum barbatum Lind., Lind., constitui a abreviatura de John Lindley, botânico inglês, que descreveu a espécie.
Nome do gênero - um substantivo singular em número, ou uma palavra tratada como tal.
Nome específico - geralmente um adjetivo, em Catasetum roseum Reichb. f. 1972, roseum= róseo, mas pode ser um substantivo adjunto.
Nomenclatura - conjunto de regras ou sistemas de nomes para taxa, sendo binomial para nome específico.
Nomenclatura binomial – expressão de dois nomes, em latim, ou grego latinizado, método científico de nominar seres existentes, com o primeiro termo (com inicial maiúscula) um substantivo significando o gênero e o segundo um adjetivo (com inicial minúscula) significando a espécie; deve ser grafado em itálico. Ex.: Cattleya violacea, Cattleya luteola.
Nominação de taxa em nível de família ou de categoria menor - quando um taxon é descrito pela primeira vez, o autor, obrigatoriamente deve indicar em qual material baseou-se para nominar o taxon em questão; o nome de taxa acima da categoria de família também está preso à necessidade de indicação de tipo nomenclatural, quando os seus nomes são baseados em nomes genéricos.

- O -
Objetivo das regras nomenclaturais - colocar a nomenclatura do passado em ordem e normalizar a nomenclatura futura; nomes contrários às regras não podem ser mantidos.
Oblonga - com base e ápice arredondados.
Obtusa - folha terminando num vértice arredondado.
Oligofílicas - flores hemifílicas, visitadas por alguns taxa de polinizadores relacionados.
Olho - gema das orquídeas, mais comumente nas simpodiais, que está com capacidade para desenvolver novo pseudobulbo.
Ombrófila – chuvosa; floresta chuvosa, “rain forest”, a floresta típica da Hiléia Amazônica.
Ondulada - margem de folha ou pétala que possui borda ondulada.
Oposta – folha que forma par com outra que nasce no mesmo nó, mas no lado oposto.
Orbicular – o mesmo que circular.
Órgão tibial – estrutura glandular que ocorre nas curbículas das dos machos das abelhas Euglossinae.
Origem - princípio; primeira; causa determinante; começo; nascente; proveniência; nascimento; naturalidade; procedência; base; tronco de gerações.
Origem dos nomes genéricos e nomes específicos podem originar-se de qualquer palavra, ou compostos arbitrariamente, mas sempre deverão ser latinizados.
Ornitocórica - dispersão por pássaros, por ingestão de frutos ou sementes não digestíveis.
Ornitófila - polinização por pássaro.
Orquidófilo – que aprecia, cultiva orquídeas.
Osmóforo - células formadoras do tecido produtor de odor que e constituído por terpenóides ou ácidos aromáticos,
Oval - contorno que lembra o corte longitudinal de um ovo.
Ovário - parte basal do pistilo que contém os óvulos; as sementes são formadas da fecundação dos óvulos; a parede do ovário transforma-se na parede do fruto.
Ovário ínfero – ovário inferior; ovário inserido no receptáculo e concrescido com suas paredes e, estames fixados acima do ovário.
Ovário trilocular – com três lojas, ou lóculos.
Ovário unilocular - com apenas uma única loja, ou lóculo.
Ovóide (es) – com forma de ovo.
Óvulo – estruturas contidas no ovário, a célula ovo que se transforma na semente; megasporângio envolvido por um ou dois tegumentos; denominado no óvulo das espermatófitas de nucela; no seu interior está alojado o megásporo denominado de saco embrionário e dentro desse alojam-se a oosfera e os núcleos polares.

- P –
Paleácea - textura, cor e aspecto de palha.
Paleoecologia - visa o entendimento das relações entre os organismos antigos e seus ambientes.
Palminérvea - nervuras em forma de palma.
Pandurado – em forma de violino.
Panícula – inflorescência do tipo cacho composto, em que os ramos vão crescendo da base para o ápice, assumindo uma forma aproximadamente piramidal; formada por um cacho grande de flores pediceladas (com haste curta); inflorescência composta na qual do eixo principal partem outros eixos secundários que portam flores; um cacho de cachos.
Pantropical – distribuído em todas as regiões tropicais.
Paralelinérvea - nervuras paralelas.
Parasita - vegetal que suga a seiva elaborada de outro vegetal, o que não acontece com as orquídeas.
Parênquima paliçádico isobilateral – tecido formado por células alongadas providas de cloroplastos em ambas as faces da folha.
Patente – estendido, aberto, plano.
Patógeno – organismo que tem a habilidade de produzir doenças.
Pauciflora – poucas flores.
Paucifoliado – poucas folhas.
Pé da coluna – projeção que ocorre na base da mesma; prolongamento da coluna onde o labelo geralmente se insere.
Pecíolo - haste de ligação entre o limbo da folha e o ponto em que ela se insere no caule ou no ramo.
Pedicelo – haste que suporta uma flor (e mais tarde um fruto) numa inflorescência composta; o mesmo que pedúnculo em inflorescência simples.
Pedúnculo - haste que sustenta flores em uma inflorescência simples.
Peloria – anomalia vegetal, comum nas orquídeas, em que uma flor zigomorfa (com um só plano de simetria, simetria bilateral) mostra tendência a se tornar actinomorfa (com várias simetrias, radiada, ou seja, que permite que sejam traçados vários planos de simetria). Ex: orquídea trilabelada.
Pelórico – que apresenta peloria; peloriado.
Peltada - que tem o pecíolo inserido fora da margem da folha.
Peninérvea - nervuras ramificam-se em nervuras secundárias, dispostas como as bordas de uma pena.
Perene - planta que pode viver por tempo indefinido.
Pérgula - estrutura de jardim formada por duas filas paralelas de colunas que suportam as traves transversais e que serve de apoio a plantas trepadeiras.
Perianto - conjunto de invólucros de uma flor, isto é, o cálice e a corola.
Persistente - folhagem, ou outro órgão que ao longo do ano não cai, nem mesmo durante o período anual de repouso, se houver.
Pétala (o) - geralmente a parte mais vistosa da flor; as pétalas protegem os órgãos sexuais da flor e, quando coloridas, servem para atrair insetos polinizadores; o conjunto das pétalas de uma flor chama-se corola; segmento que compõe a corola, invólucro floral por dentro do cálice; podem ser livres ou concrescidas e geralmente formam a parte mais vistosa da flor, com cores as mais variadas; em orquídeas, os três segmentos que se posicionam entre as três sépalas (os), um deles modificado como labelo.
pH - símbolo de conveniência para expressar grau de acidez, numa escala de vai de 0 a 14 e na qual o valor 7 representa a neutralidade (equilíbrio entre ácido e alcalino), valores superiores indicam alcalinidade crescente e valores menores acidez também progressiva; cada unidade de pH representa acidez ou alcalinidade 10 vezes superior ao da medida anterior - solo com pH 5 é 10 vezes mais ácido do que o solo com pH 6 e solo com pH 8 é 10 vezes mais alcalino do que solo de pH 7.
Piloso – superfície coberta de pêlos curtos e finos.
Pintalgado - com pequenas manchas.
Piriforme – em forma de pêra.
Pistilo - órgão feminino da flor; compreendendo o estigma, o estilete e o ovário.
Piterocórica - dispersão pelo vento de sementes ou frutos alados.
Placa de Petri – placa de vidro de pirex utilizada em laboratório.
Placenta - parte do carpelo a que se ligam os óvulos.
Placentação Parietal - óvulos fixados a parede do ovário.
Planta esclerofila – apresenta estruturas com alto conteúdo de tecido de sustentação.
Plantas Floríferas – são as Magnoliófitas (=Angiospermas), ou seja, as plantas que produzem flores e frutos e possuem dupla fecundação; apresentam flores verdadeiras, com estames, pistilo e ovário.
Plântula – pequena planta recém-nascida; uma orquídea nova, que ainda não floresceu; “seedling”.
Pleistoceno – período das eras geológicas, no início do Quaternário, onde ocorreu a última glaciação ou esfriamento da face da Terra.
Pleuranta – com inflorescência lateral.
Plicado - provido de pregas.
Poda - técnica de remoção por corte, de pseudobulbos, folhas, e outras partes de uma planta, a fim de eliminar tecidos mortos ou supérfluos, controlar o tamanho e estimular certas reações favoráveis ao desenvolvimento e à preservação.
Pogonocórica - dispersão pelo vento de sementes e frutos plumosos.
Pólen – espécie de fina poeira que esvoaça das anteras das plantas floríferas e cuja função é fecundar os óvulos, representando, assim, o elemento masculino da sexualidade vegetal; pó produzido e contido nas anteras, constituído por diminutos grãos capazes de produzir um tubo que, a partir do estigma em que o pólen adere, percorre todo o estilete e atinge o ovário para nele fecundar um óvulo e dar início à formação de um fruto.
Policórica - mais que um agente dispersor, podendo na mesma planta, apresentar frutos adaptados, para a dispersão por animal, ou pelo vento.
Polifílicas - flores hemifílicas visitadas por uma grande quantidade de polinizadores de taxa diferente.
Polígama - possui flores masculinas, femininas e andróginas na mesma planta.
Polínias ou políneas – tétrades de grãos de pólen ou massa de consistência gelatinosa, pulverulenta, cerosa ou cartilaginóide (parte masculina da flor); políneas ou polínias são as massas agrupadas de pólen comuns nos grupos mais avançados de orquídeas; são geralmente associadas a outras estruturas peculiares de orquídeas; na ponta da coluna você encontra as anteras geralmente globulosas com pequenas subdivisões, câmaras polínicas, dentro das quais se formam as polínias; ao conjunto de polínias chamamos polinário; em Cattleya e Brassavola há um pequeno apêndice, amarelo, originado do tecido das polínias, que se chama caudículo e que adere ao inseto polinizador; em outros grupos, tais como Oncidium, Catasetum, Zygosepalum, Stanhopea, Maxillaria, etc., esses caudículos são quase inaparentes e há uma estrutura diferente, como uma pequena haste alongada, geralmente branca e originada de tecido da coluna e não da polínia; esse é chamado estípite; na sua extremidade oposta as polínias freqüentemente há um outro tecido aderente, que é chamado de viscidium e ajuda essa estrutura toda (polinário+estípite+viscidium) a aderir ao polinizador; grupos mais primitivos, tais como Sobralia, Epistephium e Cleistes e muitas outras terrestres tem o pólen granuloso ou farináceo e mais ou menos solto, ao invés de agrupados em políneas.
Polinizadores – transportadores dos pólens até o estígma.
Poliplóide - com um número de séries de cromossomos maior que dois e, que normalmente, apresenta flores com ganho de tamanho e forma.
Poliploidias - com três ou mais séries de cromossomos.
Politrópico - polinizador generalista, com adaptação intermediária para a utilização da flor; visita muitas flores de taxa diferentes.
Ponto de compensação de CO2 - existem consumo e produção de CO² e esse equilíbrio é denominado de ponto de compensação.
Posição ínfera – na parte inferior.
Posição taxonômica - estatus do taxon ou taxa dentro de um sistema hierárquico.
Primatocórica - dispersão por macacos de frutos ou sementes não digestíveis.
Princípios do Código - formam a base do Sistema de Nomenclatura Botânica.
Propagação vegetativa – a criação de novas plantas mediante divisão (corte) formação de “keikis”, ou métodos meristemáticos, mas não por semente.
Propágulo – qualquer estrutura, conjunto de células ou mesmo gemas especiais que servem à propagação ou multiplicação vegetativa de uma planta; organela de reprodução.
Protocormo - o ápice do broto de uma planta adulta se rejuvenesce (passa da fase adulta à juvenil); são obtidos fazendo-se com que o meristema fique em agitação para perder a polaridade de crescimento; os protocormos obtidos por germinação de sementes têm muitas semelhanças com os produzidos a partir de ápices isolados de brotos.
Protogenia – órgãos reprodutivos femininos de uma flor amadurecendo antes dos masculinos, favorecendo a fecundação cruzada.
Protogênica - receptividade do estigma primeiro.
Províncias ecológicas – regiões com características e espécies próprias.
Pseudobulbo – um bulbo falso ou parte da planta, que armazena água e substâncias nutritivas; nas orquídeas epífitas, o pseudobulbo consiste num caule espessado que emerge do rizoma a intervalos e serve de órgão de armazenamento.
Pseudobulbo traseiro - um velho pseudobulbo, freqüentemente sem folhas, simpodial, que ainda está vivo e, às vezes, pode ser usado para propagação de uma nova planta, desde que ainda possua gemas saudáveis.
Psicófila - polinização borboleta.
Pubescente – superfície densamente coberta de pêlos finos, curtos e macios.
Pulverulento – coberto ou cheio de pó; semelhante a pó.

- Q -
Quadrangular – com quatro ângulos.
Quiropterocórica - dispersão por morcegos de frutos e sementes não digestíveis.
Quiropterófila - polinização por morcego.
- R -
Racimo – inflorescência indefinida nas quais as flores são pedunculadas e se inserem no eixo a distância considerável umas das outras; o mesmo que racemo ou cacho.
Radícula - raiz do embrião de plantas floríferas.
Ráfia – cordão ou fita para amarrar uma planta.
Raiz – órgão de fixação do vegetal ao solo ou onde esteja ancorado, por onde retira água e nutrientes, com variáveis morfologias interna e externa; no caso das orquídeas epífitas, as raízes não absorvem nutrientes dos hospedeiros.
Raiz “nua” – método para despachar uma orquídea, retirada do vaso e com as raízes limpas de substrato.
Raiz respiratória – ocorre em plantas que vivem em locais alagados e crescem com geotropia negativo (para cima).
Raiz suporte – ocorrem em plantas de locais brejosos ou de solo raso.
Raiz aérea - que se desenvolvem no ar, emitidas por caules aéreos; suas funções são freqüentemente, a de segurar a planta a árvores ou a outros suportes e a de absorver umidade do ar; raiz que aparece em nós; essas raízes costumam ser usadas pelas orquídeas trepadeiras para subir, mas também absorvem umidade do ar; muitas só se desenvolvem bem se conseguem prender-se a um meio adequado para enraizamento, como, por exemplo: raízes no nó das folhas da Vanilla, a Baunilha.
Raízes fasciculadas – sem uma raiz principal, ou pivotante.
Raízes tuberculares - partes subterrâneas desenvolvidas e carnosas de certas orquídeas.
Raízes tuberosas - órgão originado do caulículo do embrião, e tem a função de sustentação, condução da seiva bruta e armazenar substâncias nutritivas.
Ramicauli – apresenta ramos no caule.
Ramo - subdivisão do caule.
Raque – eixo da inflorescência.
Rebento - também conhecido como broto ou filhote; é uma planta nova produzida pela planta-mãe em sua base, ou em estolhos curtos, ou em inflorescências velhas, em geral destacáveis.
Recomendações nomenclaturais - trata de pontos subsidiários do código de nomenclatura botânica, seu objetivo é produzir grande uniformidade e clareza, especialmente no futuro tratamento nomenclatural; nomes contrários a uma recomendação não são rejeitados, mas eles não são bons exemplos a serem seguidos.
Reflexo – fôlha, bráctea, pedicelo, etc., voltados para a base do caule, ou qualquer outro eixo, em que se inserem.
Regras e recomendações - são aplicáveis a todos os organismos tratados como plantas (incluindo fungos e algas azuis, mas excluindo outros grupos de procariontes); cláusulas especiais são necessárias para certo grupo de plantas, como o “Código Internacional de Plantas Cultivadas”.
Reniforme – com a forma de rim.
Reprodução alogâmica - polinização de uma flor pelo pólen de outra.
Ressupinação - movimento que a flor faz, de até 180º, antes de abrir-se, colocando o labelo em posição horizontal; pode ser feito de várias formas; o mais comum é a torção do ovário e pedúnculos florais.
Ressupinado – órgão ou segmento vegetal que está invertido em relação à posição normal; em orquídeas, aquelas flores cujos labelos estão posicionados para baixo em relação ao eixo da inflorescência.
Ressupinar - ato ou efeito de tornar ressupinado; no caso da grande maioria das orquídeas, o labelo está voltado para cima dentro do botão da flor e tomando a posição ínfera quando da abertura da mesma.
Retrorso (a) - diz-se do órgão voltado para trás.
Revoluta – enrolada ou revirada para trás.
Rizoma – caule que se desenvolve horizontalmente, sobre o solo ou substrato, de onde emergem os pseudobulbos das orquídeas simpodiais.
Rombóide – em forma de placa chata, reto, truncado.
Roseta - distribuição de folhas que irradiam de um mesmo centro.
Rostelo - parte estéril do estigma das orquídeas que separa a cavidade estigmatífera da antera; possui vários formatos.
Rupestre - nasce ou se desenvolve entre rochas; litófila, rupícola.
Rupícola – nasce ou se desenvolve entre rochas; litófila, rupestre.

- S -
Sacado - em forma de saco.
Sagitada (o) - folha ou labelo com a forma de seta; de ponta aguda e base fendida, como uma ponta de lança; forma de seta, isto é, pontiaguda e com base bilobada, sendo os lóbulos igualmente pontiagudos; o mesmo que sagitiforme.
Saprófito – organismo que vive da matéria orgânica morta.
Sapromiófila - polinização por mosca.
Saxícola – que ocorre em plena pedra.
Seedling – plântula, uma orquídea nova ainda não florida.
Segmento - cada uma das partes em que se subdividem certas estruturas vegetais, particularmente, cálice, corola e labelo.
Seiva - líquido rico em nutriente que circula pelas plantas.
Self – orquídea obtida pela fertilização da mesma flor, aplicando-se o seu pólen sobre o próprio estigma.
Semente - o óvulo desenvolvido após a fecundação, contendo o embrião, com ou sem reservas nutritivas, protegido pelo tegumento; parte fertilizada e madura de uma planta florífera, capaz de germinar e produzir uma nova planta; as sementes variam de tamanho e forma.
Semialba – variedade de orquídea com pétalas e sépalas brancas e labelo colorido.
Sempre-verdes - plantas que mantêm as folhas o ano todo.
Sépala (o) - parte externa da flor, geralmente verde, que protege os órgãos de reprodução; segmentos que compõem o invólucro exterior (cálice) da flor periantada, podendo ser livres (cálice dialissépalo), como em Cattleya, ou fundidos total ou parcialmente em uma só peça (cálice gamossépalo), como em Phragmipedium, Pleurothallis, Masdevalia, Stelis, entre outras.
Sépala (o) dorsal – aquela que se posiciona na parte superior da orquídea.
Sépala (o) lateral - na maioria das orquídeas, aquelas duas que se apresentam nas laterais, apontando para baixo, formando um triângulo com a sépala dorsal.
Septo – parede que separa os segmentos das hifas ou de esporos dos fungos.
Serrada - com margem finamente denteada.
Séssil - desprovida de pecíolo (folha) ou de pedúnculo, ou pedicelo (flor).
Serrilhada – margem da folha ou segmento floral em forma de dente de serra.
Sigma - denominação da letra grega correspondente ao S latino.
Sigmóide - que tem a forma de sigma.
Simbiose - processo de propagação das plantas, na natureza, em que o embrião das sementes, é impregnado pelas hifas de determinados fungos do gênero Rizoctonia formando associação íntima do tipo micorriza, que vive em simbiose nas raízes; esse fungo transforma a água, o ar e os detritos que são depositados nas raízes, em elementos nutritivos para que as sementes germinem.
Simetria - quando se observa no vegetal, pelo menos, um plano de simetria, isso é um plano que o divide em duas partes iguais.
Simpetalia – fenômeno de concrescimento de pétalas em maior ou menor extensão.
Simpodial – tipo de ramificação lateral em que o eixo não prevalece, sendo substituído por outro ramo, que, posteriormente, será substituído por outro, horizontalmente, de forma mais irregular que na ramificação monopodial; no caso das orquídeas, o tipo de crescimento dos rizomas que, após o crescimento de um pseudobulbo e sua floração, desenvolve uma gema na base do pseudobulbo e iniciam novo crescimento, sempre seguindo horizontalmente, em frente ou irregularmente.
Síndromes de polinização - conjunto de estratégias e mecanismos de polinização, que condicionar o tipo de polinizador.
Sinsepalia – fenômeno de concrescimento de sépala (o)s em maior ou menor extensão.
Sistema de Classificação – o produto do processo de classificação; necessita de uma hierarquia de taxonômicas na quais as unidades nomeadas e os grupos são colocados.
Sistema de nomenclatura - uniformizado pelo “International Code of Botanical Nomenclature” que, é um sistema simples e preciso para tratar os nomes e níveis de grupos taxonômicos ou unidades e, por outro lado, normaliza o nome científico aplicado a um grupo individual de plantas.
Sistemática - ciência que estuda a diversidade dos organismos com relação as suas relações naturais.
Sistemática artificial - sistema estritamente utilitário, baseado no hábito, cor, forma e outras características similares.
Sistemática filogenética - baseado na evolução do taxa, derivado de num ancestral comum.
Sistemática mecânica - utiliza uma ou poucas características selecionadas como caracteres.
Sistemática natural - sistema baseado na evolução das formas.
Sistêmico – inseticidas, fungicidas e outros pesticidas que quando aplicados, são absorvidos pelas folhas, atuando de dentro da planta.
Sombrite – tela de sombreamento de nylon preto, com vários níveis de sombra.
Subulado – folha em forma de agulha.
Substância mucilaginosa - substância viscosa que se encontra em quase todos os vegetais.
Substâncias alelopáticas – substâncias químicas liberadas por um vegetal que inibem o crescimento do outra (s) espécie (s), ou mesmo a (s) mata (m).
Substrato – o meio, o material ou mistura de materiais usado para se plantar uma orquídea, envolvendo suas raízes e onde essas podem se desenvolver adequadamente; no Brasil, são mais comuns o xaxim em fibra (raízes de samambaia), esfagno (musgo), coxim (fibras de coco), cascas de pinhos e outras madeiras, piaçava ou piaçaba (fibras de folhas de determinadas palmeiras) pedaços de carvão, cascalho fino, etc.; para orquídeas terrestres e rupícolas há outros substratos, que incluem terra, areia, compostos orgânicos etc.
Subtropical - que se encontra entre os trópicos; intertropical; que tem características semelhantes às dos trópicos.
Suculenta - possui folhas ou hastes carnosas que armazenam água.
Sulcado – com sulcos.

- T -
Tampão - diz-se da solução capaz de manter o pH quando são adicionadas pequenas quantidades de ácidos ou bases, ou quando a solução é diluída.
Taxa - um conjunto de taxon.
Taxon - um grupo taxonômico, como espécie, gênero, família, ou um nível mais elevado, constitui a unidade básica da classificação.
Taxonomia - ciência concentrada nos princípios, regras e procedimentos de classificação.
Tépala (o)s - quando não se distingue os segmentos do cálice da corola; componente de um perianto não diferenciado em sépalas e pétalas.
Terete -– que tem forma cilíndrica, redonda; teretiforme. São caules ou folhas cilíndricas e engrossadas. É uma adaptação comum ao xerofitismo.
Tereticaule -– que tem caule cilíndrico.
Teretifoliado – que tem folhas de seção circular.
Terrestre – vivem no solo ou em pouco substrato, normalmente em detritos vegetais, sobre o solo.
Tétrade - número quatro; grupo de quatro; tétrada.
Tetragonal – com quatro ângulos.
Tetraplóide – com quatro séries de cromossomos, também conhecida como 4N e que normalmente apresenta flores com ganho de tamanho e forma.
Tipo Nomenclatural e suas categorias – é aquele elemento que o nome do taxon está permanentemente ligado com o nome correto ou sinônimo; o tipo nomenclatural, o Tipo (Typus), necessariamente não é o mais típico ou representativo elemento do taxon: Holótipo (Holotypus) exemplar ou ilustração escolhida pelo autor e citados na publicação original (protólogo); Isótopo (Isotypus)-duplicata do Holótipo; Parátipo (Paratypus) qualquer exemplar adicional citado ao lado do Holótipo na descrição original, mas de série diferente desse (coletor, ou outro número, ou data de coleta diferente); Sintipo (Syntypus) qualquer exemplar de uma série de exemplares, citado pelo autor sem especificação do Holótipo; isso só é permitido para trabalhos antigos; hoje, caso não se indique a categoria do Tipo o taxon, não é considerado validamente publicado; Lectótipos (Lectotypus) quando o autor, no trabalho original, não indicou um Holótipo, ou o Sintipo está desaparecido, escolhe-se entre os Sintipos, ou da ilustração da publicação original, aquele que será o tipo nomenclatural; Neótipo (Neotypus), quando todo material da descrição original está desaparecido, escolhe-se um exemplar, ou figura para ser o tipo nomenclatural.
Treliça - estrutura artificial formada por finas ripas cruzadas, geralmente em disposição diagonal, usada tradicionalmente para resguardo e sombra de varanda, em divisões de espaços internos e externos, como parede de caramanchão, ripado, etc.
Trepadeira - plantas herbáceas ou lenhosas, que necessitam de um suporte; tende a crescer em sentido oposto ao da gravidade, mediante volteios do caule, adesão ou intromissão de raízes na estrutura que lhe servir de apoio, além de outros meios.
Tricoma – pelo.
Trilobado – com três lobos.
Triplóide – com três séries de cromossomos, também conhecida como 3N e que dificilmente pode ser cruzada.
Truncado – com o ápice ou base reta, achatada.
Tuberas - raízes arredondadas e carnosas, encontradas em Habenaria e Cleistes.
Tubérculo - caule ou raiz grossa e carnosa que age como órgão de armazenamento; algumas plantas de raízes tuberosas podem perdem as folhas e o caule no outono, enquanto o tubérculo armazena alimento para o novo crescimento na primavera seguinte.
Tubular - em forma de tubo.
Tufo - moita e outras formações vegetais caracterizadas pela reunião de estruturas longas.
Turfa - substância com a consistência de uma esponja filamentosa e resultante da decomposição de esfagno, outros musgos e vegetais semelhantes.
Turgor celular - pressão hidrostática dentro da célula.
Tutor – estaca para orientar ou fixar a planta ao substrato; haste à qual se ata uma planta para prevenir a prostração de seu caule.

- U -
Umbela - tipo de inflorescência nas quais todos os pedicelos (hastes florais) irradiam de um ponto comum; flores com pedúnculo não distanciado entre si, saindo de um mesmo ponto no ápice do eixo; pode-se dizer também que a umbela é um racemo cujo eixo não se alongou - as flores mais jovens situam-se no centro e as mais velhas progressivamente distantes dele.
Umbrófila – ocorre em plena sombra.
Ungüiculado - de forma semelhante à unha.
Uniflora – apresenta uma só flor.
Unifoliada – apresenta apenas uma folha por ramo ou, em orquídeas, no pseudobulbo.
Unissexuada ou unissexual - plantas monóicas ou dióicas em que as flores são, ou masculinas ou femininas; flor que não é hermafrodita, mas masculina ou feminina.
- V -
Variedade – uma subdivisão de uma espécie, que agrupa plantas com uma forma diferenciada, que se transmite à progênie.
Variegada - com pintas ou manchas de cor contrastante com a do fundo ou também diversas entre si; pode-se dizer também que é o termo que designa a folha listrada ou manchada com outra cor.
Várzea – vegetação florestal ou não das margens alagáveis dos rios de água branca da região amazônica.
Vaso coletivo – muitas plântulas, ou “seedling”, plantadas juntas num único vaso, antes de atingir um tamanho que permitam serem replantadas individualmente.
Veia - nervura secundária das plantas.
Velame – velame, uma estrutura multisseriada da exoderme da raiz, especializada para a absorção de água do ar, ou da chuva, com alta eficiência; possui células de paredes espessadas e cheias de ar, absorventes, que envolvem as raízes das orquídeas epífitas e que têm um papel protetor e também de reservatório de água.
Verticilo - conjunto das partes das flores ou demais órgãos dispostos em volta de um eixo comum e no mesmo plano horizontal.
Viloso – superfície provida de pêlos longos e macios.
Viscoso – que tem visco, que é pegajoso, grudento; o mesmo que visguento e viscidio.
Volúvel - que dá voltas, especificamente caule que tende a circundar hastes que lhe sirvam de suporte.
- X -
Xaxim – tronco de determinadas samambaias arborescentes, cuja massa fibrosa é utilizada como substrato para cultura de orquídeas e outras plantas.
Xerófita - vegetais adaptados, morfológica ou fisiologicamente, à vida em ambientes secos; planta de clima seco capaz de conservar água por mais tempo do que as demais, mediante adaptações estruturais como densa pubescência, espessamento epidérmico e revestimentos resinosos que retardam a transpiração, entre outras adaptações.
Xilema - conjunto de vasos condutores de água e sais minerais presentes nas plantas vasculares - Pteridófitas, Gimnospermas e Magnoliófitas.

- Z-
Zigomorfa – com apenas um plano de simetria.
Zoocórica - dispersão pelo animal.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Cultura in vitro de orquídeas na Amazônia brasileira por Pedro Ivo Soares Braga 3

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SEQÜÊNCIA DO PROCESSO DE CULTURA IN VITRO DE EMBRIÕES DE ORQUÍDEAS

1 - Esterilização de Cápsula verde com cerca de três meses .

2 - Retirada de embriões imaturos da cápsula.

3 - Inoculação dos embriões imaturos no meio de cultura líquido.

4 - Meios de cultura em encubadeira agitadora.

5 - Diferenciação de plântulas no meio de cultura sólido.

6 - Plântulas de Cattleya eldorado em processo de desenvolvimento.
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domingo, 12 de abril de 2009

Cultura in vitro de orquídeas na Amazônia brasileira por Pedro Ivo Soares Braga 2









A fórmula C de Knudson adicionada de carvão ativado e banana é o mais apropriado para a germinação de sementes e culturas de “seedlings” de orquídeas tropicais epífitas.
A adição de (100 g/L) de polpa de banana madura ao meio de cultura semi-sólido após a transferência dos protocormos favorece a formação de plântulas completas.
A adição de polpa de banana ao meio pode apresentar um efeito positivo no crescimento de plântulas, entretanto não existem razões específicas que possam avaliar tal efeito.
Também é importante destacar que a escolha da variedade da banana e seu tempo de maturação podem afetar nos resultados esperados. Dessa forma a utilização da banana madura seria mais recomendada.
Sobre a utilização do carvão ativado, observou que o escurecimento do meio com carvão teve um efeito claramente positivo no crescimento de plântulas.
O carvão ativado pode ser autoclavado, embora o meio precise ser agitado após autoclavagem até a solidificação para que o mesmo permaneça em suspensão.
O carvão ativado tem duas funções: 1ª ele escurece o meio, impedindo a incidência da luz na base do explante, reduzindo a oxidação; 2ª adsorve os compostos tóxicos presentes no meio, ou os formados durante a oxidação dos compostos fenólicos.

Descontaminação das cápsulas, manipulação dos embriões e formação dos protocormos.

Toda essa operação deverá se feita numa sala de cultura, previamente esterilizada para evitar contaminações, sem vento encanado e, em uma câmara de fluxo laminar, também previamente esterilizada.
Esterilizar as cápsulas por meio de uma solução de água sanitária (comercial) a 20% com três gotas do umectante Tween (80), utilizado com a finalidade de homogeneizar a ação da solução descontaminante, onde ficaram imersas durante 20 minutos.
Decorrido o tempo, lavá-las em água, previamente, destilada e autoclavada, com a finalidade de evitar que as substâncias desinfetantes continuem atuando e provoquem contaminações.
Em seguida, colocá-las em placas de Petri e abri-las com auxílio de bisturi, expondo-se a massa esbranquiçada de embriões imaturos.
Pequenas porções de tamanho equivalente destes embriões serão retiradas e inoculadas, com auxílio de uma pinça, nos frascos com meio líquido (MK), descrito por Knudson fórmula C.
Utilizar tantos frascos quanto necessário, contendo 50ml de meio.
Os frascos inoculados serão mantidos numa estufa incubadora “Shaker”, com temperatura de 260 C com 50 rpm e 1000 LUX fornecidas por lâmpadas fluorescentes brancas frias (luz do dia), sob constante agitação durante 45 dias.


Transferência dos protocormos –

Após descartar o meio liquido onde se encontram os protocormos, fazer 3 lavagens por 5 minutos, com água destilada e autoclavada. A seguir colocá-los em placa de Petri contendo papel filtro para retirada do excesso de umidade. Em seguida, transferir-se 3-5 protocormos para os frascos com os respectivos meios de cultura.

Condições da cultura –

O pH dos meios de cultura deverá ser ajustado para 5,5 ± 0,1, utilizando-se NaOH ou HCl a 0,1 ou 0,5N.

A esterilização do meio bem como dos frascos a serem utilizados deverá ser realizada por autoclavagem à temperatura de 1210 C e à pressão de 1,05 kg/cm2 durante 15 minutos.

Após autoclavagem o meio deverá ficar em repouso em uma sala com condições apropriadas por 72 horas, para observar-se a eficiência da esterilização, no sentido de precaver-se contra contaminações e, conseqüentemente, perda de material.

Depois da transferência dos protocormos os frascos terão suas tampas lacradas com parafilme para auxiliar na proteção contra contaminações.
Os frascos com os protocormos serão mantidos em sala de crescimento, com as seguintes condições: temperatura de 26 + 1o C, fotoperíodo de 18 horas luz e intensidade luminosa de 2000 lux fornecidas por lâmpadas fluorescentes brancas frias (luz do dia).
Caso não ocorra nenhuma contaminação as plântulas depois de 9 meses estarão prontas para serem transplantadas, para pequenos vasos com fibra de coco e esfagno.

Para transplantar as plântulas colocar água destilada dentro dos frascos para amolecer o meio.
Depois de retiradas dos frascos, todo o resto do meio deverá ser retirado das raízes das plântulas.

Esses deverão ficar num local protegido, com umidade constante e deverão ser adubados freqüentemente, com uma solução homeopática de adubo foliar.

Caso tudo corra bem depois de três anos teremos as primeiras plantas floridas.








Cultura in vitro de orquídeas na Amazônia brasileira por Pedro Ivo Soares Braga 1





Introdução -


As orquídeas apresentam um desenvolvimento vegetativo lento, visto que, a divisão de uma muda leva, no mínimo, oito anos, o que torna a multiplicação de grandes quantidades de plantas para comercialização, muita lenta e onerosa.



A descoberta da germinação de sementes somente com a infecção de fungos micorrízicos, chamado método simbiótico, praticada por cultivadores foi amplamente utilizada por longos anos।
A descoberta de Knudson de que sementes de orquídeas poderiam germinar em um meio relativamente simples, contendo açúcar e sais minerais, mostrou-se fundamental para dar início ao chamado método assimbiótico de germinação de orquídeas, atualmente extensamente empregado।




São três as técnicas atualmente utilizadas: cultura assimbiótica ou semeadura em vidro; cultura de tecido vegetal ou meristemática e cultura de embriões imaturos, discutida nesse artigo.
A cultura assimbiótica ou semeadura in vitro, de orquídeas, constitui uma técnica bastante relevante do ponto de vista comercial e também ecológico.



As plantas produzidas dessa forma são altamente interessantes para programas de reintrodução de espécies nativas, em áreas de preservação ambiental, ou naquelas que foram impactadas।




A propagação comercial de orquídeas de formas idênticas via cultura de tecidos vegetais é uma realidade। Várias são as vantagens. As espécies com flores vistosas são muito procuradas por colecionadores e cultivadores e, portanto, vulneráveis à extinção na natureza. Através dessa técnica pode-se, em pouco tempo, produzir-se milhares de plantas a partir de meristemas como gemas e extremidades de raízes.




No caso da cultura de embriões imaturos, a vantagem é a redução do tempo de produção de plântulas। Adicionalmente tem-se a possibilidade de se obter a variabilidade genética, necessária para programas de recomposição e manejo de áreas degradadas। Ao mesmo tempo podem-se fornecer mudas para a floricultura।
A propagação vegetativa in vitro, também denominada de micropropagação por causa do tamanho dos propágulos utilizados, é a aplicação mais prática da cultura de tecidos e aquela de maior impacto.
As orquídeas podem ser propagadas por cultura in vitro a partir das sementes, por gemas de brotos vegetativos e pontas de raízes.
A maioria das plantas adultas de orquídeas na Amazônia brasileira abriga fungos endofíticos, o que geralmente inviabiliza a reprodução dessas por meio de micropropagação, uma vez que o fungo além de desenvolver-se internamente no meio pode matar o explante ou também alterar os resultados do meio utilizado।




Cultura in vitro de embriões de orquídeas।

Também conhecida por cultura de sementes imaturas. Consiste basicamente em se desenvolver sob condições assépticas os embriões obtidos de uma cápsula ainda verde em meio de cultura apropriado.

Os benefícios dessa técnica trazem considerável redução no tempo para utilização das sementes, pois, em muitas espécies de interesse comercial, o fruto de algumas espécies apresenta um período de desenvolvimento superior a seis meses, alcançando em alguns casos, mais de um ano.
Nesse caso a utilização precoce das sementes ainda imaturas possibilita a obtenção de plântulas em um menor período de tempo.
Por outro lado é importante ressaltar que, naqueles casos, onde o período de maturação dos frutos é longo, a planta pode ter o seu desenvolvimento afetado, podendo até levá-la a morte.
As condições especiais de cultura in vitro proporcionam o desenvolvimento normal do embrião imaturo.
Na obtenção de orquídeas, por exemplo, com a cultura de embriões iniciada 60 a 90 dias após a polinização, as plântulas podem ser produzidas em curto espaço de tempo, enquanto normalmente a maturação dos frutos requer cerca de 12 meses.
Seria oportuno considerar também, que os embriões prescindem de esterilização química, o que geralmente não ocorre com as sementes maduras, as quais muitas vezes são perdidas devido a uma sub ou sobre esterilização.
Por outro lado, esta técnica traz a vantagem de não se retirar gemas da planta mãe, o que poderia prejudicar o seu desenvolvimento e levá-la à morte.
As plântulas a serem produzidas por essa técnica, acompanhadas dos meios de culturas, são colocadas em frascos de vidro, com tampa de diversos materiais como: baquelite, metálica, borracha e plástico, que agüentam ser autoclavados a altas temperaturas,

Meios de cultura - o sucesso no estabelecimento da cultura de células, órgãos ou tecidos in vitro dependem, em geral, da seleção do explante, das condições de temperatura e luminosidade em que é mantida e de um meio de cultura conveniente.

O meio de cultura consiste de componentes essenciais e opcionais.





Os essenciais compreendem a água, os sais inorgânicos, a fonte de carbono e energia, vitaminas e substâncias reguladoras de crescimento।


Os outros componentes, que podem ser importantes, incluem aminoácidos e amidas, ácidos orgânicos e substâncias naturais complexas।




Uma contribuição significativa para a formulação de um meio de crescimento definido, adequado para uma ampla série de aplicações, foi feita por Murashige & Skoog (1962), onde aperfeiçoaram os tipos existentes de meios para cultura de tecidos de plantas, a tal ponto que, o seu meio (o meio MS) se tornou uns dos mais amplamente utilizados em trabalhos de cultura de tecidos, uma vez que suas diluições e modificações têm apresentado resultados satisfatórios para diversas espécies।
Os meios nutritivos podem ser sólidos ou líquidos, sendo que cultura em meio líquido normalmente exige algum tipo de suporte ou agitação para fornecer o oxigênio necessário para a respiração do explante e para retirar a polaridade de crescimento das células, e os meios semi-sólidos ou sólidos, tradicionalmente são solidificados com Agar, um polissacarídeo extraído de algas marinhas।




As plântulas podem crescer em muitos meios dependendo da espécie। Todos os meios de cultura designados para clonação de qualquer vegetal são constituídos, basicamente, por uma mistura de sais minerais (macro e micro nutrientes), como fonte de energia os carboidratos, reguladores de crescimento e extratos de plantas, tais como, polpa de banana, extrato de batata e o Agar.




A utilização do meio de cultura básico mais favorável para iniciar a cultura in vitro de orquídeas a partir de embriões é a fórmula C.

O cultivo de embriões em meio líquido acelera o desenvolvimento inicial dos embriões, quando comparado aos meios geleificados.

Após a fase inicial esses são transferidos para meios sólidos, para alcançar o desenvolvimento pleno da plântula.






sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cultivo e Tratos Culturais de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga 11


Noções básicas no cultivo de orquídeas


Temperatura - a maior parte se adapta bem a temperaturas entre 18 e 40 graus centígrados. Entretanto, há orquídeas que suportam temperaturas mais baixas, como Cymbidium, Odontoglossum da Ásia e Miltonia spp. da Colômbia, todas nativas de regiões elevadas, difíceis de serem cultivadas em Manaus. As orquídeas da planície amazônica na sua maioria não toleram o frio. Assim, devemos cultivar orquídeas que se aclimatem no lugar em que vão ser cultivadas. Caso contrário, o fracasso é certo.

Luminosidade - o ideal e manter as plantas sob uma tela SOMBRITE de 50%. Assim elas receberão claridade em luz difusa suficiente para realizarem a sua função vital que é a fotossíntese. Se as folhas estiverem com cor verde garrafa, é sinal que estão precisando de mais luz. E se estiverem com uma cor amarelada, estão com excesso de luz. Existem orquídeas que exigem mais sombra: é o caso das microorquídeas.

Vento - é importante ambiente bastante ventilado ou arejado; deixe-as, portanto, perto de uma janela entreaberta, ou em uma varanda ventilada.

Água e umidade - a umidade relativa do ar (quantidade de vapor d'água existente na atmosfera) nunca deve estar abaixo de 50%, caso contrário, as plantas se desidratarão rapidamente. Em dias quentes, a umidade relativa do ar é menor, por isso é necessário manter o ambiente úmido e molhar não apenas a planta, mas também o próprio ambiente. Num jardim, com muitas plantas e solo de terra a umidade relativa é bem maior do que numa área sem plantas com piso de cimento. Elas gostam do ambiente onde normalmente vivem as samambaias, porém é importante ser ventilado, para que o substrato seque bem após ser molhado, e só então se joga água novamente. Nunca molhe as plantas quando as folhas estiverem quentes e pela incidência de luz solar. Molhe pela manhã ou fim da tarde, quando o sol estiver no horizonte. Se precisar molhar durante o dia, espere uma nuvem cobri o sol por cerca de 10 minutos para que as folhas esfriem. Somente, então, borrife as folhas, pois umedecê-las é extremamente benéfico. Mas não encharque o vaso, pois as raízes podem apodrecer. No período chuvoso não deixe a água fria se depositar no centro das folhas novas, mesmo que o lugar seja bastante ventilado e a água se evapore logo, pois pode apodrecer a planta. Se o vaso ficar muito cheio de raízes ou as folhas começarem a ficar murchas em vasos com cultivas antigos, trocar para um vaso de barro ou plástico, bem furado para ter boa ventilação e um pouco maior, eliminando as raízes secas e colocando substrato novo. Colocar cacos de cerâmica na parte inferior do vaso, para boa drenagem.

Adubação - as orquídeas necessitam de alimento como qualquer outra planta. Quanto o adubo for líquido, dilua um mililitro ( é igual a um centímetro cúbico) em um litro d'água. Uma seringa de injeção é um medidor prático. Quando for sólido, mas solúvel em água, dilua uma colher de chá em um litro de água numa freqüência de uma vez por semana. Essas soluções podem atuar como adubo foliar, mas nunca aplique durante o dia, pois os estômatos (minúsculas válvulas) estão fechados. Faça-o de manhã, antes de o sol nascer, ou no fim da tarde, molhando os dois lados das folhas (o número de estômatos é maior na parte de baixo das folhas). Concentração de adubo menor do que a indicada pelo fabricante nunca é prejudicial. Diluir os adubos anteriormente citados (um mililitro ou um grama), em 20 litros de água (ou mais) e, com ela borrifar semanalmente as plantas, dessa forma você poderá obter excelentes resultados. Dosagem maior que a indicada funciona como veneno, e pode até matar a planta. Se o adubo for sólido, insolúvel na água, deve ser distribuído uniformemente diretamente no vaso, numa média de uma a duas colheres de chá, dependendo do tamanho do tamanho do vaso, uma vez por mês. Cuidado para não jogar diretamente sobre as raízes expostas.

Pragas e doenças - plantas bem cultivadas, isso é, com bom arejamento, boa iluminação, num local de alta umidade relativa e bem alimentadas, dificilmente estão sujeitas a pragas e doenças. Falta de arejamento e de iluminação podem ocasionar o aparecimento de pulgões e cochonilhas (parece um pó branco), que podem ser eliminados por catação manual ou com o uso de escova de dente molhada com caldo de fumo ou detergente neutro. Planta encharcada pelo excesso de água ou submetida a chuvas prolongadas pode ser atacada por fungos e/ou bactérias, causando manchas nas folhas e/ou apodrecimento de brotos novos. No comércio existem muitos tipos de fungicidas e inseticidas, mas o manuseio requer cuidados especiais, pois são tóxicos para o ser humano e para outros seres vivos.

A velha receita caseira do caldo de fumo que não é nocivo ao homem e é fácil de preparar - ferva 100 g de fumo de rolo picado em um litro e meio de água, acrescente uma colher de chá de sabão de coco em pó e borrife as plantas infectadas.

Quando plantar e replantar - o plantio deve ser feito quando a planta estiver emitindo raízes novas, o que se percebe pelas pontas verdes, não importando a época, inverno ou verão. Quando for dividir a planta, a muda deve ter no mínimo três bulbos, tendo-se o cuidado de não machucar as raízes vivas, o que se consegue molhando-as, pois ficam mais maleáveis. Sempre flambeie com uma chama (de um isqueiro, por ex.) o instrumento que vai usar para dividir a planta, para evitar a contaminação por vírus. No caso de orquídea monopodial, como Vanilla entre outras, deve-se esperar que emitam pelo menos duas raízes, para, então separar da planta mãe.

Floração - geralmente cada espécie tem sua época de floração que é uma vez por ano. Convém marcar a época de floração de cada espécie, pois, se não florescer nessa época, é porque há algo errado. Existem orquídeas que, bem tratadas, chegam a florir duas a três vezes por ano. O mesmo ocorre com híbridos cujos pais têm épocas diferentes de floração.
Com essa postagem concluo o tema "Cultivo e Tratos Culturais das Orquídeas" .
Espero ter contribuído, com dicas e truques para as coleções dos orquidófilos.
Na oportunidade quero agradescer ao Dr. Kleber pelos desenhos que ilustraram os artigos postados.

Cultivo e Tratos Culturais de Orquídeas por Pedro Ivo Soares Braga 10

Onde devem ser colocados os vasos de orquídeas - as orquídeas podem ficar em áreas externas a casa, em varandas, pérgulas, casas de vegetação (estufas, telados, etc.), em jardins (às terrestres) ou no interior da casa, próximos janelas.
· A planta deve ficar em um local com iluminação, ventilação, temperatura e umidade apropriadas, exigências que variam para as diferentes espécies, conforme será detalhado posteriormente.
· Em apartamentos deve-se produzir ar úmido na vizinhança imediata da planta.
Uma maneira fácil de conseguir a adequada umidade é encher um prato em forma de bandeja com pequenas pedrinhas e areia, e encher de água até quase a borda (não esquecer a borra de café para evitar a dengue!).
Coloque o vaso da planta em cima das pedrinhas, devendo o fundo do vaso ficar em contato com a umidade do substrato.
Como em Manaus e na maioria da Amazônia a temperatura e é elevada durante todo o ano (média das máximas anuais em torno de 31,5º e média das mínimas anuais em torno de 23,5º), podemos nos considerar dentro de uma estufa e, portanto, este tipo de casa de vegetação não se justifica em nossa cidade.

Para os que têm uma quantidade razoável de plantas, o correto é a construção de uma casa telada ou um ripado, para prover as orquídeas um sombreamento adequado.

O ideal é que ele tenha a orientação leste-oeste.

As dimensões, naturalmente, ficam a critério do orquidófilo; recomendamos, entretanto, que a largura do módulo seja de 3 a 5 metros; é desejável que o tamanho possa ser aumentado conforme as necessidades.

A altura deve ficar entre 2,5 e 4,0 metros; nos telados ou ripados com mais altura a alternância de luz e sombra sobre as folhas é mais rápida, e isso é melhor para as plantas, pois se evita que essas sejam queimadas pelos raios solares.
Dentro da casa de vegetação os vasos podem ser dispostos sobre bancadas (de ripas ou telas metálicas rígidas, para evitar acúmulo de água) ou pendurados em fios de arame (suportes feitos com arame galvanizado nº. 18).

Os vasos suspensos têm a vantagem de ficarem protegidos de pragas como as lesmas e "tatuzinhos". O sistema de bancadas poupa espaço porque comporta mais vasos por área.

Os vasos devem ficar em uma altura que permita boa visualização das plantas e que não dificulte as regras e aplicações de fertilizantes e defensivos.

O sistema de cultivo em bancas coletivas, adotado principalmente pelos que cultivam orquídeas em escala comercial, é impróprio para nossa cidade porque retém excessiva umidade, prejudicial é maioria das espécies de nossa região.

O telado ou ripado - são soluções práticas e econômicas e bastante apropriados para as nossas condições climáticas.

Na sua construção podem ser empregados vários materiais, como a madeira ou outro material empregado na estrutura.

A estrutura pode ser pintada (sugerimos as cores branca ou verde) para maior durabilidade.

Podemos apenas utilizar tela SOMBRITE de 50%. Assim elas receberão claridade e luz difusa suficiente para realizarem a sua função vital, que é a fotossíntese. Se as folhas estiverem com cor verde garrafa, é sinal que estão precisando de mais luz. E se estiverem com uma cor amarelada, estão com excesso de luz. Existem orquídeas que exigem mais sombra: é o caso das microorquídeas.

É interessante colocar placas de pvc, daquelas utilizadas em forro, no teto e nas laterais, para evitar excesso de iluminação.

- Devem ser dispostas no sentido Norte-Sul, o que propicia, com o deslocamento do sol, uma tolerância de sombra e luz favorável às plantas. As placas laterais devem ficar no sentido vertical. As ripas, com 5 cm de largura, podem ficar espaçadas em 2,5 ou 3,0 cm, o que dá porcentagens de sombreamento de 67% e 62%, respectivamente fornecendo a luminosidade adequada à maioria das espécies regionais.

- As telas para sombreamento, têm a duração de 5 anos e são de facílima aplicação, que é feita com grampeadores comuns, de escritório. Há no comercio telas com porcentagens de sombreamento que vão de 40 até 80%. A vantagem das telas sobre as ripas é que impedem o acesso de insetos como grilos, gafanhotos, percevejos e vespas. Sua largura é de 1,50 a, portanto as distâncias entre os caibros em que serão afixadas não devem ser superiores a 1,44 m, para permitir o grampeamento com facilidade.

- É interessante ter uma área coberta com telhas transparentes apropriadas, dentro do ripado, para colocar as plantas que exigem período de repouso com pouca umidade e as que não suportam as chuvas fortes.

No chão do orquidário, sob as bancadas, podem-se colocar pedras (brita) ou areia, para ajudar a conservar a umidade ambiente. Não e recomendável cimentar o piso.

Pode-se também plantar selaginelas, que se desenvolvem rapidamente no chão, emprestando um belo aspecto; as samambaias não são recomendadas devido à intensa propagação por esporos, cobrindo vasos e xaxim, prejudicando a ventilação nas raízes das orquídeas e competindo com as mesmas pelos nutrientes.

Muitas outras opções podem ser empregadas como, por exemplo, aproveitar um corredor externo da casa, um terraço, etc. O importante é dar às plantas condições semelhantes às de seu habitat natural. Em corredores deve-se tomar cuidado com o vento encanado, o que poderia desidratar excessivamente as plantas nas épocas não chuvosas. Uma solução seria a colocação de portas, que poderiam ser abertas nas épocas mais chuvosas.